A ascensão brasileira no surf é inegável e, hoje em dia, nosso país vive o melhor momento da história do esporte. Os dois primeiros lugares do ranking do CT e favoritos ao título são daqui. Como entender o que está acontecendo?
No ano passado, perto das etapas finais do Tour, a gente teve uma conversa com o cara certo para avaliar esse momento. Edilson Assunção, o Alemão de Maresias, nos contou tudo sobre o crescimento e evolução de Gabriel Medina e Miguel Pupo até chegarem onde estão hoje. E o mais incrível disso tudo é que o nível de potencial e performance só cresceu. Agora, o Brasil domina o CT.
Afinal, em quem devemos ficar de olho este ano? Quem vai levar o caneco? Que cuidados devemos ter? Quais são os pontos fortes e fracos dos brasileiros do Tour? Se liga na nossa conversa com Alemão de Maresias e encontre as respostas:
Foto: © WSL / Kirstin
Ano passado, você nos disse que o Gabriel era ainda melhor que o Kelly. No fim do ano, o cara foi campeão do CT, chegou ao topo e provou ser o melhor da elite. Esse ano, a coisa mudou completamente e os destaques e líderes do ranking são outros dois brasileiros, Adriano e Filipinho. Dava pra prever essa? Qual é a sua avaliação do surf dos dois?
Dava para imaginar, mas não para prever quem seriam os destaques. Adriano é um dos caras mais constantes e determinados no Tour há anos. Não ganhou um título por falta de sorte. Filipinho, acho que é um dos caras mais agressivos e performáticos do Tour, surfa bem ondas pequenas e médias sem problemas. Só falta vê-lo nas bombas. Mas, assim como o Biel (Gabriel) fez ano passado, acho que ele vai surpreender. Torço para os dois e para o Miguel Pupo.
Anos atrás, se esperava ver o duelo de Slater e John John como uma “rivalidade” central no Tour, pela qualidade do surf deles, a competição amigável que levam e depoimentos do próprio Kelly. Do nada, os brasileiros roubaram a cena, são o foco da mídia de surf e não estão dando chance pra ninguém. Você teve a oportunidade de conviver com os caras de perto durante o Rio Pro. O que os gringos estão achando dessa história?
Pelo que vi do Rio Pro, os brasileiros são a espinha do peixe na garganta deles. A WSL gostaria que fossem Kelly, John John, Julian, entre outras estrelas, mas o Gabriel abriu a porta para o título. Agora, ela ficou aberta para qualquer outro atleta brasileiro entrar e ser campeão. Com quatro etapas, deu pra ver que vai ser difícil um brazuca não ser campeão este ano. Mas tem a política contra a determinação do Mineiro e o talento de Filipinho.

Como é trabalhar diretamente com os surfistas da elite, fazendo a parte do resgate de jet-ski? O comportamento de cada um se diferencia muito nas baterias?
O cara que resgata os atletas é como o gandula do futebol. Você tá ali só pra passar a bola e ponto, sem poder falar ou trocar ideia. Rola uma interação rápida entre piloto e atleta, mas nada de mais. Tem uns que são mais legais e outros até meio babacas. Cada um tem um jeito e temos que respeitar.
Além dos caras da elite, tem gente que tá quebrando na categoria grom e representando muito bem o Brasil e a galera de Maresias. O que você acha da evolução que o Samuel Pupo vem tendo? Qual é a sua opinião sobre o futuro dele?
O Brasil é atualmente a maior potência do surf, sem dúvidas. Samuel é só a ponta do iceberg que vai mostrar muitos talentos. Ele tá surfando muito e tem uma estrutura incrível de apoio, família, patrocínios e treinos que poucos atletas na idade dele tiveram. E, junto com ele, vem mais uma leva de grandes talentos de Maresias, Rio de Janeiro, Nordeste e Sul do Brasil.
Qual foi a sensação de estar na água com o brasileiro vencedor do Rio Pro 2015 depois da final?
Foi incrível estar naquele momento histórico. Quem levou o Filipinho foi o Marcos Monteiro, mas só de estar ali do lado foi inacreditável. Era um estádio na final de uma Copa do Mundo. Tenho que agradecer e parabenizar a equipe Surf Resgate pela oportunidade de estar ali.
Uma das milhares de imagens que marcaram o Rio Pro foi a do Parko caindo do jet-ski. O que aconteceu naquela hora?
Foram muitas coisas que aconteceram. O mar estava difícil, com muita corrente e com ondas de tamanho. A direção da prova queria que a gente fosse por um circuito determinado e alguns atletas por outro, mas era o mar que ditava as regras e os caminhos. Na hora do Joel, ele queria que deixassem ele no pico, bem na onda, onde não era permitido pela direção da prova. No momento que o levavam para o fundo, ele queria ir por um lado e o piloto optou por outro. No momento em que viu a onda levantando, ele foi para trás do jet. Aí, quando a onda bateu no fundo do mesmo, ele ejetou propositalmente. Daí você já viu… deu mais de 500 mil views em menos de 24 horas no site da WSL. Graças a Deus foi só um susto.
Como foi o encontro do Alemão de Maresias com John John Florence? Já conhecia o cara?
Só em vídeos e fotos. Mas eu o encontrei antes do evento, no Grumari, e fiz uma foto com meu filho ao lado dele. Ele foi muito simpático e atencioso. Também o levei em uma das baterias durante o evento. Na verdade, tive a oportunide de realmente conviver com ele em uma trip recente. Aí, vi que ele é um cara muito bacana, profissional e do bem. Virei fã dele agora. Mais do que antes.

Em abril do ano passado, muito antes de acabar o circuito, você previu a vitória do Gabriel (vídeo abaixo) e fez uma boa análise da realidade do atleta. Qual é a previsão do Alemão para o fim de 2015 e o que deve ser feito até lá?
Ano passado sentia uma energia diferente no ar. Antes do evento em Snapper, sonhei que o Gabriel tinha vencido e que aquele evento era o que determinava o título mundial. Antes de Teahupoo, também sonhei que estava com o Biel em Guaecá, na frente da rua da casa do Charles, esperando o ônibus que ele ia pegar pra ir ao Tahiti. Neste, eu olhava para as estrelas e dizia pra ele que ele ia se dar bem e que tudo ia dar certo. Dias depois deste sonho, ele estava levantando o troféu de campeão de Teahupoo em um mar épico. Este ano, acho que a energia está em em outros atletas, mas nada impede que ele dê a volta por cima. Afinal, ele é o Gabriel Medina, atual campeão mundial de surf. Para este ano, não vejo nada, mas desejo muito que um brasileiro seja campeão. Sei o quanto cada um deles sonha, se dedica, se prepara, sofre e almeja este título. E cada um deles merece. Por isso, #VaiMiguel #VaiBiel #VaiFilipinho #VaiMineiro #VaiItalo #VaiJadson #VaiWiggolly!
Durante entrevista, Alemão previu o título mundial de Gabriel Medina: