Depois de uma ondulação muito clássica em Teahupoo de Sul / Sudoeste, na primeira semana de junho, que alcançou os 4 metros, outra ondulação era prevista para a semana seguinte, possivelmente maior.
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Ela entrou, porém com muita influência de Oeste. Era minha quarta viagem ao Tahiti, e ainda não havia surfado nessas condições. Foi um mar muito pesado e difícil, com vento lateral e períodos de chuva.
Com isso as condições se tornavam mais adversas ainda. Principalmente, porque a maioria das ondas não permitia a saída normal por cima na sessão final, fechando com muita força sobre a rasa bancada de coral.
O mar amanheceu com cerca de 8 pés e ondas que chegavam aos 12 pés facilmente, talvez algumas de 15. Apenas bodyboarders remavam nesse dia, entre eles Paulo Barcellos, que acabava de chegar do Chile, Dudu Pedra, Tiago Becker e eu. Umas quatro ou cinco duplas faziam tow-in, nas bombas de Oeste.
As ondas estavam muito grossas nesse dia, fiquei apreensivo ao chegar ao outside. Paulo já estava na água, e pegava um tubo atrás do outro. Tiago Becker também já estava lá, mas logo que cheguei foi jogado na lagoa, e teve que dar a volta para voltar, numa onda bem grande que não conseguiu completar.
Em minha primeira onda, também não dei sorte. Dropei muito fundo e acabei ficando um pouco atrasado, quando cheguei à base olhei para frente e vi que seria difícil passar a onda toda, mas só restava colocar para dentro e acelerar. O spray passou com força por mim, mas mesmo assim não foi possível passar a sessão de Oeste.
Uma das piores vacas da minha vida. Ao final já sem forças no canal, ainda tive que furar uma última bomba, para não voltar pro recife, completamente sem força. Por sorte tudo deu certo, e pude ver Paulo Barcellos vindo num tubo gigante e muito perfeito.
Descansei um pouco e decidir voltar. Logo veio uma boa, um pouco menor talvez, não tenho registro dela, era muito buraco, foi um drop no limite. Segurei um pouco reto ao aterrissar, esperando o momento certo para cavar, com o tubo já rodando por cima, virei lá dentro já e sai num spray gigante, mas ao tentar sair da onda, fui sugado de volta. Por sorte não veio onda atrás e consegui voltar.
Nesse momento, Simon Thornton, consagrado bodyboarder australiano radicado no pico, dropou uma gigante muito atrás, veio acelerando, mas foi engolido pela bola de espuma e saiu da água cuspindo sangue.
Depois de pegar uma onda não muito boa, veio uma absurda, da série, bem no meio da bancada, onde gosto de ficar no limite entre a bancada de Oeste e a de Sul. Ela geralmente entra animal ali. Respirei fundo e comecei a remar, estava esperando por ela há um bom tempo, a onda foi me segurando no lip, vi que iria despencar animal.
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Foi insano, mas sabia que precisava completar. Vacar no drop ali seria muito perigoso. Bati na água e segurei o drop, fiz a cavada já bem atrasado e vi uma placa gigante jogando, a sensação foi de missão cumprida.
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Geralmente depois de cavar numa onda dessas é segurar e correr para o abraço. Mas nessa foi diferente, a explosão do lip foi muito forte e logo ela me alcançou empurrando a rabeta da prancha para cima. Foi impossível segurar, e no final do tubo rodei com a onda. A onda arrancou o copinho da minha prancha que sumiu para sempre.
Ainda tentei encontrá-la, peguei um bodyboard emprestado com o vídeomaker Gustavo Camarão, remei pela lagoa, mas foi impossível. Lembrando das ondas mais insanas surfadas, destaques para o tubão de Paulo Barcellos logo em seguida da minha primeira onda, uma onda gigante do Dudu que não vi, porque tinha perdido minha prancha, mas as fotos mostram que foi uma onda descomunal e outra excelente onda surfada pelo Tiago, que também não presenciei, mas as imagens confirmam.
À tarde, voltamos na fissura, PB, Dudu e eu, o Camarão também entrou para fazer umas imagens. Mas infelizmente não tinha mais prancha e tentei a sorte com uma prancha muito pequena emprestada. A fissura era muito grande, pois as condições estavam épicas. Outra bomba veio, mas foi impossível completá-la.
Dudu surfou outro excelente tubo nesse final de tarde. Nessa última onda, fiquei muito atrasado no drop, mas consegui ainda cavar, o tubo foi animal, uma placa muito grande caiu, as montanhas ao fundo, no canal via o Camarão e o Paulo Barcellos.
O tubo foi enorme, mas não deu tempo para sair, fui esmagado dentro dela. Já não havia mais ninguém, era final de tarde e o mar continuava subindo.
Fiquei muito tempo sendo arrastado embaixo da água, apenas protegendo minha cabeça. A força com que a onda me empurrava era enorme, tudo escuro lá embaixo, ela não queria me soltar.
Quando subi, outra quebrou muito perto, mais uma vez muito tempo embaixo da água, esperava ser empurrado para a lagoa. Mas ela só me empurrava em direção à direita que fecha no canal, e na terceira tive ainda que remar para não tomar e furá-la.
Depois fiquei pensando na insanidade que havia cometido, ir surfar um mar tão animal, com uma prancha tão inadequada, mas realmente a fissura nesse dia falou mais alto. Não tinha como não cair.
No outro dia as ondas ficaram ainda maiores e se não fosse o vento maral forte, teria sido um dia épico em Teahupoo, com ondas passando fácilmente os 6 metros. Rolaram ondas no beach break em frente às casas, onde crianças e a galera mais fissurada se divertem em ondas de até 1 metro perfeitas. Enquanto ondas enormes explodiam nos recifes com muito vento maral e chuva.

