Boas ondas em Sunset fazem a cabeça de Big Riders

Cheguei em Sunset Beach somente às 12 horas. Os comentários que ouvi pela manhã ao telefone eram de que tinha onda, mas o vento estragava a festa.

 

A primeira série que bomba no outside já quase fecha todo o canal. Dez a 12 pés alucinantes, mas o vento realmente era fortíssimo, cerca de 25 nós.

 

Na dúvida entre 7’6 e 8’10, saquei a maior. O ideal seria uma 8 pés, mas quem não tem cão caça com gato.

 

 

Pelo canal notei um crowd fortíssimo no inside, mas poucas cabeças lá fora.

 

Sentei no pico e notei que era aquele típico mar em que os casca grossas sacam suas velhas pranchas empoeiradas de baixo de suas garagens e vão para água.

 

O local Arnold Dowling, o sul africano Andrew com gorro de borracha e short de manga comprida – como se estivesse em Jefreys Bay, e Darrick Dorner me deram a certeza da afirmação acima.

 

Poucas vezes você vê esses caras na água, somente se tem onda e boa de verdade. Em todas minhas temporadas, vi Dorner somente três vezes em Sunset, uma vez ele me confidenciou que agora só cai ali em condições extremas, quando todo mundo fala que tá ruim, mas na realidade tem altas ondas.

 

O horizonte fica escuro e lá vem um japonês remando com toda força para um pico de 10 pés. Apesar do esforço, o kamikaze veio voando lá de cima. O lip e ele faziam parte do mesmo contexto. Que vaca!!!

 

Andrew dropou uma bomba linda com sua 10 pés. Que visual. O terral era tão forte que a onda parecia ter 15 pés. Segurou o sul-africano no drop, mas ele colocou o peso no bico e, com muito estilo, partiu com tudo para o inside.

 

Jamie Stearling, Myles Padaca e Jason Magalones no outside tiraram a pulga da minha orelha. Afinal, se Pipe estivesse bom eles não estariam ali em Sunset. Com o prazo de espera aberto para a realização do WQS, se estivesse bom eles estariam treinando.

 

Segundo Jamie, os locais estão putos com a organização do WQS. ”Eu vou correr, pois estou com pontos suficientes no ranking, mas tem a maior galera local que arrepia em Pipe, com potencial para vencer, mas que não pode participar por não ter pontos nem no circuito havaiano nem no WQS”, disse Jamie.

 

Luis Leal, o recifense Guga, curtiam mais um dia em Sunset. Surfei três ondas alucinantes, com direito a um tubo grosso e curto no inside. Na volta, bem embaixo do pico no fundo, tomei uma onda na cabeça, onde mais tarde, depois de trinta minutos de natação, descobri que não havia quebrado minha cordinha e sim o ferro do copinho.

 

Sentei na areia com minhas amigas brasileiras Cristina e Andreia. Nesse intervalo, três kites passam batido de Backyards para Phantoms e um windsurf quebrava tudo em Backyards. A primeira sensação que tive foi um frio na barriga, em pensar em acompanhá-los. A vida é uma só e parti para essa nova aventura.

 

Eu moro em Velzyland bem na frente de onde os kitesurfistas desfrutavam de ondas de 10 a 15 pés. Nunca havia visto ninguém de kite ali, somente em Backyards. Eles revezavam as séries com um jet-ski fazendo tow-in e outro que devia estar filmando e garantindo a segurança.

 

Em meia hora lá estava eu no meio da galera. Somente dois kites e um jet-ski fazendo Tow-In nas paredes massivas. Phantoms é o lugar mais profundo e longe da praia do North Shore. Se você notar nos mapas, a ponta é a mais distante da costa. Eu olhava para a praia e tudo ficava pequeno.

 

Fiquei humilde no começo, mas depois comecei a tentar pegar umas ondas. Meu ”approach” não foi o mais feliz. Eu achava que estava fazendo tow-in e vinha por trás do pico na onda. Mas, assim que eu começava a descer, a primeira sensação que me passava na mente era a de desengatar o kite e surfar a onda. A prancha era mesmo a minha 6’6 de tow-in, perfeita para a ocasião em ambas as modalidades.

 

O vento soprando um pouco mais de terral dificultava as coisas e em todas as tentativas ou eu era arremessado para trás da onda ou pegava tanta velocidade que não conseguia me manter no pico.

 

Mais tarde, quando abaixei meu kite em Backyards, os profissionais me disseram que a abordagem tem ser diferente. O certo é vir do canal em direção ao pico e não como eu estava fazendo. Se o vento fosse lateral, tudo bem, mas como era mais terral fica impraticável.

 

Sai da água as 16h30 e às 17h15m checava as condições em Sunset, lógico depois de um forte café preto e algumas pílulas de BCAA. De outra forma meu corpo já tinha apitado em retirada. No estacionamento, Bruno ”Monstrão” e sua ”trupe” recém-chegada do Brasil, estavam prontos para se divertir em um Sunset com 10 pés plus e o vento um pouco mais fraco. Recepção de gala para os paulistas.

 

Cai com a 8’10 sem cordinha mesmo e Eraldo e Burle já estavam na água. Burle, amarradão em tubos, sempre fica com uma prancha menor tentando entubar e quem procura acha…

 

Ele entubou fundo em uma linda onda no inside. Eraldo com uma 9 pés Rawson amarela, comprada do Rico de Souza, dropava lá do outside lindas ondas.

 

Mais uma vez aparece um daqueles loucos que somente mostram as caras em dias dessa magnitude. O local Paul Marino eu conheci em algumas sessões de tow-in em Hammer Heads. Eu no tow-in e ele remando em ondas de 18 a 20 pés nos outsides sozinho. O típico big rider de alma. Outro adepto dessa turma, o local Cris Owens, irmão do legend Bob Owens, também curte um pôr do sol regado a ondas pesadas, sem crowd no outside.

 

Peguei três ondas lindas que estão marcadas em minha alma, sem cordinha, me sentia como os nativos surfistas dos anos 60 e 70.

 

Depois de pegar uma grande da série, cheguei ao inside e fui obrigado a deitar na prancha enquanto o lip desabava em minhas costas. Paul Marino deslizou por lindas ondas que muitos comentavam ”quem é esse cara de prancha amarela? Eu nunca o vi por aqui”…

 

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That’s a real Hawaiian day.

 

Obrigado, meu Deus.

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