Arbitragem no Mundial

Cada um no seu quadrado

Kelly Slater, campeão incontestável do World Tour 2009. Foto: Aleko Stergiou.

Ano novo, vida nova e infelizmente o raciocínio de alguns continua amarrado no passado, passado que deveria estar bem distante do foco de quem deseja vitórias, títulos e glórias, mas insiste em alimentar pensamentos e declarações que agem exatamente ao contrário, no sentido de achar um responsável para o fracasso, ou seja, antes mesmo de uma possível derrota a desculpa já esta pronta.

É impressionante como se insiste ainda hoje numa teoria furada de favorecimentos ou privilégios quando se fala de julgamento no surf, isso simplesmente não existe.

É tolerável, sim, ver torcedores apaixonados, assim como no futebol ou qualquer outro esporte acharem que seu time, seleção ou atleta representante nacional foi desvalorizado ou mal avaliado.

Ainda assim, até alguns dos mais fanáticos dos torcedores têm conseguido entender que não é juiz quem decide, mas sim a performance do atleta. Juiz simplesmente avalia e dá a nota.

O que realmente não dá, ainda mais depois de um ano lamentável para o Brasil no circuito mundial, tanto no World Tour quanto no WQS, é continuar escutando e lendo em entrevistas de atletas, treinadores e empresários que o surfista brasileiro é discriminado na hora de receber suas notas.

Este tipo de postura, sim, pode arranhar e muito a imagem de quem pretende o status de campeão mundial e assumir toda a responsabilidade que tal título carrega.

O trabalho de julgamento ou arbitragem no surf nunca recebeu tanta atenção e investimento dentro do circuito mundial quanto nos últimos anos, tudo isso visando uma qualidade maior no que diz respeito à precisão do exercício de uma função tão vulnerável à parcialidade e ao subjetivismo.

Não dá mais para simplesmente não investir ou quando se tem investimento desperdiçá-lo para depois ficar caçando as bruxas.

É hora de reformulação, como a Austrália fez, e como outros países vêm fazendo e não por outra razão começam a despontar brilhantemente desde as categorias de base como os pro juniors, por exemplo, os quais vêm mostrando novos talentos de países que nunca tiveram representatividade expressiva no circuito mundial, como Indonésia e Tahiti, apesar de serem referência no que diz respeito à qualidade de onda.

Sem uma reestruturação do esporte, sem se deixar de lado as panelinhas, sem se reavaliar a administração do surf no Brasil, vamos continuar batendo na trave, por anos e anos a fio, como aconteceu em 2008, tudo no quase, tudo meio que por acaso.

Mas o resultado está aí, não se planejou, não se investiu, não se focou, e agora vemos essa enxurrada de atletas com potencial para estar na elite sem seus respectivos patrocínios, até porque se engana quem pensa que só resultado é que representa retorno para o investidor especialmente o estrangeiro, a imagem  do atleta como referência para o consumidor de um produto às vezes diz muito mais do que um pódio. E agora vão culpar quem? A crise e recessão econômica global, sei!

Como já disse antes, julgamento no surf é profissional e tem que ser. Quantos ex-jogadores de futebol, rugby, tênis ou qualquer outro esporte que seja tornam-se árbitros depois que se aposentam das competições?

Não que o ex-atleta profissional, no caso do surf, não possa se tornar árbitro. O que não dá é para simplesmente isso ser considerado como fundamental, e não se validar a criação de uma outra função profissional dentro do esporte, com qualificação, treinamento, avaliação e remuneração adequada. Do contrário, o entendimento sobre esta questão vai continuar a ser marginal, ou pouco específica.

A nova geração do surf nacional já deu a cara faz tempo, e mostra sinais claros de entendimento do caminho a se seguir. Basta simplesmente cada um ocupar o seu respectivo quadrado e contribuir de verdade para o crescimento do esporte, com investimento, qualificação e profissionalismo, e bem menos vaidade!

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