Tetracampeã cearense profissional, a bodyboarder Patrícia Setubal fala sobre sua primeira experiência na pororoca.
Patrícia foi vice-campeã do primeiro Campeonato Brasileiro de Bodyboard na Pororoca, realizado na ilha de Marajó (PA) em fevereiro de 2012.
Na entrevista abaixo, ela ainda revela como o bodyboard entrou em sua vida, fala sobre a última temporada e dá sua opinião sobre o andamento das competições no Ceará.
Como o bodyboard entrou em sua vida?
Foi quando eu tinha 11 anos. No começo foi muito difícil para meus pais aceitarem, principalmente minha avó, por ter uma criação muita tradicional.
Ela dizia que mulher não era pra fazer coisas que os homens fazem, mas mesmo assim fui em frente e mostrei para ela que as coisas não são como ela pensava. Hoje em dia, toda a minha família me apoia e sabe o bem que o bodyboard me traz.
Como foi o ano de 2011 para você?
Foi muito produtivo. Consagrei-me tetracampeã cearense Profissional, fechei um novo co-patrocínio com a marca Transcende e cheguei firme e forte para as competições de 2012.
Na sua visão, como está o bodyboard no Nordeste?
No meu ver, está cada vez melhor. Os estados estão fortalecendo seus eventos. Hoje os atletas nordestinos podem competir etapas perto de casa e, assim conseguem recursos para viajar aos maiores eventos.
Como foi sua experiência na pororoca?
A Pororoca foi uma experiência mágica. Sentir a energia das águas doces. Estar em contato com animais que nunca vemos na praia como búfalos, jacarés, flamingos é muito legal. A Pororoca traz galhos e varias outras coisas da margem da floresta.
Um dos pilotos que levou as meninas de volta para o barco, errou o caminho e acabou a gasolina. Eu e a Marina Hartis, do Rio de Janeiro, ficamos no meio do rio Amazonas e pensei que íamos naufragar. Depois de uma hora chego o resgate e foi um alívio.
Fora isso foi tudo iluminado. Pedi licença aos seres divinos que ali estavam e a Deus pra surfar a pororoca e fui abençoada. Existem casos como da surfista profissional Lorraine Lima, que esteve quatro vezes e não conseguiu surfar a onda.
Este ano o Ceará recomeçou as atividades no bodyboard. Qual a importância da federação estar à frente dos atletas? Como você percebe esse momento da FBCE (Federação de Bodyboard do Ceará)?
Percebo que agora as coisas estão indo por um bom caminho. A pessoa que está a frente da Federação ama o esporte, sabe as dificuldades e as necessidades de cada categoria e o que realmente precisamos. A prova disso é o circuito ter um calendário fixo e isso ajuda muito. O circuito fica mais organizado e tem um retorno muito positivo.
Como atual líder do circuito, você entrar confiante ou sente mais pressão?
Acredito que sempre entro confiante, mesmo se não fosse a atual campeã. Sei do potencial de cada uma das meninas e tenho que estar sempre confiante, me reciclando e treinando forte para conseguir ganhar.
Como você analisa o ambiente das competições do Ceará?
Acredito que agora é contagem regressiva para uma nova vibe. Mais união, organização, compromisso e um bom retorno de mídia, prova disso é esta matéria.
Quer acrescentar alguma coisa?
Acho que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa, pois a vida é construída nos sonhos e concretizada no amor. Obrigado!