Leitura de Onda

As listas de 2010

 

Jadson André, primeiro brasileiro estreante a vencer uma etapa do World Tour. Foto: Aleko Stergiou.

Sempre desconfiei de listas. Cresci incapaz de decifrá-las, sem entender a importância de escolher os eleitos dentro de um pacote fechado. Listas excluem gente importante, coisas imprescindíveis, listas não consideram outras listas, eu pensava. Mas, coisas da vida, acabei me casando com uma economista-jornalista que organiza ideias através de papeizinhos com escritos ordenados em sequência.

Depois, me diverti com um livro do inglês Nick Hornby sobre o dono de uma loja de discos viciado em listas de “cinco melhores de todos os tempos” – para coisas muito importantes, como as cinco mulheres que ele levaria para uma ilha deserta, e outras nem tanto.

De malditas, as listas se tornaram úteis, e hoje volta e meia recorro a elas.

O fim do ano é um gancho perfeito para elaborá-las. É mais fácil ordenar a importância de acontecimentos, gerar discussões e distribuir os fatos em retrospectiva. Como no livro “Alta Fidelidade”, a coluna Leitura de Onda elabora uma série de listas de “cinco mais”, só que apenas da temporada da ASP de 2010, na expectativa que os leitores rasurem, incluam e critiquem cada tópico.

Afinal, é para isso que as listas servem.

Cinco melhores surfistas da temporada de 2010

1) Kelly Slater

2) Stephanie Gilmore

3) Jordy Smith

4) Jeremy Flores

5) Owen Wright

Cinco melhores surfistas brasileiros da temporada de 2010

1) Jadson André

2) Heitor Alves

3) Alejo Muniz

4) Raoni Monteiro

5) Adriano Mineiro

Cinco melhores ondas da temporada de 2010

1) Dusty Payne – round 3 em Pipeline, onda da virada, que o manteve no WT

2) Kelly Slater – round 4 em Pipeline, nota 10

3) Jadson André – onda da virada na semifinal contra Dane Reynolds, Santa Catarina

4) Kelly Slater – alley oop em Bells, pela surpresa

5) Bede Durbidge – tubo no round 3 do Quiksilver Pro (Autrália)

Cinco melhores eventos da temporada de 2010 (qualidade das ondas)

1) Quiksilver Pro na França

2) Billabong Pipeline Masters

3) Hurley Pro, Trestles, EUA

4) Rip Curl Pro, Peniche, Portugal

5) Billabong Pro Teahupoo

Cinco melhores baterias do ano

1) Dusty Payne x Mick Fanning (Pipe Masters)

2) Jeremy Flores x Kelly Slater (Pipe Masters)

3) Jadson André x Dane Reynols (Santa Catarina)

4) Jeremy Flores x Kelly Slater (Pipe Masters)

5) Kelly Slater x Owen Wright (Hurley Pro Trestles)

Cinco coisas que, se tivessem acontecido, poderiam mudar o ano

1) Um atendimento médico consistente a Andy Irons em Porto Rico

2) Bruce Irons chegar treinado para homenagear o irmão no Pipe Masters

3) Jordy Smith não cair na segunda onda boa, na final de Portugal
contra Slater

4) Adriano Mineiro entrar arrasador nas quartas de Porto Rico contra Slater

5) Joel Parkinson não ter cortado o tendão enquanto treinava.

Cinco fatos que marcaram o ano

1) A morte de Andy Irons

2) O décimo título de Kelly Slater

3) O quarto título de Stephanie Gilmore

4) A classificação de cinco brasileiros na mais difícil temporada da história do acesso

5) A primeira vitória de um brasileiro estreante no circuito mundial

 

Tulio Brandão é colunista do site Waves, da Fluir e autor do blog Surfe Deluxe. Trabalhou três anos como repórter de esportes do Jornal do Brasil, nove como repórter de meio ambiente do Globo e hoje é gerente do núcleo de Sustentabilidade da Approach Comunicação.

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)