
Engana-se quem achava que os gringos dominaram o outside de Jaws no último grande swell que atingiu o pico, nos últimos dias 25 e 26 de novembro.
A dupla de big riders João Maurício Jabour e Everaldo “Pato” Teixeira também marcou presença, acompanhada do cinegrafista Bruno Lemos, que registrou toda a ação.
Conforme matéria publicada no Waves dois dias depois, o swell trouxe ondas de até 35 pés, um dos maiores swells já registrados no pico. Depois de pegar o maior swell de todos os tempos em Todos os Santos, México, em 8 de novembro, a dupla seguiu para Jaws.
Confira toda a ação e inclusive o acidente sofrido por Pato, na história contada e gentilmente enviada por João Maurício.
“Pato estava chegando no Hawaii no dia 25 de novembro, e eu já estava lá, esperando e sabendo da chegada do swell. Preparei os equipamentos e fui buscar o Pato já com as reservas para o vôo para Maui. Por coincidência encontramos os brasileiros Carlos Burle, Eraldo Gueiros e Sylvio Mancusi, também a caminho do pico.
Em Maui, já havíamos entrado em contato com um amigo local, e ele estaria nos esperando no aeroporto com nosso jet-ski na carreta, partindo direto para o final de tarde. Ao chegar no pico, o cenário era espetacular, com ondas de 20 a 25 pés havaianos.
O mar estava alucinante, super clean, com bombas perfeitas entrando cada vez maiores. No outside já estavam Laird Hamilton e Dave Kalama, juntamente com o time da Billabong Odyssey, filmando tudo o que rolava para o filme da expedição.
No início comecei puxando o Pato para as esquerdas, que estavam animais. Na seqüência ele me puxou para as direitas, onde peguei duas ondas lindas com direito a um tubo azul e enorme. Todos no pico elogiaram nossa performance.
No dia seguinte a previsão era de ondas ainda maiores, e não deu outra. Começamos a sessão às 7:30 horas da manhã e mais uma vez Pato quebrou as esquerdas. Puxei ele em umas oito ondas, e na seqüência ele me colocou em altas direitas.
Nossa parceria estava perfeita. Depois dessa sessão fui descansar no canal enquanto Pato puxava o Rodrigo Resende em algumas ondas, pois este estava sem jet-ski. Depois voltei para puxar o Pato novamente. Aí, em uma daquelas esquerdas animais, ele dropou até a base e virou procurando o tubo, que não rodou.
Então teve que mergulhar para tentar sair por trás da onda, que o puxou de volta com o lip “over the falls” e o fez cair em pé na base da onda, que nessas condições se transforma num concreto, devido ao grande volume de água.
Fiz o resgate imediatamente após o caldo e ele logo me disse: “Ferrei o joelho”. Arrumamos gelo, mas a lesão foi bem grave, e infelizmente encerramos nossa sessão e fomos direto para o hospital. Ao chegar lá ficamos mofando durante três horas e nada de atendimento, nem parecia que estávamos na América.
Não deram nem um remédio para dor pro Pato, que estava morrendo de dor. Por sorte eu tinha um analgésico em minha maleta de primeiros-socorros, e foi o que o ajudou até o médico chegar. Depois de tirar apenas um raio-x constataram que nada estava quebrado, mas havia uma séria lesão nos ligamentos.
Dali, Pato voltou direto para Oahu, onde ficou por quatro dias e partiu com sua esposa para o Brasil, para uma provável operação no joelho. Que bom que existe uma solução. Estaremos torcendo pela recuperação do Pato, que com determinação e força de vontade logo estará de volta ao surf.
Aloha!”