
Depois do anúncio de que a praia da Macumba, no Rio de Janeiro, pode abrigar o primeiro fundo artificial do Brasil para a formação de ondas perfeitas, agora é a vez da praia de Boiçucanga, litoral norte de São Paulo, manifestar interesse na tecnologia.
A empreitada está a cargo do vereador municipal de São Sebastião Wagner Teixera, que está arrecadando fundos para a realização das pesquisas que culminariam na instalação de um fundo artificial em Boiçucanga.
“Existe muita vontade política para a instalação do recife artificial em Boiçucanga e a iniciativa privada também está se organizando. Empresários estão interessados e pretendem ir ao Rio de Janeiro conhecer o projeto da federal. O valor estimado para a obra em Boiçucanga gira em torno de R$ 800 mil, mas os benefícios econômicos e ecológicos decorrentes desse investimento seriam absolutamente imensuráveis”, disse Wagner.
A notícia foi publicada nesta quarta no jornal Imprensa Livre, de São Sebastião, e deve agitar os freqüentadores da região, que há muito tempo consideram a praia de Boiçucanga um dos lugares mais propícios do litoral paulista para receber um fundo artificial.
Isso porque a praia recebe de frente as mesmas ondulações que chegam em Maresias e Camburi, duas das melhores ondas da região, mas por não possuir um fundo adequado, as ondas explodem com violência na beira, impossibilitando o surfe.
Para a professora do Programa de Engenharia Oceânica da COPPE Enise Valentini, coordenadora do projeto de pesquisa que está sendo desenvolvido no Rio de Janeiro, as perspectivas para a implantação do projeto são boas.
“As estruturas vão garantir que as ondas incidentes forneçam raias longas, permitindo que o surfista desenvolva manobras por um tempo maior, como também ondas de tamanho variado, desde trechos com ondas maiores e mais rápidas, destinadas a surfistas experientes, até faixas com ondas mais baixas e cheias, adequadas para principiantes. Além de beneficiar praticantes do esporte, o ‘surfódromo’ deverá também atrair muitos turistas e diversos eventos ligados ao surfe”, disse Enise.
“Boiçucanga é uma praia linda, as únicas coisas que nos faltam são atrativos para o público mais jovem. Ondas perfeitas em Boiçucanga representariam um diferencial indescritível para o turismo de toda a região”, acrescentou Wagner ao Imprensa Livre.
Proprietário de uma pousada na praia de Maresias, o surfista Paulo Moraes, que reside em São Paulo, foi um dos que mostraram entusiasmo com a novidade.”Isso seria a realização do sonho de uma vida inteira para toda uma geração de surfistas”, disse.
De acordo com a reportagem, membros da sociedade civil estão organizando uma lista para colher assinaturas favoráveis ao empreendimento na praia de Boiçucanga.