América Central

Brazucas invadem El Salvador

Guima explora todo potencial das direitas de Punta Rocas, El Salvador. Foto: Marcelo Vasconcellos.

Convidado para desbravar mais um pico na América Central não pensei duas vezes. El Salvador, país que não conhecia foi a pedida e, a certeza de swell me pilhou ainda mais.

 

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Minha única dúvida era a situação do país que tem um histórico violento de guerrilhas e falta de segurança. Temi por meus equipamentos, mas logo lembrei da Nicarágua, país com um passado parecido, onde havia sido muito bem recebido. Pronto, a barca estava fechada.

 

Às 6 da manhã estava de partida com mais dois amigos. Um vôo de quatro horas e já estávamos em Lima, Peru. Uma pequena escala, mais três horas e meia e já estávamos no destino passando pela imigração.

 

Papa, surfista salvadorenho e nosso guia durante a trip, nos esperava no aeroporto. A primeira pergunta foi: ainda dá tempo para o surf?

 

A reposta foi positiva e 40 minutos mais tarde estávamos hospedados no Tortuga Surf Lodge, na cara do gol. De nosso quarto víamos a direita de Sunzal, espumando mais cinco minutos estávamos no line-up a espera da primeira série.

 

O fim de tarde estava alucinante com um pôr-do-sol de tirar o chapéu. O Guima em ótima forma parecia um louco pegando uma atrás da outra, exibindo um surf bem definido com arcos abertos.

 

Vavá parecia um menino de férias em Itanhaém (SP), não parava de remar. Queria ir em todas. Mal chegava no outside e já pegava a primeira que vinha. O mar estava com 4 pés de onda muito fácil. As séries bombavam sem parar, sinal de que o swell estava realmente chegando.

 

Fechamos o dia brindado com uma cervejinha na piscina e descobrimos que El Salvador tem a melhor cerveja do mundo, pelo menos é o que pensávamos naquele momento.

 

Na manhã seguinte fomos para a famosa La Punta, mais conhecida como La Libertad, uma direita muito extensa que quebra em uma bancada de pedras, coisa de louco.

 

Na chegada vimos o line-up com uma série quebrando perfeita para deixar qualquer um de boca aberta e as ondas não paravam de quebrar, parecia um desenho animado com sessão de tubos e manobras.

 

Nos quatro dias seguintes as ondas não pararam de subir. O crowd era tranqüilo e o respeito imperava na água.

 

O povo salvadorenho é muito carente. Pranchas, cordinhas, parafina são objetos de desejo, e foi fácil perceber isto, pois tivemos a feliz companhia do surfista local de 15 anos, Porfírio Miranda, filho do segurança do hotel, que ficou amarradão com os presentes que ganhou da galera.

 

Ele nos acompanhou por todos os dias e mostrou que o surf em El Salvador estará bem representado no futuro. Moleque esforçado, foi triste ver a prancha que ele surfa, uma 5?11 que pesa a mesma coisa que um longboard.

 

Roberto, dono do hotel, conhece todos os picos de El Salvador. O país tem uma costa repleta de ondas de qualidade, água quente e boa comida.

 

Depois de quatro dias com ondas de até 6 pés perfeito, dava para comparar facilmente a J-Bay. Sem falar das outras ondas que rolam neste país. Mas isso é assunto para outro capítulo.

 

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