Brazucas deliram em J-Bay

Aproveitando a passagem do circuito mundial pela África do Sul, alguns dos principais nomes da nova geração brasileira anteciparam a viagem para treinar em Jeffreys Bay, uma das ondas mais perfeitas do mundo e palco da próxima etapa do WCT nesta semana.

 

Localizada a quase duas horas de carro ao sul de Port Elizabeth, a pequena e pacata cidade abriga uma das direitas mais longas e famosas do planeta.

 

Suas sessões rápidas com tubos e uma parede interminável para treinar qualquer tipo de manobra atraem a atenção de surfistas do mundo todo.

 

Fui convidado pela Rusty para acompanhar Leandro Bastos e Willian Cardoso nesta viagem, para gravar imagens para um futuro projeto da marca. Além deles, se juntaram à trip Junior Faria, Marcos Pastro, Robson Santos, Marcelo Trekinho e o fotógrafo Thiago Navas.

 

Para chegar em J-Bay é preciso desembarcar em Johanesburgo, pegar uma conexão até Port Elizabeth e um táxi ou van até a cidade de Jeffreys Bay. Logo na chegada na cidade o primeiro problema: não tínhamos acomodação reservada e com a data do WCT chegando estava tudo lotado.

 

Depois de procurar pela cidade conseguimos que nos liberassem um chalé que é usado como base da imprensa do WCT. Tiramos a sorte grande, o chalé é de frente pro pico
e todos os quartos tinham vista para a onda. Era acordar olhar pela janela e sorrir.

 

No primeiro dia da trip as ondas estavam mexidas e irregulares, mesmo assim a galera foi pra água e tirou a ferrugem da longa viagem que enfrentamos para chegar naquele paraíso. Ao acordar no segundo dia uma decepção: o mar estava horrível, pequeno e com vento forte maral. Dia de descanso.

 

A partir do terceiro dia as coisas foram melhorando e tivemos ondas lisas com vento terral, boas para manobras e, ainda que com o tempo nublado e alguma chuva, conseguimos fazer algumas imagens.

 

Depois disso foi um dia melhor que o outro. Sol, altas ondas com vento terral e até alguns tubos fizeram a cabeça da molecada que disputava as ondas com os locais, na maioria surfistas mais velhos, experientes naquela onda, o que tornava a vida dos brazucas mais difícil entre as séries.

 

Confesso que fiquei muito surpreso com o surf apresentado pelos surfistas brasileiros. Junior Faria estava na sua segunda temporada e aproveitou para testar todas as suas pranchas, inclusive uma fish monoquilha em que ele deslizava pelas ondas com um estilo impecável.

 

Leandrinho e Willian estavam lá pela primeira vez, mas mostraram muito apetite e destruíram as ondas. Pastro também era novato no pico e achou bons tubos na rasa bancada de supertubes.

 

Marcelo Trekinho estava na quinta temporada e era o mais experiente da trip. Caía sempre na melhor hora, preocupado em fazer um surf de linha e impressionou pelo estilo e leitura de onda.

 

Outro novato da barca era Robson Santos, o único gooffie da trip. J-Bay é uma onda difícil pra quem surfa de backside, pois é rápida e o tubo não é tão largo, dificultando muito pra quem surfa de costas pra onda.

 

Foi uma semana de muito surf e muito frio, e de noite ficávamos todos de frente para a lareira acesa jogando videogame só esperando para o próximo dia no paraíso.

 

Nos dois últimos dias Heitor Pereira se juntou com a galera e fomos todos juntos para Durban, palco da etapa 6 estrelas do WQS, onde a molecada iria colocar em prática tudo o que treinou nas direitas de J-Bay.

 

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