A pequena cidade litorânea de Mt Manganui, Nordeste da Nova Zelândia, na região de Bay of Plenty, foi o local escolhido para abrigar o primeiro reef artificial do país.

 

Embora seja conhecida como uma legítima ?surf city?, com forte presença da indústria e uma grande população de surfistas, além de receber ondulações na maior parte do ano, a região sofre com a inconsistência de seus bancos de areia.

 

A melhor opção para a prática do esporte fica a cerca de uma hora de distância de carro. Por todos esse fatores, o cientista neozelandês Kerry Black elegeu Mt Manganui como o palco ideal para realizar seu projeto.

 

Black, que também é surfista e integrante do ARP (Artifical Reef Program), grupo responsável pelo desenvolvimento do reef, é professor de Oceanografia da Universidade de Waikato e há nove anos trabalha no projeto.

 

Depois de passar por várias etapas e pesquisas, em 2002 chegou-se ao modelo ideal, graças a doações de investidores, empresários e a própria cidade, que somam um total de US$ 800 mil.

 

A primeira fase foi concluída em novembro de 2005 com a submersão do reef. Trata-se de um modelo em forma de Delta (como a letra A) que depois de ser completamente preenchido com areia, será capaz de produzir direitas e esquerdas com até 50 metros de extensão.

 

Durante o verão (dezembro a fevereiro) o lado direito do reef teve os três principais compartimentos preenchidos com areia. Alguns dias depois, um pequeno swell chegou a Bay of Plenty e no último dia 8 de março rolaram as primeiras ondas na bancada.

 

Um fraco vento terral e ondas de até 1,5 metros tubulares fizeram a alegria de surfistas e bodyboarders em um dia que ficará marcado para sempre na história da cidade. Por enquanto rolaram apenas as esquerdas, mas quando estiver totalmente finalizado o reef também produzirá direitas.

 

?A onda foi desenhada para desafiar os surfistas?, afirmou Black em reportagem do site norte-americano Surfline. De fato a onda de Mt Reef lembra as produzidas por bancadas de respeito como The Box, na Austrália, e outras do gênero.

 

?Já existem muitas ondas medianas pelo mundo, não queremos mais uma. Nossa intenção é oferecer uma onda intensa, tubular e pesada?, completa o cientista.

 

Mt Reef é o segundo reef artificial em atividade. O primeiro também é fruto do trabalho de Black e sua equipe. Narrowneck, na Gold Coast australiana, foi implantado cinco ano atrás com relativo sucesso.

 

Ele precisa de um swell de pelo menos três metros para funcionar, pois está a três metros de profundidade, de acordo com Black ? que não participou da construção deste reef.

 

Isso explicaria porque Mt Reef tem mais chances de mostrar ao mundo o verdadeiro potencial de um reef artificial. Black já está trabalhando no projeto de outro reef em Opunaki, também na Nova Zelândia, este totalmente custeado pelo governo local com forte incentivo de fazendeiros locais.

 

Neste caso a motivação tem caráter fortemente econômico, pois os moradores sabem que boas ondas atraem surfistas, e surfistas gastam dinheiro.

 

Clique aqui para ver mais imagens do Mt Reef

 

 

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Sonho brasileiro
(Por César Calejon ? sszone.com.br)

 

No Brasil o sonho do primeiro reef artificial continua na cabeça dos surfistas e interessados no assunto.

 

Dois anos atrás, a COPPE (Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e a Fundação Rio-Águas assinaram um termo de compromisso que deu início ao projeto do primeiro ?surfódromo brasileiro?.

 

Atualmente as informações sobre o projeto da Coppe são um mistério. Os últimos artigos referentes ao assunto foram publicados ainda no ano de 2004, mas segundo os envolvidos, o projeto continua em andamento e terá novidades em breve.

 

O projeto do recife artificial que produziria ondas perfeitas na praia da Macumba, Rio de Janeiro, foi comentado por toda a comunidade surfistica brasileira e naturalmente os surfistas de São Paulo começaram a cogitar a possibilidade da instalação de um reef também em Boiçucanga, litoral norte paulista.

 

Atualmente existe um instituto brasileiro que lida exclusivamente com o desenvolvimento de recifes artificiais. O IPDRAM (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento de Recifes Artificiais Multifuncionais) possui duas diretorias locais: uma em São Sebastião e outra em Búzios, Rio de Janeiro, onde recifes já foram instalados.

 

?Além das ondas, o recife artificial oferece inúmeras vantagens, como a prática de mergulho e melhoria nas condições da pesca, além de promover a recuperação de uma área ambientalmente degradada ou sanar problemas como a erosão costeira. O respeito ao meio ambiente será sem dúvida a marca registrada dos recifes artificiais?, diz Luis Lapo, membro do IPDRAM.

 

Evidentemente um projeto dessa natureza requer estudos apurados e um orçamento considerável para ser realizado. Quanto realmente custa o sonho do recife artificial em Boiçucanga?

 

?Em 2004 eu visitei o projeto da Coppe e naquela época os técnicos da UFRJ especulavam um valor de R$ 400 mil para a realização dos estudos que são necessários para a construção do recife artificial. Acredito que o projeto inteiro custe cerca de R$ 1 milhão?, afirma o vereador Wagner Teixeira, presidente da Câmara Municipal de São Sebastião.

 

?Considerando os benefícios que trará para Boiçucanga, não é um preço alto. Existem outros projetos em andamento que são mais caros e menos interessantes para o município?, acrescenta Wagner.

 

Clique aqui para ver mais imagens do Mt Reef

 

Para obter mais informações acesse coppe.ufrj.br, mountreef.co.nz e surf2surf.com.

 

 

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