
A primeira vez que cheguei a Atalaia para surfar, no começo da década de 80, foi como ver um sonho tornar-se realidade: esquerdas mágicas quebrando perfeitas junto ao molhe, sempre no mesmo lugar.
Depois de um tempo, quando nosso carro teve os vidros quebrados e roubaram até nossos calções – tive que registrar ocorrência na polícia enrolado em uma
toalha – aprendemos a chegar e ir embora cedo.
Acordava às 4 horas da manhã para chegar em Atalaia ainda noite. Deixava o carro na casa de dona Glória e ficava com os amigos esperando o dia clarear para entrar na água e surfar como reis… até o primeiro local aparecer nos molhes lá pelas 9:30.

Naquela hora, já estávamos exaustos e de cabeça feita de tanta onda de qualidade, esquerdas e mais esquerdas perfeitas e quilométricas quebrando uma após a outra.
Uma vez, durante uma ressaca com ondas de 2 metros, estava voltando para o pico junto com meu amigo quando avistamos à nossa frente os restos de uma embarcação.
Demos o joelhinho na onda e lembro-me que rezava sem parar para não ser atingido pelo madeirame do barco. Foi adrenalina pura e por pouco não fomos atingidos.
Deixamos a embarcação espatifar-se na praia e continuamos surfando aquelas ondas mágicas… Atalaia, nunca mais vou te esquecer!