
O ciclone extratropical Catarina causou bastante estrago na costa dos litorais gaúcho e catarinense.
O Catarina atingiu pelo menos 26 municípios do sul de Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul. Duas pessoas morreram, mais de 28 mil casas foram danificadas e mais de 600 pessoas ficaram desabrigadas. Os dados ainda são parciais.
A Defesa Civil dos Estados ainda realizam um balanço dos estragos causados pelo ciclone por causa da dificuldade de comunicação com alguns municípios atingidos. Os ventos do ciclone atingiram até 150 km/h e provocou ondas de até 5 metros em alto-mar.
O fenômeno ocasionou as mortes de Edson Lourenço Quirino, de 42 anos, que teve seu carro atingido por uma árvore na BR-101, em Santa Catarina. E Calino Teixeira Matos, de 61 anos, encontrado morto a 50 metros de sua casa, em Torres, no litoral Norte do Rio Grande do Sul, às 2h de domingo. Ainda não há informação precisa sobre a causa da morte, mas suspeita-se que ele tenha falecido por problemas cardíacos ao buscar abrigo durante o ciclone.

No litoral de Santa Catarina, equipes de resgate compostas por um navio patrulha da Marinha, uma corveta, uma aeronave do 5º esquadrão de helicópteros e uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) ainda procuram os 12 pescadores que estavam em barcos que naufragaram por causa da força das ondas.
Luciano da Silva, que estava entre os seis tripulantes da embarcação Vale 2, de Passos de Torres, naufragada próximo ao Farol de Santa Marta, em Laguna, foi resgatado do mar ontem à tarde. Os outros cinco tripulantes do Vale 2 e os sete tripulantes do Antônio Venâncio, que também desapareceu próximo ao Farol de Santa Marta, estão desaparecidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ontem medidas rápidas para ajudar a população de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
De acordo com o jornal O Globo, o governo entregará remédios e cestas básicas aos Estados amanhã. As populações atingidas nos Estados catarinense e gaúcho vão começar a segunda-feira tratando de consertar os estragos causados pelo ciclone.
Em Santa Catarina, 23 municípios foram afetados pelos ventos fortes, 20 mil residências estão danificadas e 500 foram totalmente destruídas. A Defesa Civil ainda não sabe precisar o número de desabrigados, mas calcula que mais de mil pessoas estão desalojadas. Trezentas e oitenta pessoas se cadastraram no órgão catarinense para receber telhas para reconstrução das casas. A Assembléia Legislativa recebe donativos para os desabrigados.

O prefeito de São João do Sul decretou estado de calamidade pública. O município é um dos mais devastados pelo ciclone. A cidade está sem água, telefone e alimentos. Em Araranguá, a energia foi normalizada nesta segunda-feira.
A Região Sul catarinense continua parcialmente sem energia elétrica e água nesta manhã. Não há previsão do restabelecimento da energia e do abastecimento de água.
O prefeito da cidade gaúcha de Torres, José Batista Milanez, decretou situação de emergência no município, no litoral Norte do Rio Grande do Sul, divisa com Santa Catarina. Mil casas foram destelhadas na cidade e em municípios próximos como Rondinha e Arroio do Sal. A energia elétrica já foi restabelecida na região.
Por enquanto, chega a 150 o número de desabrigados em Torres, mas a Defesa Civil ainda não tem dados totais. Quatrocentas famílias que tiveram suas casas destruídas se cadastraram na Prefeitura para receber ajuda, como material de construção.
A Defesa Civil e a Prefeitura, com auxílio do governo estadual, já providenciaram comida, colchões e cobertores para os mais de 300 desabrigados que estão alojados em uma escola pública do município. O Gabinete da Primeira-Dama do Estado, Claudia Rigotto, em Porto Alegre, e o Corpo de Bombeiros e os Salva-Vidas de Torres estão recebendo donativos para os desabrigados.