Claudemir Lima conquista o Rio

Quando saiu de casa, em Fortaleza, há três anos, o cearense José Claudemir de Lima anos esperava conseguir alavancar sua carreira profissional pelo Brasil afora. Para isso, escolheu morar e treinar na cidade do Rio de Janeiro, cujo mercado e orla proporcionavam mais oportunidades.

 

Local da praia do Futuro, Claudemir Lima, ou Bibi, ainda não atingiu o ápice de seu potencial, mas já colheu bons frutos. Aos 27 anos, no ano passado terminou como campeão carioca e terceiro colcoado do Super Trials, circuito que classifica para o SuperSurf, atual circuito brasileiro profissional.

 

Atualmente, ocupa a 11a colocação no ranking do SuperSurf. Porém, confirmando a atual crise por que passa boa parte dos surfistas profissionais brasileiros, Bibi está competindo sem patrocínio já há dois anos.

 

Saiba mais sobre a vida deste profissional, que é evangélico e costuma surfar nas praias do Futuro, Icaraí e Titanzinho quando está em casa, ou Arpoador e Barra da Tijuca quando está no Rio.
 
Qual a sensação de ser campeão carioca?
 

 

Dever cumprido, pois esse era um dos meus objetivos quando me mudei para o Rio de Janeiro. Porém, estou um pouco chateado por não estar sendo valorizado e nem divulgado.

 

A maioria dos atletas do Nordeste se muda para o Sudeste em busca de melhores oportunidades. Como foi o seu início, desde sua saída até chegar ao Rio de Janeiro? 

 

Eu já tinha conseguido bons resultados em eventos estaduais, regionais e também nos eventos do WQS que aconteceram no  Nordeste. Mas devido à falta de apoio e de patrocinadores, eu tinha que me virar com as premiações dos campeonatos, porém a premiação ficou baixa e foi ficando inviável continuar  surfando. Tive a oportunidade
de conhecer o Pedro Robalinho em 97 quando ele estava começando a treinar o Thales Salgado, que era competidor nessa época. Aí ele me convidou pra morar em sua casa, treinar, evoluir e buscar o apoio de um patrocinador, mesmo que para isso tivesse que ficar longe da minha família que mora em Fortaleza.

 

Quais são as maiores dificuldades para os competidores que não fazem parte do eixo Rio-São Paulo?

 

A distância, os custos das viagens e o anonimato, pois a mídia forte está no Sudeste.

 

Quais são seus principais resultados?

 

Campeão cearense profissional em 98, vice-campeão brasileiro do Super Trials em 2001, terceiro colocado no ranking profissional carioca em 2001, campeão carioca em 2002 e terceiro colocado no Super Trials em 2002. Tenho outros resultados expressivos como o sétimo lugar no Pena, válido pelo WQS no Ceará em 96, sétimo colocado no Hang Loose Pro válido pelo WQS em Pernambuco no ano de 99 e quarto colocado no Maresia, etapa válida pelo WQS no Ceará em 99.

 

Quando se profissionalizou e quais são seus patrocinadores atuais?

 

Tornei-me profissional quando fiz a semifinal do WQS de 96. Estou há dois anos sem patrocínio e tenho como shaper o Udo Bastos, que também é radicado no Rio de Janeiro.

 

Qual a sua rotina de treinamento e há quanto tempo está sendo treinado pelo Pedro Robalinho?

 

Surfo em média três horas por dia, mais uma e meia de musculação de segunda a sexta, 20 minutos de corrida na praia as terças e quintas-feiras  e alongamento todos os dias. Estou sendo treinado pelo Pedro Robalinho há três anos.

 

Como está o surfe cearense?

 

Tem a Federação Cearense de Surf, que faz um circuito estadual na marra e com pouco dinheiro, pois os empresários cearenses do ramo de surfwear (que não são poucos) não investem nos atletas e eventos, fazendo com que grandes talentos locais abandonem sua terrinha em busca de melhores condições para a prática do esporte.

 

Qual a sua opinião em relação aos critérios dos juízes, o que pode ser melhorado?

 

O julgamento no surf é muito subjetivo e difícil de haver um parâmetro de notas e critérios, pois cada surfista tem suas características e um modo de surfar diferente. Mas aos poucos os juízes estão se reciclando e melhorando. E na minha opinião, em todos os campeonatos deveria ter uma câmera para cada competidor, ou pelo menos, duas câmeras para baterias de quatro atletas e alguns profissionais filmando. Se houver alguma polêmica esse recurso será usado para voltar e alterar o resultado. E quanto aos erros de julgamento do passado, que foram dolorosos pra mim, hoje eu só tenho a dizer que o que não mata me fortalece.

 

 

Existe uma proposta para transformar o Super Trials em Super Tour, aumentando a premiação para R$ 35 mil e fazendo com que as etapas que valem R$ 15 mil façam parte dos circuitos estaduais. Seria uma alternativa para reconhecer a qualidade dos atletas e fortalecer o surf brasileiro?

 

Sim, pois nesse caso teríamos mais campeonatos, mais dinheiro circulando no esporte e mais notícias do meio competitivo. E qualquer mudança positiva é benéfica para o esporte, só tende a somar e a engrandecer o surf competição e os atletas de um modo geral.

 

Quais suas impressões sobre o SuperSurf?

 

Acho bacana, ótima estrutura, boas chances de divulgar os patrocinadores, pois a mídia e o público comparecem e a premiação é boa.
 
Quais são as prioridades para esse ano?

 

Chegar no final da temporada com chances de brigar pelo título do SuperSurf e tentar correr algumas etapas do WQS.

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