A bodyboarder carioca Karla Costa Taylor é o exemplo da atleta brasileira. Com viagens em mais de 16 picos, ela exibe performances convincentes na hora de vencer as adversárias.
De bem com a vida, Karla sempre foi otimista com ela mesmo. Procurava sempre corrigir os mínimos erros e com isso, consagrou-se vencedora do Mundial de 99, ISA Games além do Pipeline entre outros.
Seu último título de campeã foi no concorrido circuito realizado no México. Mas uma vez, Karla provou que persistência é tudo na hora de vencer em poucos segundos.
Na entrevista abaixo, a bodyboarder abre o jogo e fala um pouco sobre a vida, preferências, viagens e carreira.
Como onde e por que você começou com o bodyboard?
Sempre fui muito ligada nos esportes. Minha mãe começou e incentivou a mim e meu irmão. Desde então fomos juntos treinar todos os dias depois da escola.
Quais são suas manobras preferidas e por quê? Quais pretende aperfeiçoar?
Gosto de manobras radicais e de ver homens surfando e tentar fazer igual mas com uma graça feminina. Quero mandar um 720º. Não sei se vou conseguir, mas sei que tenho a posição boa de um invertido. Se pintar a junção certa eu tento, mas até agora não consegui passar de uma rotação. Além disso, sempre aprimoro manobras fortes em ondas mais pesadas.
Qual a importância do estilo para você?
Eu sempre fui muito crítica comigo mesmo, sempre filmei, fotografei e gostava de corrigir meus erros. Detalhes as vezes que pareciam ridículos, mas no final faziam a diferença. Atitude e estilo são sempre o balanço certo.
Quais viagens já fez na carreira?
USA, Hawaii desde de 94, África do Sul, Austrália, México, Costa Rica, Ilhas Canárias, Ilhas Reunião, Tahiti, França, Portugal, Guadalupe, Indonésia, Sumatra e Japão.
Fale sobre suas principais conquistas no esporte.
Todas as vitórias e derrotas foram importantes. Meus títulos de amador e profissional tiveram importância. Como atleta é difícil manter o estímulo de competir e vencer. O Mundial de 1999, os títulos de vice-campeã (1999, 2000 e 2002) e o ISA Games foram títulos no meu ápice. Agora, ter vencido Pipeline depois de 10 anos e vencer em Zicatela, foi surpreendente.
Como está o nível do esporte no Hawaii e como você analisa o esporte no Brasil?
O Hawaii tem um alto nível de surf. Todo ano, os melhores atletas são vistos e isto me motiva. Os irmãos Hubb são incríveis. A nova geração também exibe potencial. No Brasil, temos atletas com garra como a Jessica e Isabela, que fazem parte da nova geração que veio para vencer. O esporte no Brasil tem futuro. É só acreditar e trabalhar muito.
Se você pudesse mudar algo no esporte, o que você mudaria?
Neste momento eu não mudaria nada, pois eu vivo um momento de muita gratidão. Eu vejo talentos e atletas que surfam muito, pessoas incríveis. É claro que algumas coisas podem ser consertadas.
Comente esta recente vitória na etapa do México.
Um sonho realizado. As ondas boas que sempre quis pegar, eu peguei. As meninas estavam em um alto astral, todos os competidores estavam alegres, quase que sem acreditar neste evento, um sonho mesmo.
Todas as meninas estão de parabéns. Surfaram em condições clássicas, com classe e atitude. O que eu não esperava era o carinho e apoio dos locais, foi incrível. Foi a primeira vez que realizaram um evento de nível para o bodyboard.
E na final a bateria foi super disputada, eu sentia que perdia, mas nos minutos finais eu vi uma série perfeita e o locutor dizia que faltavam 20 segundos. Eu não sabia se ia dar tempo, remei pra onda e fui nela, sem hesitar. Ela era tão perfeita que subi no lip tão limpo que arrisquei o ARS, voltei limpo e tirei um 10. Eu só ouvia a gritaria na praia e ali sabia que tinha vencido.
Fonte Bodyboardpress