#O shaper Cláudio Hennek, mais conhecido como Alemão, pode ser considerado um vitorioso. Com cerca de quatro mil pranchas shapeadas no currículo, sendo que iniciou na atividade há oito anos, ele tem na equipe dois dos melhores surfistas brasileiros na atualidade, o catarinense Neco Padaratz e paranaense Peterson Rosa.
Isso mesmo! Esses dois monstros do surf brasileiro surfam com pranchas desse shaper carioca, casado, 34 anos, morador na Barra da Tijuca e que entrou na profissão sob batuta de Ricardo Martins e Jocca Secco, da fábrica de pranchas Wetworks.
Hennek tem imensa responsabilidade em conduzir as ambições de dois surfistas conhecidos pelo temperamento forte e atitude agressiva dentro d’água.
#Quando questionado sobre como é trabalhar com atletas desse nível, ele tem uma resposta no mínimo singela. “Olha, é bastante caro. A exigência é muito alta, assim como a pressão pela perfeição do shape também”, analisa ele.
Não é surpreendente se considerarmos que uma prancha perfeita pode significar a vitória ou um excelente resultado, como o terceiro lugar de Peterson Rosa no Rip Curl Cup, realizado em Sunset, no último inverno havaiano. Rosa surfou com uma prancha 7?2? mágica.
“No campeonato, com uma prancha um pouco menor do que a dos demais competidores, Peterson realizava o drop mais atrasado, mas em compensação detonava as ondas com muito mais radicalidade que os outros surfistas?, explica Hennek.
#Ele começou a shapear para Neco através de seu amigo Júlio Adler, que deixou algumas pranchas com o atleta para que ele testasse.
Foi amor à primeira onda. Desde então a parceria entre Neco e Hennek só cresceu e trouxe os bons resultados que acompanhamos nos últimos três anos.
Para garantir o quiver desses atletas durante o Circuito, o shaper deixa sempre um quiver à disposição baseada nos modelos que já são xodó. Além de Neco e Peterson, Marcelo Trekinho e Beto Fernandes fazem parte da seleta equipe do Alemão.
“É legal porque eles são surfistas com um biotipo completamente diferente. Trekinho, por exemplo, surfa muito mais leve e exige outro tipo de trabalho”, conta ele.
#Para quem pensa que a vida de shaper é moleza, Hennek explica que nem tudo são flores. “Trabalho seis dias por semana e estou há oito anos sem tirar férias”.
Tamanha dedicação resultou em uma hérnia na região lombar, por causa do excesso de horas curvado sobre os blocos. Agora, ele pratica diversas vezes na semana fisioterapia para tentar amenizar o problema.
Hennek busca inspiração nos shapers Joca Secco e Ricardo Martins. “O dois me inspiram pelo exemplo de dedicação que demonstram. O Ricardo então nem se fala, é uma máquina, a locomotiva do nosso trem”, conta ele, que dedica tudo que aprendeu aos dois, pois eles o acolheram quando ainda era surfista profissional e tentava a sorte no Circuito Brasileiro.
Quando parou de competir, ele cursou até o segundo ano da Faculdade de Turismo e demorou um pouco para encontrar seu caminho. Mas, estimulado pela dupla de shapers ingressou na carreira e se deu bem.
#”Tudo que sei devo a eles. Acredito que se a Wetworks fosse na Califórnia ou na Austrália seria com certeza uma das maiores marcas do planeta. Aqui no Brasil, as dificuldades econômicas acabam diminuindo o progresso das empresas”, conta.
Sobre o relacionamento de trabalho entre os três shapers, Hennek explica que há uma competição positiva, onde um busca superar o outro, alcançando resultados mais contundentes com seus atletas e criando novidades.
“Com isso, forma-se um ciclo onde o talento de cada leva a uma maior produtividade, que por sua vez resulta num progresso contínuo”.
Para ele, o sucesso da Wetworks é decorrente do apoio aos atletas na busca por melhores resultados. “Veja o Adriano Mineirinho. Ele está detonando com shapes do Ricardo Martins”, exemplifica.
A prancha que ele mais gosta de fazer atualmente são as fishes. “Elas são divertidas de produzir e ajudam a quebrar a rotina, pois suas dimensões são bem diferentes das pranchas tradicionais”, explica.
Apesar de toda essa trajetória vitoriosa, Hennek acha que a mídia especializada no Brasil dá pouco valor aos shapers e aos próprios atletas nacionais.
“O trabalho do shaper deveria ser mais reconhecido na mídia. O atleta obtém um resultado excelente com um shaper e ele não é citado. Acredito que o nome do shaper que ajudou o surfista a obter a vitória deveria ser citado”.
?Não é só o shaper que recebe um tratamento inadequado da mídia nacional. Quando o Vitor Ribas ficou em terceiro no WCT, houve pouquíssima cobertura por aqui. O mesmo aconteceu com o Peterson Rosa no Gustom 500, no ano passado?.
Para quem quiser começar a shapear, Hennek sugere muita dedicação. ?Procure ser backshaper de um excelente shaper por algum tempo?, indica.
Sua experiência internacional como surfista é restrita. ?Nunca viajei para Bali, na Indonésia e o lugar mais longe para onde fui foi o Peru?, conta Hennek.
Apesar de surpreendente, é compreensível se tratando do Alemão, um batalhador que como ele mesmo diz sempre morou de aluguel e até hoje está correndo atrás de uma casa própria.
Com certeza, mais um na saga de heróis que fizeram da paixão pelo surf não só seu ganha-pão, mas também a maneira de levar o esporte brasileiro aos mais altos lugares nos pódios mundo afora.
Para entrar em contato com Cláudio Hennek envie uma mensagem para [email protected] . O home page da Wetworks fica no endereço www.wetworks.com.br