Carioca desenferruja em Nova Iorque

O carioca César “Ferrugem” Baltazar, 39 anos, teve um papel importante na história do surfe brasileiro na década de 80. Em 1984 ele morou um ano na Califórnia, onde surfava com patrocínio da tradicional marca de pranchas Gordon & Smith.

 

Ao retornar para o Brasil, escancarou as portas ao fazer uma final épica contra Picuruta Salazar no Op Pro da Joaquina, em 86.

 

A partir daí, passou a ser figura regular nos pódios e revistas de surfe, tendo sido campeão carioca na OSP (Organização dos Surfistas Profissionais) em 87 e top 16 do circuito brasileiro.

 

Porém, com o passar dos anos, as inúmeras dificuldades de adaptação ao mercado de trabalho brasileiro levaram Ferrugem a tentar a sorte nos EUA, há cinco anos, mais especificamente para a cidade de Nova York, que não possui praticamente nenhuma relação com o surfe.

 

“Eu sabia muito pouco sobre o surfe de lá”, lembra. Mas, aos poucos o carioca foi se informando e acabou descobrindo um litoral repleto de opções de boas ondas, o que lhe possibilitou manter o surfe no pé.

 

“A costa de Nova York é muito parecida com o Brasil quanto aos padrões de swell. O litoral recebe ondulações tanto de sul como de leste e os fundos são de areia. Existe um quebra-mar chamado Rockaway onde surfo com maior freqüência. Esse pico comporta ondulação de ambas as direções. Além dele, ao norte existem vários outros picos formados por construções artificiais, feitas para evitar que o mar invada a costa”, revela Ferrugem.

 

Além disso, a partir do final de agosto até o final de novembro rola a temporada de furacões nessa região dos EUA, o que garante um surfe mais consistente e com ondas que podem chegar aos 2 metros plus em picos que normalmente nem quebram ou não passam de meio metro.

 

Neste ano o furacão Isabel foi responsável por swells de qualidade em locais como New England e Nova Jersey, na costa leste.

 

“A água no inverno é muito fria. Porém, à medida que o verão se aproxima ela vai esquentando. Quando a primavera se aproxima eu começo a surfar com uma roupa de 5 mm, gorro, luva e botas. Com a chegada da primavera e a aproximação do verão já dá para surfar com um long john de 3 mm. No auge do verão já dá para cair de short john ou mesmo colete”, comenta o carioca, que classifica como ‘coisa de maluco’ surfar no inverno nova-iorquino, até porque existem excelentes pistas de snowboard a apenas uma hora de Nova York.

 

“No auge do inverno rola snowboard direto com condições excelentes, e posso dizer que me satisfaz plenamente a fissura de surfe nessa época”, diz Ferrugem.

 

Ele não duvida que a feliz descoberta das possibilidades de surfe e snowboard ao longo do ano em Nova York teve um papel importante para facilitar sua adaptação e diminuir as saudades da ‘terrinha’ e da família que ficou para trás. Seus dois filhos já foram visitá-lo duas vezes e já inclusive surfaram com ele lá.

 

“O surfe está vivendo um verdadeiro boom aqui em Nova York, com muitas mulheres aprendendo a surfar”, relata Ferrugem. “Recentemente foi inaugurada uma loja da Quiksilver na 42 Av. no Times Square, com um telão enorme passando imagens de surfe na calçada. A galera aqui curte muito o longboard e tem um estilo meio ‘old fashion’, bem clássico. No verão, a TV cobre direto as ondas com vários canais informando as condições do mar e as notícias do surfe”, conta.

 

O surfe radical e dinâmico de Ferrugem o ajudou a rapidamente se destacar no crowd ganhando o respeito dos surfistas novaiorquinos.

 

“Posso dizer que me sinto como um local em Rockaway, onde sou bem recebido e respeitado dentro d’água”, comenta o brazuca, que ganha a vida na América como um bem sucedido sushiman.

 

No site local Guerrillaguru.com é possível conferir várias imagens suas surfando, além de vídeos das ondas e surfistas locais. Que tal considerar a possibilidade de levar sua prancha na sua próxima viagem a Nova York?

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.