Todo bom surfista gaudério sabe que o nosso pós-verão sempre compensa as marolas das férias da gurizada.
Surf em casa, crowd de amigos, ondulações constantes, vento terral, água quente e, na maioria das vezes, cor chocolate.
Quase só alegria, tirando o lamentável fato de que as redes de pesca literalmente invadem nossas praias durante o ano – já mataram 49 surfistas por aqui.
Isso faz do nosso estado um dos lugares mais perigosos do mundo para a prática do surf.
Enfim, esse assunto é delicado e pauta para outra matéria. Vamos falar de surf.
Meu amigo Pedro Manga, de volta a Porto Alegre (RS) depois de passar uma temporada no Hawaii, era só pilha no surf.
Dias antes de rolar um swell, ele já me ligava e dizia que estava vindo o terral e tinha período bom. Isso significa tubo.
Independente do tamanho, alguma bancada estará quebrando do jeito. Nossa missão era achar essa bancada e mostrar um pouco do potencial dos tubos do Rio Grande do Sul.
Registramos toda sessão com uma câmera GoPro.
Há pouco tempo, comecei a fazer imagens da galera de dentro d’água. E, a parceria com o Manga, era ideal para aprender e se divertir bastante.
Pegamos boas ondas em Torres, Atlântida, Xangrilá, Mariluz e Tramandaí.
Rodamos bons quilômetros. Mas, segundo Manga, no melhor mar não estávamos juntos.
Eu estava em Tramandaí para competir no circuito da associação local e ele havia ficado na praia de Xangrilá para surfar sem crowd.
Segundo ele, os tubos lá estavam incríveis, apenas amigos na água e eu no campeonato me azarando geral.
Foi tanto azar que levei uma “combination” do meu brother Peterson Marchese, recém-chegado do Hawaii.
Peterson, companheiro de equipe da Free Surf, competia em casa, fez três finais e ganhou duas nesse campeonato.
Ele já estava em alerta para acompanhar minha trip com o Manga no dia em que rolasse os tubos novamente.
Mas, perdemos a chance de fazer imagens alucinantes num dos melhores mares do ano.
Todo mundo deve saber que o litoral gaúcho – na região de Torres até quase o Uruguai – é uma faixa de areia única. Isso gera muito vento e mares ruins.
Temos uma das condições mais constantes do mundo, pena que a nossa constância é totalmente desfavorável para a prática do surf.
No final das contas, conseguimos produzir um bom material e nos divertimos bastante.
Certamente ainda não exploramos nem metade do potencial de nossas ondas, seja para produzir imagens ou apenas surfar belos tubos.
Sem falar na Ilha dos Lobos, Torres, a onda mais casca grossa do Brasil, onde o surf é proibido há alguns anos. Mas isso também é assunto para outra matéria.




















