
Na última quinta-feira (23/3) o brasileiro Bob Burnquist realizou mais uma façanha. Uniu o skate ao base-jump e saltou de um precipício do Grand Canyon, Arizona (EUA).
O local escolhido por Burnquist é conhecido por Hell Hole Bend (declive do buraco do Inferno), área onde fica a reserva indígena dos Navajos.
A idéia surgiu há muito tempo, quando o filme ?The Reality of Bob Burnquist?, que retrata um ano na vida do skatista ainda estava em fase de produção. A cena chegou a ser cogitada, mas foi descartada por falta de tempo.

Foi então que surgiu um convite para participar do Stunt Junkies, programa do canal Discovery Channel em que os convidados ocupam o papel de dublês. Bob aproveitou o programa para colocar em prática um de seus sonhos.
Para o projeto foi montada uma mega rampa de 12 metros de altura no alto do penhasco, por onde Bob desceria e decolaria com o objetivo de encaixar o eixo do skate num trilho e assim deslizar por toda sua extensão para, depois, saltar dali e flutuar para dentro do precipício de pára-quedas.
Além dos riscos do percurso, durante a semana que a rampa foi construída, ventos fortes e até tempestades de neve castigaram o local.
Antes de Bob, duas pessoas morreram tentando saltar do mesmo lugar. Ele sabia que não tinha espaço para erros, portanto cada detalhe foi planejado e checado minuciosamente.
?Sempre penso positivo, mas também peso todas as possibilidades. Sintonizo no êxito sem esquecer de prevenir fracassos. Tombos comuns no skate poderiam significar a morte?, explica o skatista.
A possibilidade de Bob bater o queixo e desmaiar ao tentar encaixar o eixo do skate no trilho o impossibilitaria de abrir o pára-quedas. Por isso Bob usou um capacete especial que proporciona proteção extra, inclusive para o queixo.
Primeiro ele saltou do helicóptero sem o skate, só para sentir o penhasco. Depois, o helicóptero voou paralelamente ao corrimão e ele saltou do ponto de saída do trilho.
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A próxima etapa foi testar a rampa. A primeira descida foi de reconhecimento. Na segunda, já com intenção de encaixar a manobra, o skate escapou do pé e Bob bateu a mão.
A rampa foi ajustada para a nova tentativa, mas o skatista tropeçou e caiu de lado. Felizmente conseguiu saltar sem bater no penhasco.
Lá se foi mais um dos sete skates que ele levou para a missão. A cada tentativa um deles caía no precipício.
Após novos ajustes na rampa, Bob conseguiu encaixar o eixo, mas perdeu o controle, pois não conseguiu acompanhar com o corpo a velocidade com que o skate deslizou. Mas serviu para que Burnquist aprovasse a rampa e partisse para o salto definitivo.
?Tratei a mega rampa como se faz no paraquedismo. Antes de saltar do avião, tem que checar tudo muitas vezes. Não foi chegar lá e fazer?, conta Burnquist.
Como se não bastassem os quase seis quilos do pára-quedas, Bob ainda usou um capacete com câmera.
Na hora da verdade, ele desceu e encaixou o eixo no trilho, deslizou 10 metros e saltou com o skate ainda sob os pés. Uns 15 metros depois, Bob chutou o skate dos pés e abriu o pára-quedas.
O salto foi registrado pelo programa Stunt Junkies, que está previsto para ir ao ar em junho no Discovery Channel. A produção incluiu cerca de 30 pessoas, entre membros da equipe de montagem da estrutura e a equipe de filmagem.
?É engraçado porque, quando acabou, tudo ficou muito mundano. Quando você passa por uma experiência assim, as coisas ficam menos aterrorizantes?, comenta Bob.
Como a Mega Ramp foi desmontada e a madeira doada para a comunidade local. Bob já providenciou a construção de sua própria mega rampa em sua casa na Califórnia.
?Gostaria de agradecer à comunidade indígina “Navajos Nation” por tudo: Pelo espaço, pela receptividade, pela simpatia, pelas histórias e, principalmente, pela permissão de usar um local sagrado para eles?, finaliza o skatista.