Bill Sharp levanta a onda do big rider

Bill Sharp, diretor e idealizador do Billabong XXL, esteve no Hawaii para entrevistar os finalistas  deste ano. Depois de conversar com o baiano Danilo Couto, um dos cinco finalistas do XXL na categoria maior onda, Sharp bateu um papo exclusivo com Bruno Lemos, correspondente do Waves.Terra no arquipélago.

 

Na entrevista, Sharp conta como surgiu a idéia de premiar com grana a atitude dos big riders e também revela admiração pelos brasileiros mais tomados: “Do jeito que estão surfando ondas grandes, provavelmente teremos brasileiros no topo do XXL por muitos anos”, aposta.

 

Você foi o criador daquela promoção do K2, no

ano em que Taylor Knox venceu com uma onda em Todos os Santos. Como surgiu a idéia deste tipo de competição?
Bem, naquela época a K2, marca de ski, tentava entrar no mercado do surf e eles queriam algo que realmente chamasse a atenção da comunidade. Então, fiquei pensando numa maneira de fazer isso. Numa noite eu estava acordado até umas 3 horas da manhã assistindo os noticiários sobre o El Niño. Foi quando eu me toquei de que aquele poderia ser o ano em dariam as maiores ondas de todos os tempos. E que teoricamente poderia ser o ano em que alguém surfaria a maior onda do mundo.Então, eu pensei: ‘se isso acontecer, o que é que o  surfista vai ganhar com isso?’. Os amigos provavelmente bateriam nas costas e pagariam alguns drinks. Só isso. Foi aí que eu me toquei

que deveria tentar achar algum jeito de fazer desse cara um campeão e conseguir algum dinheiro com a façanha. Depois de passar algumas horas meditando sobre a idéia, defini mais ou menos as regras e tudo evoluiu. Alguns anos depois, com o desenvolvimento da internet o site Swell me procurou com a intenção de fazer algo parecido. Com o tow-in em ascensão, então bolamos o XXL e a Billabong entrou na parceria.

 

O que é mais difícil, surfar na remada ou de tow-in?
Acho que tem que ter mais coragem, habilidade e experiência para surfar na remada. E, é claro, você tem que estar no lugar certo, não muito para fora, não muito para dentro. Sem  dúvidas, este é um grande desafio. Mas, assim você pega poucas ondas. Eu acho que isso é um desperdício, pois onda grande é algo muito raro. Já no tow-in, você está sempre surfando uma atrás da outra. E isso permite focalizar literalmente o ato de surfar a onda, e não sobreviver às ondas. Então, por causa disso o nível de surf no tow-in é muito mais alto.

 

Por que então vocês dão uma grana altíssima para o tow-in e uma merreca para o o pessoal da remada?
Na verdade, o XXL é aberto para a maior onda surfada, independente de ser na remada. Você pode tentar surfar essas ondas remando, ou numa canoa, ou o que for. Hoje em dia, estão usando jet-ski, mas, no futuro, quem sabe o que vai acontecer? Talvez aconteça algo diferente, quem sabe uma prancha a motor? (risos). Mas, de qualquer forma, além da categoria aberta, também temos uma categoria só para remada, como também melhor tubo.

 

A Billabong Odyssey vem especulando em cima da possibilidade de alguém surfar uma onda de 100 pés (aproximadamente 30 metros). Você acha isso possível?
Claro que essa onda de 100 pés tem causado muita especulação. No início, muita gente falou que seria impossível, que isso seria uma lenda. Mas, meses depois deu um swell em Maverick’s que não deu 100 pés, mas uns 80,  talvez  90 pés. Então, as pessoas começaram a cair na real de que talvez possam existir ondas de 100 pés. E na verdade, a cada cinco ou dez anos sempre dá um dia especial de ondas gigantes. Se você olhar as estatísticas, a maior leitura de bóia já registrada no Pacífico foi de  55 pés a cada 20 segundos. Se você sabe alguma coisa sobre surf, pode ter uma idéia do que isso significa. Para dar uma idéia, os maiores swells já surfados sempre estão na casa de 20 a 25 pés, com intervalos de 20 segundos e isso já significa ondas gigantescas.

 

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Você lembra onde fica essa bóia que marcou 55 pés?
Sim, se não me engano, foi a bóia de número 46003, que fica em algum lugar do Alaska.  Isso foi em 1991 e, com certeza,  em algum lugar da costa do Alaska, ou do Canadá deu ondas de 100 pés naquele dia.

 

Como você mede as ondas?
Isso é um lance bem interessante. Antigamente, principalmente no Hawaii você ouvia falar de ondas de 15 pés, mas que parecia ter uns 30 de face. Da maneira que eu vejo, isso estaria meio que desmerecendo o tamanho das ondas destes surfistas. Uma onda que tem 35 a 40 pés de face não pode ser avaliada em 18. Acho que

muita gente ainda vai continuar a usar essa medida por trás das ondas, mas ate o Estado do Hawaii já mudou oficialmente essa maneira de medir ondas.

 

E como é feita a medição no XXL?
A nossa intenção é sermos o mais científico possível. Mas, é claro que há alguns pontos em que pedimos a ajuda de alguns especialistas para saber, por exemplo, onde é a base ou o topo da onda. Nós também olhamos para o surfista, e de acordo com a altura dele, somamos o tamanho dele na face da onda. Depois desta matemática, estimamos o tamanho real da onda. Deve haver uma margem de erro, mas acho que essa seria a forma mais exata para pode medir uma onda. Quem sabe no futuro poderemos colocar um gps ou algo parecido para melhorar esse processo, mas por enquanto…

 

Como escolheram os cinco finalistas?
Temos um grupo de juizes formado por pessoas de muita experiência em ondas grandes, como editores de fotos das principais revistas americanas. Também participam alguns surfistas de ondas grandes, que por algum motivo não estão no páreo, bem como alguns surfistas legendários. Neste ano escolhemos as maiores fotos do dia 10 de janeiro em Jaws, pois foi sem dúvida o maior swell do ano. E uma onda bem grande de Cortes Bank também entrou para as finais.

 

Então já foram medidas todas as ondas? Já se sabe qual é a maior?
Na verdade, nós fazemos isso um dia antes da premiação, principalmente para evitar rumores. Claro que existem muitos resultados extra-oficiais por aí, mas vamos anunciar o resultado somente na noite de entrega de prêmio.

 

Por ser um cara relativamente desconhecido, o Danilo Couto tem desvantagem, já que está competindo com grandes nomes?
Acho que não, pois no final o que fala mais alto é a altura da onda. Nós não estamos preocupados com a nacionalidade, patrocinador, nada desse tipo. Quem surfar a maior onda vai ganhar. O Carlos Burle, por exemplo, ganhou um ano e, para falar a verdade, do jeito que estão surfando ondas grandes, provavelmente teremos brasileiros no topo do XXL por muitos anos.

 

Você já tinha ouvido falar no Danilo?
Para te falar a verdade, eu já tinha ouvido falar o nome dele. Mas, para mim era mais um dos caras que estão sempre presentes nas sessões, mas ele realmente nunca teve antes uma onda  extremamente impressionante, que o pudesse diferenciá-lo dos outros. Mas, acho que este ano muita gente viu a onda dele, viram que o cara está realmente quebrando. Acho que todo ano isso acontece e alguns caras saem do anonimato.

 

O que poderemos esperar da festa de premiação?
Será um grande evento para 1200 pessoas, transmitido ao vivo pela internet, mídia especializada de todas as partes do mundo, como se fosse o “Oscar” do surf. Sem dúvidas, esta festa será bem interessante neste ano.

 

Você acha que o recorde do Carlos Burle está em jogo este ano?
Bem, a onda do Burle foi estimada em 68 pés e acho que as ondas deste ano estão bem perto disso. Vamos esperar para ver o que os juizes decidem (risos).

 

Relação dos finalistas do Billabong XXL 2004

 XXL Big Wave – US$ 60 mil para o campeão 

Pete Cabrinha (EUA) em Jaws, Maui, Hawaii, 10 de janeiro de 2004. Fotos: Erik Aeder, Tracy Kraft, Rick Leeks, Cindy Levy e Charles Oreve.

 

Danilo Couto (Bra) em Jaws, Maui, 10 de janeiro de 2004. Fotos: Erik Aeder, Tony Harrington e Rick Leeks.

 

Archie Kalepa (Haw) em Jaws, 10 de janeiro de 2004. Fotos: Erik Aeder, Charles Oreve

 

Greg Long (EUA) em Cortes Bank, Califórnia, 18 de dezembro de 2003. Foto: Rob Brown.

 

Ian Walsh (Haw) em Jaws, Maui, 10 de janeiro de 2004. Fotos: Tony Harrington, Tracy Kraft e Rick Leeks.

 

 

Melhor tubo

Andy Campbell (Aus) em Shipstern Bluff, Tasmânia, 13 de março de 2004. Foto: Andrew Chisholm.

Malik Joyeaux (Tah) em Teahupoo, Tahiti, 29 de abril de 2003. Foto: Sean Davey.

Cory Lopez (EUA) em Teahupoo, Tahiti, 29 de abril de 2003. Foto: Sean Davey.

  

Maior onda na remada

Greg Long (EUA) em Dungeons, África do Sul, 23 de junho de 2003. Foto: Grant Ellis.

 

Alex Martins (Bra) em Mavericks, Califórnia, 18 de janeiro de 2004. Fotos: Frank Quirarte e Steve Wasylko.

 

Zach Wormhoudt (EUA) em Maverick´s, Califórnia, 17 de dezembro de 2003. Foto: Frank Quirarte.

 

Performance geral 

Brad Gerlach, Carlos Burle, Russell Smith, Strider Wasilewski, Ross Clarke-Jones, Sylvio Mancusi, Shawn Rhodes, Danilo Couto, Mark Healy, Brian Gorrell, Don Curry, Mike Parsons, Ian Walsh, Flea Virotsko, Eraldo Gueiros, Evaristo Ferreira, Adam Repogle, Peter Mel, Mike Parsons, Rusty Long, Shane Desmond, Shawn Rhodes, Ken Collins, Garret MacNamara, Bruce Irons, Jamie Sterling e Joel Fitzgerald.

 

Confira galeria de fotos dos brasileiros no Billabong XXL 2004

 

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