Baggio desvenda Ilhas Canárias

As Ilhas Canárias estão situadas na costa africana, no oceano Atlântico. Fazem parte do território espanhol. É a parte da Europa situada mais ao Sul, um verdadeiro refúgio para os europeus, principalmente no inverno. Cheguei às ilhas em meio ao carnaval canário, considerado o maior depois do brasileiro. Muita festa, nada de onda e um certo frio, pois apesar de ser o lugar mais quente da Europa, está mais ou menos à mesma distância da cidade de Laguna em relação à Linha do Equador.

 

Na ilha de Gran Canaria encontra-se El Fronton, no extremo norte. Uma das mais fortes e perigosas ondas do planeta. Por ser uma ilha

vulcânica e distante do continente, não possui plataforma continental, isso faz com que as ondas se choquem com muita força contra as bancadas da ilha.

 

Onde existe a plataforma continental, a profundidade vai diminuindo gradualmente, fazendo com que as ondas percam força e velocidade. O relevo das ilhas é único, com grandes penhascos e montanhas altas. Sendo que o pico mais alto de toda Europa está situado numa dessas ilhas: a de Tenerife. A cor da água é linda, muito clara, excelente para mergulho e com formações de coral muito coloridas.

 

Nesse arquipélago estão os melhores

bodyboarders do “velho mundo”, com muitas opções de ondas fortes e extremamente tubulares. É um paraíso para a prática do bodyboard. Apesar do perigo das rasas bancadas e dos ventos fortes que muitas vezes estragam as ondas. Cada vez mais os principais atletas profissionais da Austrália, Hawaii, Portugal, Espanha, França e Brasil procuram o arquipélago para produzir fotos e vídeos. Sempre a procura de ondas de qualidade e pouco crowd. Esses também foram os motivos pelos quais o Barrells Board desembarcou por lá.

 

 

O nível dos locais impressiona tanto quanto as ondas, são muitos atletas surfando com nível

altíssimo. Para quem não sabe, o 720 invertido aéreo não é novidade por lá. O locar Ardiel, tem imagens de alguns 720 realizados, e diz ter completado pela primeira vez em 2001. Este atleta tem 27 anos e experiência no antigo circuito mundial GOB – Global Organization of Bodyboarders, é muito completo. Possui um repertório enorme de manobras para os dois lados, além de quebrar de drop Knee e encarar El Fronton neste estilo com muita naturalidade.

 

Além dele, existem muitos outros excelentes atletas, como Yeray Martinez e outros menos conhecidos. Me impressionei por nenhum deles

estar no Super Tour, pois com o nível e condições de treino que possuem, poderiam fazer um verdadeiro estrago.

Nesta, fica mais uma vez o meu protesto contra campeonatos em condições péssimas, que muitas vezes não possibilitam a classificação de atletas com altíssimo nível e vontade de competir. Guilherme Tâmega é ídolo máximo nas ilhas, muito admirado por todos. Frequentemente eu escutava as perguntas: Você conhece Guilherme Tâmega? É teu amigo?

De todos os lugares que conheci, foi lá que encontrei o maior nível técnico e também onde vi a maior admiração por GT. Ryan Hardy e

Mitchell Rawlins também chegaram por lá, com o produtor dos vídeos Tension. Pegaram excelentes ondas, mas ficaram um pouco apagados diante do nível dos canários. O localismo vem aumentando muito também, depois das últimas matérias divulgadas, cresceu o número de bodyboarders australianos e europeus por lá.

 

As principais ondas em Las Palmas são: Confital, El Fronton e os picos de Algujero, além de outros picos secretos. Foi em um deles, depois de quatro dias nas ilhas e passando um certo frio, que finalmente pude conhecer as ondas canárias. Uma ondulação de nordeste começava a entrar e o vento diminuia gradativamente. Como de costume acordei cedo, tomei café da manhã, arrumei a mochila e parti para checar as ondas. Ainda na estrada notei que o mar estava mais liso e que faria um belo dia, pois não havia nuvens no céu.

 

As ondas explodiam com mais força que nos outros dias. Concentrado, procurava ir o mais rápido possível entre as curvas fechadas no meio dos imensos bananais que ficam antes do pico. Ao chegar em cima do cliff, notei que a fraca brisa soprava de terral e as ondas, subiam rapidamente. Alguns locais já estavam na água e enquanto assistia as séries com quatro ou cinco ondas perfeitas, me trocava rapidamente.

 

Em seguida, muitas pedras pelo caminho, uma remadinha e lá estava eu. Num dos melhores mares que surfei até hoje, com ondas de 6 a 8 pés. Foram muitos tubos perfeitos durante às cinco horas que fiquei na água. Após a sessão os locais relatavam ter sido o melhor mar do ano até então.

 

No fim da tarde, o sol se punha atrás dos cataventos e as ondas quebravam perfeitas com o vento terral ainda soprando. Depois desse, foram mais quatro dias de ondas muito boas, depois disso o vento entrou novamente e as ondas pioraram. Era hora de ir embora, com a certeza de ter conhecido um lugar muito especial, que entrou para minha lista de destinos na busca de ondas tubulares e perfeitas.

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