
O shaper Marco Polo Marcello, o Biro, vive há muitos anos no Hawaii e esteve recentemente no Brasil para rever a família, jogar sinuca com os amigos e produzir alguns foguetes, claro.
De volta ao arquipélago, Biro trocou uma idéia com o correspondente Bruno Lemos.
Quanto tempo você passou no Brasil e como foi seu dia-a-dia por lá?
Passei oito meses por lá e fiquei a maior parte do tempo com meu filho. O resto eu dividia entre o trabalho, surf e uma boa partida de sinuca com os amigos.

Como anda o mercado de pranchas no Brasil?
O mercado está muito bom no Brasil. A matéria-prima também melhorou bastante com a entrada de novos fabricantes de blocos no país. Eu percebi uma maior qualidade nas espumas e com isso o acabamento das pranchas melhorou bastante. Só acho que as envergaduras ainda deixam muito a desejar. Infelizmente, quando estou no Brasil fico internado em Maresias e, pra falar a verdade, não tive oportunidade de ver muitas pranchas por lá.
Quando você surfou pela primeira vez em Maresias e quais os contrastes daquela época para os dias de hoje?
Eu comecei a freqüentar Maresias no final dos anos 1970. Com certeza, nunca imaginei que um lugar tão vazio e isolado como aquele pudesse vir a ser um dos mais agitados do país. Quando mudei para o Hawaii, em 1990, eu já percebia que tudo estava mudando e bem rápido. Mas, depois da abertura do Sirena, as coisas realmente começaram a pegar fogo.
Apesar de toda a confusão e barulho que a boate trás todo o final de semana, é legal ver toda aquela gente bonita se divertindo. Os gringos aqui no Hawaii sonham com uma noitada daquelas.
E as ondas continuam iguais?
Acredito que sim, apesar de todo o assoreamento que ocorre na praia devido à enorme quantidade enorme de pessoas que a freqüentam hoje em dia. Porque se você for imaginar que cada pessoa leva um pouco de areia para casa, seja no corpo ou nas roupas, isso vira toneladas todos os anos. Isso talvez tenha afetado um pouco a formação das ondas.
Mas no geral elas estão lá como sempre estiveram. O que não podemos fazer é virar as costas para um prefeito, ditador e autoritário, que tenta insistentemente aprovar um projeto imbecil de construção de prédios numa das orlas mais bonitas do mundo, isto sim vai destruir tudo.
Há ondas melhores que em Maresias no litoral brasileiro?
Fico imaginando quantas vezes eu devo ter passado por Boracéia (SP) a caminho das praias, vendo aquelas ondas quebrando perfeitas e com vento terral. Para mim, toda praia tem seu dia de gala. O importante é estar lá, se divertir e aproveitar o que a vida tem de melhor.
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O que está achando das mudanças no Hawaii?
Notei uma mudança drástica este ano. Com os juros bem mais baixos do que no ano passado, muitas pessoas compraram casas no Hawaii como investimento ou para veraneio e não estão mais alugando. Isto causa uma grande falta de lugares para alojar a todos e os valores de aluguéis foram parar na lua.
E como está vendo o mercado de pranchas nas ilhas depois da crise dos blocos?
O mercado está mais forte do que nunca. Agora temos vários tipos de blocos e eu mesmo já usei umas dez marcas diferentes. Mas os blocos não estão baratos e, com o aumento dos aluguéis e de mão de obra por aqui, o preço das pranchas também subiu bastante.

E, apesar de uma certa pressão chinesa, com a venda de pranchas baratas nos mercados locais, fomos surpreendidos nesta semana com uma ordem vinda do Japão, pois eles querem pranchas coloridas, polidas e o principal, que fossem feitas no Hawaii. Querendo ou não, aqui é o Hawaii, melhor lugar do mundo para ter uma prancha de alta qualidade.
Como é seu trabalho com o shaper Jeff Bushman?
O meu trabalho com ele é muito bom, imagine trabalhar com um dos melhores shapers do mundo e ainda por cima no Hawaii. Várias das pranchas de alguns dos melhores surfistas do mundo passam pela minha mão para serem acabadas. É muito importante poder ver que pranchas eles estão usando aqui e em campeonatos pelo mundo todo, inclusive aí no Brasil. E Jeff sempre me coloca a par do que está acontecendo com as pranchas deles, seja no circuito mundial ou nos campeonatos locais. Essas informações são vitais para o acabamento delas.
E, ao contrário do que muita gente pensa no Brasil, 90% das pranchas feitas aqui são pequenas. O importante para mim é o fato de estar acompanhando todo esse desenvolvimento e poder ver a diferença entre as pranchas para Pipeline, Sunset, Waimea e Brasil.
Por exemplo, nesta semana Jeff me chamou e pediu minha opinião quanto ao shape de alguns blocos que ele desenvolveu para um fabricante, que vão servir como moldes para a fabricação de futuros blocos. Ele sabe que eu entendo e gosta da minha opinião, comunicação é tudo.
Eu me sinto muito orgulhoso de saber que faço parte dessa elite de fabricantes de pranchas aqui no Hawaii, isso não é fácil. O bom de tudo é o prazer de voltar para casa e poder oferecer aos consumidores no Brasil alguns dos melhores designs em pranchas de surf do momento. E para aqueles que me aguardam estarei de volta em fevereiro e as pessoas poderão entrar em contato por email [email protected] .
Quais são suas expectativas para esta temporada?
Bem, aqui a expectativa é uma só, surf. E com ele, toda a ansiedade para testar todos os novos designs. Todos já respiram surf, já tivemos alguns bons momentos e é bom saber que o melhor está por vir.
O que você diria para aqueles que pensam em visitar o Hawaii durante a temporada?
Prepare a carteira pois ficar aqui está bem caro. Se for encomendar pranchas aqui, procure fazer com ao menos dois meses de antecedência. Estamos lotados de pedidos e não temos muitos glassers cobrindo pranchas, daí rola uma certa demora na entrega. O resto é simples: respeite para ser respeitado e aproveite ? ?you are in Hawaii?. Aloha.