
A idéia de lançar uma revista surgiu em 74 com Flávio Dias e Alberto Pecegueiro, ambos com 17 anos na época.
Papo de praia vai, papo de colégio vem, Juvêncio, pai de Flávio, tinha uma gráfica e era o assessor técnico perfeito para tornar viável o sonho deles.
Alberto era leitor assíduo da revista norte-americana Surfer, a “bíblia” do surf daqueles tempos.
Cheio de idéias, Alberto assumiu a parte editorial da BS, Flávio entrou como empreendedor e tornou o ousado projeto em realidade.

Surgiu então o nome e a revista Brasil Surf, que além de ter sido a primeira revista brasileira de surf, foi também o primeiro veículo jovem de comunicação no país.
Isso numa época de ditadura militar, em que qualquer coisa fora dos padrões era visto com desconfiança, coisa de comunista.
O surfista era tido como vagabundo de praia, matão de aula, meio pixado, e a revista veio a apoiar vários eventos e empreendimentos como campeonatos, fábricas de pranchas, pequenas confecções, que ajudaram a mudar essa imagem .
Em março de 1975 chegou às bancas a número 1 por CR$ 10, equivalente a US$ 1,30, com 32 páginas, grande maioria em preto e branco, com tiragem de 10 mil exemplares que se esgotou rapidamente, sendo necessária uma segunda fornada. Daí em diante foram vários capítulos da história do surf até janeiro de 1979.
Naquela época, Rico de Souza era um dos melhores surfistas, com mais experiência internacional e visão de patrocínio / profissionalismo.
Na edição número 1 ele falava das ondas do Posto 5 (Copacabana) e Píer (Ipanema), que tinham acabado deixando saudades.
Na revista foram citados grandes surfistas internacionais, como Gerry Lopez, Jeff Hackman, Barry Kanaiapuni , bem como brasileiros alguns ainda atuantes como Maraca, Mudinho, Otávio Pacheco, Ricardo Bocão.
Na época, Rico de Souza dizia que para ele, o surf “antes de tudo, é tudo”.
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Nessa matéria com o Rico, ele também conta como foi o campeonato Magno, que ele ganhou com Helmo em segundo, e já de cara deu um retorno para o seu patrocinador, a própria loja Magno, então praticamente a única do Rio.
A seção Visual tinha 11 páginas só de fotos de surf. Ao contrário das revistas de hoje, só eram publicadas fotos do Brasil. Atualmente, quem lê as revistas parece que o Brasil é um pais de surfistas sem praia, só pinta onda estrangeira.
O Píer foi o maior homenageado, seguido de Saquarema, a ?Meca” dos surfistas cariocas.

A BS surgiu numa época de descobrimentos e alguns picos como Fernando de Noronha ainda não tinham sido surfados e outros eram bem recentes como Guarda, Silveira, Matinhos e outros do Sul e Nordeste.
Por outro lado, tinham sido extintas as ondas na praia de Copacabana e no Píer de Ipanema. Também acabaram, parcialmente, as ondas da praia do Porto, em Imbituba, Santa Catarian, então a grande estrela do surf nacional.
Publicaram fotos nesta edição histórica os profissionais Fred Koester, Mucio Scorzelli, Rogeri Erhlich e Fedoca.
Para compeltar a edição, “Um shaper às suas ordens” exibiu o shaper Tony, que contava sua experiência aqui no Brasil e também falava da relação dele com os maiores fabricantes de pranchas da Califórnia, como Dick Brewer, entre outros
A tradição de incluir fotos de gatas nas matérias de surf também foi iniciada pela BS, com algumas das gatinhas que faziam a delícia da galera , com destaque para o mini-biquini da Fernanda e à Monique Evans.
Outra matéria de destaque na primeira edição foi sobre o grande surfista Kadinho, amarradão em skate.
Depois de viajar para a Califórnia, de onde trouxe equipamentos modernos, ele montou a RK, que durante muito tempo mandou no mercado de skates.
Esse esporte era muito ligado ao surf, até mesmo no estilo. Tanto que em um campeonato, Kadinho conta que a premiação era uma prancha de surf.
Naquele tempo, Rico, Kadinho e Victor Vasconcellos podiam ser encontrados botando pra baixo nas ladeiras da Prainha.
A revista também anunciava a realização do primeiro campeonato de Saquarema, divulgando a lista dos convidados, regras, datas, premiações, locais de inscrição (CR$ 50, equivalente a U$ 7!!!).
A grande maioria dos anúnciantes era de fabricantes de pranchas. E, na contra-capa, um anúncio comemorava os 10 anos da Rede Globo com o programa Esporte Espetacular exibindo uma foto do Mudinho.
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