Fernanda Daichtman na praia do Rosa, Imbituba (SC). Foto: Paula Andrade.

A paranaense Fernanda Daichtman, 25, é uma bela revelação do longboard nacional. Com apenas um ano disputando a categoria, é a número 8 do ranking brasileiro 2006, além de segunda colocada no circuito catarinense desta temporada.

 

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Fernanda começou a surfar de bodyboard aos 11 anos. Quando tinha 18, foi morar no Hawaii e apaixonou-se pelo longboard. Hoje ela mora em Matinhos, tradicional point-break de direitas do litoral paranaense, onde aprimora um estilo que combina o clássico e o moderno no surf de pranchão.

 

Fernanda Daichtman exibe um estilo clássico em Matinhos (PR). Foto: Penobico.com.br.

Formada em Biologia e contratada da agência Megamodels, de Curitiba, Fernanda também tem um trabalho que envolve surf e ambientalismo para alunos da rede municipal de Matinhos. 

Por que optou pelo long em vez da pranchinha?
Eu era bodyboarder desde muito nova (11 anos de idade). Aos 18 fui morar no Hawaii e lá me apaixonei pelo long. Tinha experimentado apenas uma vez. Assim, quando voltei ao Brasil continuei no bodyboard e demorei a pegar num pranchão. Mas, o surf de pranchão me atraía com seu estilo muito mais bonito e delicado para mulher.

A impressão é a de estar dançando em cima da prancha. Tinha essa imagem de surf soul, um surf de raiz. Quando peguei meu primeiro pranchão, nunca mais larguei.

 

A onda de Matinhos favorece teu estilo?
Com certeza, foi lá que aprendi a surfar. O mar em Matinhos quando quebra clássico está entre as melhores direitas que já surfei. A onda é extensa e perfeita para a prática do longboard. Uma escola de surf.

 

Quais manobras você curte e o que você pensa em aprimorar no teu surf?
Hang-ten e knee turner são as manobras que mais aprecio, porém ainda desafiadoras. Mas, chego lá, estou praticando.

 

Como está o cenário competitivo no Paraná?
Bom, no Paraná tem uma concentração de meninas longboarders e a cada dia surgem novas atletas. Sempre tem uma amiga começando e se interessando pelo pranchão. E isso é lindo, além de mostrar que as mulheres estão dominando, o outside fica mais florido.

 

As meninas que competem comigo, tanto no paranaense como no brasileiro são Bárbara Sieno, Thiara Mandelli, Sabrina Olas e Neide Afonso. São feras, todas evoluindo muito e cada uma com seu estilo, contribuindo para a visibilidade e o crescimento do longboard feminino.

 

Ressalto ainda que o longboard paranaense tornou-se independente e deixou de ser apenas surf treino para ser um circuito Paranaense de Longboard em 2006, chegando a ter etapas de nível profissional.

 

Quais os principais objetivos na temporada?
Meu objetivo este ano é disputar os campeonatos amadores (paranaense e catarinense); o profissional brasileiro (Petrobrás Feminino e Petrobrás Longboard Classic). Também estou trabalhando em um projeto para ir ao mundial na Costa Rica em maio deste ano.

 

A família apóia tua vida no surf?
Completamente. Terminei o curso de Biologia em 2005 e trabalhava como pesquisadora no CEM-UFPR (Centro de Estudos do Mar) até começar o circuito brasileiro em 2006, quando optei por me dedicar integralmente ao surf.

 

Nessa nova escolha, tive o apoio de toda a família, como incentivadores e muitas vezes como patrocinadores. Eles estão ao meu lado em minhas decisões.

 

Quais longboarders você mais admira?
Joel Tudor, para mim é o mestre do estilo no longboard. Ele faz o surf de long parecer muito fácil e harmonioso.

 

Dá para notar que você busca um estilo clássico de surfar. É isso aí ou é apenas uma impressão?
Gosto de mesclar os estilos clássico e radical. Porém, o clássico predomina.

 

Quais suas atividades fora do surf?
Sou contratada da agência Megamodels, de Curitiba. No momento estou trabalhando num projeto que visa a educação ambiental no Programa Surf na Escola, que vem sendo realizado no litoral paranaense, um projeto do Ministério do Esporte, Governo do Paraná, através da Paraná Esportes, e da Prefeitura Municipal de Matinhos, através da Secretaria de Educação.

 

É um trabalho para alunos da Rede de Ensino Municipal, em que as crianças aprendem o surf na sala de aula, descobrindo todos os benefícios que o esporte oferece.

 

Paralelamente, idealizo um projeto que desperte a consciência do desenvolvimento sustentável e a importância da conservação do ambiente em que vivemos. Sabemos que anualmente as praias são muito freqüentadas, o que prejudica a balneabilidade da água, juntamente com o aumento da produção de resíduos sólidos.

 

Por isso, quero contribuir com pesquisas fazendo mestrado num futuro a médio prazo. Sou consciente e engajada na expansão da educação ambiental.

 

O que diria para outras meninas que sonham em ter uma carreira no longboard?
Dedicação e persistência são fundamentais.  Fiquem cientes que dificuldades são inevitáveis. É importante encarar os problemas não como obstáculos, mas como crescimento pessoal e profissional, aprendendo com eles.

 

Quais marcas apóiam o teu surf?
Tenho co-patrocínio da Malarrara (calçados e bolsas) e apoios da Evoke (óculos), Fuwax (parafina) e Top & Cia ( surfwear). Tenho apoio de pranchas de Cláudio Pastor, shaper do Rio de Janeiro.

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