América do surf

Cavalos de totora: origem do surfe latino

A América Latina tem sua versão sobre o nascimento do surf e que pode levar-nos até 4000 anos antes do nascimento de Jesus Cristo.

 

As pessoas que confiam em que o surf nasceu no que hoje é o Peru, dizem que os incas, quando voltavam da pesca, aproveitavam e pegavam ondas em pé em suas artesanais embarcações, chamadas de “cavalinhos de totóra”.

 

Os cavalinhos eram uma espécie de embarcação feita de palha, com forma bastante similar a uma prancha de surf.

 

Basicamente, existem duas civilizações incas onde se acredita poderiam ter nascido os primeiros surfistas da história universal: os povos de Paracas e Virú.

 

A civilização Paracas viveu seu apogeu há exatos 4000 anos AC, numa península a cerca de uns 200 quilômetros ao sul do que é hoje a cidade de Lima, capital do Peru.

 

Era uma vida muito ligada ao mar, já que dele provinha a base alimentar. Eles pescavam usando redes – foram encontradas redes daquela época – e presume-se que utilizavam os tais cavalinhos de totóra para transportá-las.

 

Da cultura Virú, que existiu muito depois, 100 anos antes de Cristo, foram achados restos de cerâmicas com desenhos de Cavalinhos de Totóra, e outras que segundo alguns especialistas representam pessoas deitadas em posição de “remada”.

 

Não se pode de forma alguma estabelecer algo concreto e certeiro sobre a origem do surf no mundo. Podemos estabelecer teorias e tirar conclusões baseadas na evidência que temos. 

 

Mas, além de tudo, devemos considerar algumas evidências talvez mais contundentes que os restos arqueológicos: tanto a cultura Paracas quanto a Virú tinham em frente alguma das melhores ondas do mundo quebrando perfeitas e solitárias, dia após dia.

 

Em Paracas, quebra a onda hoje chamada de San Gallán, conhecida como a melhor direita do Peru – um pointbreak de tubos longos e redondos que lembra a Indonésia.

Por outro lado, a cultura Virú ficava onde hoje está situada a província de La Libertad, frente à esquerda mais longa do mundo: Chicama.

 

São enormes as probabilidades de que os habitantes de ambas civilizações tenham se deslizado há milhares de anos atrás, em alguma das duas famosas ondas.  Pensemos que dezenas deles entravam todos os dias no mar para pescar em embarcações que serviam para deslizar nas ondas perfeitas que quebravam ao seu redor. 

 

É muito provável que, ao perceber a energia das ondas, qualquer um deles tenha pensado em “surfá-las”. Talvez todos fossem surfistas, talvez todos investissem a metade do dia em pescar e a outra metade passava deslizando sobre as ondas.

 

Isto é algo que nunca vamos saber, é algo que ficou escrito nas ondas que quebravam milhares de anos atrás e nos sorrisos daquelas pessoas que provavelmente nelas deslizaram.

 

Agradecimentos especiais a Pedro Abel Vega e Adolfo Valderrama. 

 

 

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