
No último dia 29 de maio, quando o mar no Rio de Janeiro alcançou a marca de 3,5 metros e uma ondulação limpa de sudeste invadiu a costa, a dupla Renato Phebo e Luciano Brandão fez uma sessão de tow-in na laje do Sheraton que ficou marcada por vários ingredientes épicos.
Já na entrada do mar é preciso varar a arrebentação pela relativamente estreita passagem do Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, onde um erro pode decretar o fim do equipamento. Ondas de quase 3 metros com algumas séries maiores explodiam na boca do canal e a escolha do momento certo para entrar era fundamental.

Após aproximadamente 25 minutos de viagem navegando a um quilômetro da costa, passando pelas ondulações da praia do Pepino, a dupla chegou à Laje do Sheraton onde logo foi recebida por uma série de 3 metros sólidos que quase fechou a baía. Após estudarem um pouco a onda, coube a Luciano estrear a session com uma série secadeira em cima da laje.
“Como a onda quebra seca em cima da laje, é necessário acertar o ponto crítico da onda para entrar. O jet tem que ir surfando a onda, acompanhando o surfista até ele largar o cabo e entrar na onda, numa estratégia parecida com a observada em Jaws”, explica Phebo.

Apesar do mar liso, a onda estava muito mexida e cheia de irregularidades, o que fez com que a prancha quicasse muito, dificultando a session. O fato é que a prancha que a dupla estava usando estava pequena e leve demais para as condições.
Tratava-se de uma Beto Santos 6’1 com cinco laminações no deck e quatro no fundo, pesando aproximadamente sete quilos, muito funcional nos dias clássicos, porém leve demais para a turbulência que rolava no pico. “Uma 6’5 com mais peso teria sido ideal pois a maré estava enchendo e o mar ganhava cada vez mais volume”, avalia Phebo.

Luciano Brandão, que foi em busca das ondas de Jaws na última temporada havaiana e é campeão brasileiro de mergulho em apnéia pela CBPDS, ao insistir em ser colocado mais para dentro do crítico da onda, se viu a toda velocidade em plena rota de colisão com a laje. Conseguiu arremeter a tempo de não ser engolido vivo pelos mariscos. “Esse meu parceiro é muito atirado”, conta rindo Phebo.
Após aproximadamente uma hora e meia de session alternando entre as ondas que quebravam na laje e aquelas que varriam a baía da praia do Sheraton, a dupla decidiu explorar as ondas do outside do Pontão do Leblon, que apresentava séries de 3 metros sólidos pela manhã. Foi aí que começou a “roubada”.
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Após pegarem várias ondas iradas, o jet deu uma pane elétrica no outside. Não houve jeito de fazê-lo funcionar. Enquanto Luciano ficou a deriva por duas horas no outside nadando e puxando a máquina para longe do costão do Pontão, Phebo saiu nadando do mar e com o apoio da namorada do Luciano foi até a Marina na Barra da Tijuca, de onde havia partido inicialmente.
“O mais engraçado foi eu tentar convencer alguém a emprestar um jet para entrar naquele mar. Finalmente encontrei um maluco que aceitou emprestar uma máquina caríssima para irmos rebocar nosso jet”, comenta.
Mais uma vez, lá foi o Phebo varar a “roleta

russa” da entrada pelo Quebra-Mar e pilotar mais 25 minutos até chegar no Leblon, agora com a responsabilidade de ter na garupa uma pessoa com nenhuma experiência em mares grandes. Feitos os preparativos para o rebocamento, Luciano saiu nadando com o sledge e a prancha enquanto Phebo iniciou a viagem em direção ao posto 6 de Copacabana.
Aproximadamente um quilômetro depois aconteceu uma nova surpresa: o eixo do jet que estava funcionando como rebocador quebrou e as duas máquinas passaram a ficar à deriva. Agora eram dois jets à deriva cercados por séries que fechavam sem misericórdia no meio da praia do Leblon.

Para encurtar a história, Phebo tentou sair pela arrebentação com seu jet que estava entrando bastante água e quase afundando e o helicóptero dos bombeiros resgatou o dono do outro jet, que a essa hora, por motivos justos, já estava em pânico. Um salva vidas ficou de guarda no jet à deriva no outside enquanto Phebo foi à colônia de pescadores situada em Copacabana e conseguiu um barco de pescadores que foi até o local onde o jet estava e rebocou a máquina.
Resumo: máquinas quebram e fazer tow-in sem um suporte pode acabar transformando um bom programa numa quase roubada. Aliás, o único suporte técnico dessa session foi a namorada do Luciano, que filmou tudo e possibilitou as imagens que ilustram a matéria. Que venha o próximo swell!!!