Águas do Pacífico

Ataque na pista Sul

Com apenas 12 anos, Victor Bernardo não se intimida nas ondas do Peru. Foto: Paulo Kid.

Distante apenas quatro horas do Brasil, o Peru recebe constantemente brasileiros dispostos a encarar as águas do Pacífico para aprimorar o surf nas boas ondas que rolam de Norte a Sul em sua costa.

 

Clique aqui para ver as fotos

 

Clique aqui para ver o vídeo

 

O país é favorecido por ondulações de Oeste, Sul e Norte ao longo do ano, que bombardeiam os 2.240 quilômetros de litoral – recheado de picos com os mais variados tipos de ondas.

 

Esta combinação de fatores torna este país uma das melhores opções para quem quer pegar ondas com qualidade, sem viajar para muito longe. E foi justamente isso que um grupo de atletas fez recentemente, aproveitando uma brecha no calendário de

Junior Faria no caminho certo em  Caballeros, Peru. Foto: Paulo Kid.

competições.

 

Técnico da equipe Hang Loose e de outros talentos da nova geração, Paulo Kid acompanhou os atletas, com idade entre 12 e 22 anos, em uma barca pelo árido litoral peruano. Estavam na trip Victor Bernardo, 12, Luan Wood, 13, Caue Wood, 17, Santiago Muniz, 17, Jerônimo Vargas, 19, Alejo Muniz, 19, e Junior Faria, 22.?Partimos em busca de ondas que treinassem a molecada para a temporada de competições 2009?, explica Kid.

 

Eles hospedaram-se na pousada do local Luísfer, considerada a melhor opção para ficar em Punta Hermosa. ?O astral da pousada é puro surf e o rango de confiança?, recomenda Kid. Mais uma vez, o país não desapontou e as ondas quebraram sem parar.

 

?Logo que chegamos, surfamos em Punta Rocas com bom tamanho e pouco crowd. Victor Bernardo não acreditou nas direitas, pois era um dos maiores mares que ele havia caído. Mas, ele não se intimidou e botou pra baixo?, recorda ele.

 

Luan Wood, recém-chegado do Hawaii, também aproveitou muito bem as ondas. ?Mas, quem me impressionou bastante em Punta Rocas foi Cauê Wood, que surfou com pressão e mostrou um estilo limpo – como poucos na sua idade?, destaca o treinador.

 

De acordo com Kid, na primeira semana eles surfaram picos como Pepinos e Puerto Viejo, esquerdas consideradas excelentes para manobrar e botar o surfe no pé. ?Neste pico vi ondas do Alejo com manobras muito fortes de backside. Junior Faria mostrou muita intimidade surfando com uma biquilha verde, o que deixou seu estilo ainda mais refinado?.

 

Outro pico surfado pela galera foi Caballeros, que apresentou boas direitas para um surf high-performance. ?Jerônimo Vargas radicalizou forte nesse pico e mostrou que está decidido a buscar um lugar de destaque nas competições deste ano?, considera o técnico.

 

Depois de surfar a semana inteira sem parar, os atletas conheceram as ruínas de Pachacamac, localizadas bem pertinho de Punta Hermosa. Um guia turístico local os acompanhou e contou que naquele sítio arqueológico viveram três civilizações distintas, sendo a Inca a última delas. Para Kid, a visita foi ótima para a molecada conhecer a cultura local e recarregar as baterias para a semana seguinte que prometia um grande swell.

 

Na segunda semana, a trupe optou por ir a San Gallan. Eles saíram pela manhã de Punta Hermosa e foram direto para Pepinos, onde pegaram altas esquerdas de 1 metrão. Depois de três horas de surf, seguiram para Paracas onde pretendiam dormir para pegar o barco às cinco horas.

 

##

 

Cauê Wood impressiona com suas manobras. Foto: Paulo Kid.

Mas, como nem sempre as coisas saem como planejadas, no meio do caminho descobriram que o tanque de um dos carros tinha um pequeno furo e tiveram de parar numa cidadezinha para arrumá-lo, ficando cerca de três horas nessa função.

 

Clique aqui para ver as fotos

 

Clique aqui para ver o vídeo

 

Eles chegaram às 22 horas a Paracas e, por sorte, conseguiram um restaurante aberto e uma janta ?muito boa?. Depois do merecido descanso, acordaram as quatro da matina e foram direto pegar o barco.

 

?Chegamos ao pico bem cedo e esperamos amanhecer pra ver como

Jerônimo Vargas totalmente solto na trip. Foto: Paulo Kid.

estava o swell. As ondas chegavam aos 2,5 metros e era o primeiro dia da ondulação. Mesmo assim caímos na água, que estava crowdeada por centenas de focas no canal e também no pico. Isso deixou a galera meio cabreira. Mas, a real é que elas são as donas do pico e nos trataram muito bem?, lembra Kid.

 

Junior Faria sentiu-se muito a vontade e pegou altas, apesar da dificuldade para manter-se posicionado no pico. ?O visual do lugar é impressionante. Depois da sessão, fui com o Vitinho e o Luan até a ilha. O lugar parece o planeta Marte, pois tem um aspecto muito seco, com pedras e areia formando um visual muito louco – que contrasta com o céu azul. Com certeza voltarei a esse pico, pois as ondas com swell certo devem ser alucinantes?.

 

De volta a Punta Hermosa, o grupo deu sequencia às sessões de surf. Completaram a barca o videomaker Henrique, que fez um trabalho muito interessante durante toda a viagem, buscando sempre um ângulo diferente, e também Ruben Muniz, pai de Alejo e Santiago.

 

?Ele deu um astral diferente, sempre amarradão pra surfar e desfrutar da trip com o verdadeiro espírito do surfe. Ele fazia amigos em cada região e depois nos contava algumas peculiaridades dos picos que só os locais sabem?, comenta Kid.

 

Quando o swell diminuiu, o grupo seguiu para Cerro Azul, balneário localizado uma hora ao Sul de Punta Hermosa.

 

?Considero este pico uma Disneylândia para molecadinha. Você entra bem ao lado das pedras no canto e com cinco remadas já está no pico. A esquerdinha se arrasta por 50 metros até um píer, a onda é fácil e proporciona uma diversão aquelas! O lugar é simples, a molecada local receptiva e divide as ondas com a gente, interessada em nossas histórias. Tem também um ótimo ceviche que você saboreia desfrutando do visual do pico e das esquerdas rolando com a molecada se divertindo?, descreve Kid.

 

De volta ao Brasil, ficou a certeza de que o treino foi intenso para todos. ?Teve muito surf e remada, além de diversão – ingredientes indispensáveis a uma boa surf trip?.

 

O Peru está próximo do Brasil, tem preço de passagem e estadia muito acessível. Com certeza você pegará altas ondas. Vale a pena conferir.

 

Clique aqui para ver mais fotos no blog da Hang Loose.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.