
O havaiano Pete Cabrinha, 43 anos, foi o campeão do XXL Big Wave Awards 2004 com uma esquerda em Jaws estimada em 70 pés, batendo o recorde do brasileiro Carlos Burle, que em 2002 havia encarado uma onda de 68 pés em Mavericks.
Durante um bate comigo em Maui, Cabrinha confessou não sentir-se favorito para faturar a bolada destinada ao dono da maior onda da temporada.
‘Honestamente não sei se vou ganhar o prêmio, afinal muitas pessoas surfaram ondas gigantes naquele dia (10 de janeiro de 2004). Só sei que surfei uma onda muito grande e que não pegava uma dessas há alguns anos”, contou Pete.
“De qualquer maneira, fiquei amarradão por surfá-la, independente de qualquer prêmio. Tinha pedido uma onda de aquecimento para meu parceiro Rush Rundle e a primeira onda que apareceu foi essa esquerda. Minha prancha era nova e eu não sabia como ela iria responder, mas no meio do drop acabei relaxando, pois senti que ela era boa”, revelou o havaiano, que levou US$ 70 mil pela vitória no XXL Big Wave Awards.

Pete faz parte da equipe de tow-in ”Straped Team”, onde Laird Hamilton, Dave Kalama, Brett Lickle, Rush Randle e Darrick Dorner são seus parceiros. Essa galera entende tudo de Jaws, e com certeza a experiência de Cabrinha e seu parceiro Rush no pico os ajudaram a pegar a maior onda do dia.
O fotógrafo Erik Aeder levou um cheque de US$ 5 mil por ter congelado a foto campeã. Em resumo, o prêmio ficou com os locais de Maui, pois tanto Pete como o fotógrafo Erik são radicados na ilha e precursores do tow-in e de fotos no pico.
Agora, com o cheque de US$ 70 mil (mil dólares por cada pé da onda surfada) Cabrinha deve promover uma grande festa com seu parceiro Rush Randle, afinal o prêmio deve ser rachado. “Com certeza meu parceiro levará a metade se eu ganhar. No tow-in, você deve confiar 100% no seu parceiro, e nao é à tôa que Rush está comigo”, prometeu Pete.
A título de curiosidade, de todos os quatro nomeados para o prêmio na noite passada, Pete é o que tem a situação financeira mais estável, pois é sócio da Cabrinha Kites, uma das maiores empresas de fabricação de materiais de kitesurf no planeta.

O mesmo não acontece com o guerreiro brazuca Danilo Couto – que trabalha arduamente para pegar as morras no Hawaii, onde mora com sua esposa – Ian Walsh, surfista profissional patrocinado pela Billabong – Archie Kalepa, salva-vidas em Maui – e até o californiano Greg Long, único nomeado em duas categorias, levando o prêmio Jay Moriarity pela melhor performance geral e recebendo US$ 5 mil pela vitória.
Tanto Danilo como Ian humildemente haviam me dito que comprariam um terreno com a grana da premiação caso levassem o título do XXL, problema não enfrentado por Pete, que já tem a sua casa.
Na categoria remada, o norte-americano Zach Wormhoudt levou US$ 5mil por uma onda surfada em Mavericks no dia 17 de dezembro. O brasileiro radicado nos EUA, Alex Martins, donod de uma bomba surfada no mesmo dia e local, teve que se contentar entre os quatro primeiros colocados.
O prêmio de maior tubo do ano foi para o tahitiano Malik Joyeaux surfado no quintal de casa em Teahupoo em abril passado. O fotógrafo Sean David levou US$ 1mil por ter registrado a façanha.
Campeões do Billabong XXL 2004
Big Wave Awards
Pete Cabrinha (Haw) – US$ 70 mil. Foto: Erik Aeder – US$ 5 mil.
Melhor tubo
Malik Joyeaux (Tah) – US$ 5 mil. Foto: Sean Davey – US$ 1 mil.
Maior onda na remada
Zack Wormhoudt (EUA) – US$ 5 mil. Foto: Frank Quirarte – US$ 1 mil.
Prêmio Jay Moriarity de performance geral
Greg Long (EUA) – US$ 5 mil