As lesões no esporte são inevitáveis?

Nem hora ou local marcado. Assim é o encontro, nada agradável, entre o bodyboarding e as lesões.

 

Para realizar as manobras e não se machucar em alguma parte do corpo, é preciso que tanto os músculos quanto os ossos estejam fortalecidos.

 

O sistema muscular funciona como uma verdadeira máquina e os músculos servem de alavanca para puxar os ossos, ocasionando a movimentação.

Geralmente, lesões musculares são divididas em três graus, dependendo da gravidade da lesão. No primeiro grau, o mais leve, o músculo é forçado a uma performance além das possibilidades e apresenta-se dolorido, mas sem lesão orgânica.

 

Já no segundo grau, considerado moderado, o músculo sofre rompimento das fibras que compõem o tecido muscular.

 

Embora não comprometa o funcionamento dos músculos, o atleta sente dor no local atingido.

 

Em último grau, o mais grave, pode haver ruptura total do músculo, ocasionando forte dor e dificuldade ou impotência do tecido muscular para funcionar normalmente.

 

Às vezes, o diagnóstico clínico torna-se muito difícil e são necessários exames complementares para verificar e identificar o grau da lesão sofrida pelo atleta.

Dentre as principais causas das lesões, ressalta-se a baixa resistência física, a falta de aquecimento antes da atividade, cansaço muscular e contração brutal da musculatura.

 

Além disso, outros fatores como inatividade prolongada, más condições para a prática, o consumo de drogas, fumo ou bebidas alcoólicas também alteram o bom funcionamento do sistema muscular.

No bodyboarding, e em qualquer esporte, os atletas estão sujeitos a sofrer algum tipo de lesão.

 

No caso específico dos bodyboarders, constata-se que algumas partes do corpo são mais suscetíveis: região do tornozelo e joelho, ombros e lombar.

Segundo Osni Jacó da Silva, professor de educação física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especializado em medicina desportiva, as lesões em bodyboarders são causadas pela falta de treinamento adequado e por se tratar de um esporte em que o atleta se expõe em movimentos não habituais, forçando músculos e articulações para realizar as manobras.

 

“O que sempre observo nestes casos é a pura e simples prática do esporte sem preparação adequada”, comenta Jacó da Silva.

Pesquisa feita por alunos do curso de educação física da UFSC, divulgada na própria universidade em junho deste ano, revelou que 48% dos bodyboarders entrevistados já sofreram algum tipo de lesão.

 

Os dados foram coletados na sétima etapa do Circuito Brasileiro Pro/Am de bodyboarding, entre os dias 6 e 9 de dezembro de 2002, na praia da Joaquina.

 

Idealizada pelo estudante e praticante do esporte Jorge Luz, a pesquisa teve por base algumas variáveis como o tempo de prática e de competição, idade e tipos específicos de lesões sofridas pelos bodyboarders.

 

“Por já ter passado pelo desconforto da dor e ver que não era o único, resolvi mostrar para a comunidade científica e para os atletas que podemos pesquisar sobre o bodyboard, sobretudo porque não há muitos dados científicos sobre o nosso esporte”, comenta o estudante, que sofreu um princípio de tendinite na região do ombro em 2002 e uma lombalgia no mesmo ano.

 

Segundo ele, os dois problemas ocorreram por falta de preparo orgânico geral e pouca flexibilidade na região lombar.

 

O estudo mostrou que os atletas entrevistados entre 14 e 30 anos, praticam o bodyboard em média há cerca de oito anos e competiam havia cinco. Dentre os atletas que tiveram algum tipo de lesão, 46% deles tiveram problemas na região dos ombros; 24% na coluna vertebral; 15% no tornozelo e 15% no punho.

 

Os ombros são muito utilizados no bodyboard, na remada e quando o atleta está na onda para executar manobra que exige a força e a articulação dessa parte do corpo.

 

Conseqüentemente, a incidência de lesões é constante porque o esporte privilegia manobras de forte impacto e explosão, como as aéreas, que “superexpõem” os ombros.

Nas lesões ocorridas na lombar, a posição adotada pelos praticantes afeta diretamente a coluna. É comum bodyboarders reclamarem de dores nas costas, devido à alguma manobra mais radical, ou até de manobras menos complexas, como o rollo e o 360.

 

O tronco permanece em posição fora da habitual e, deste modo, sérios cuidados são necessários, porque as lesões podem evoluir para uma hérnia de disco. Outros pontos críticos relatados pelos bodyboarders entrevistados foram os joelhos e tornozelos.

 

A utilização das nadadeiras para aumentar a propulsão dentro d’água, bem como para a manutenção da estabilidade na onda, exige uma sobrecarga dos membros inferiores. Além disso, joelhos e tornozelos ficam constantemente em contato com a água, sujeitos ao atrito quando o atleta quer se movimentar ou pegar a onda.

Ainda de acordo com Jacó da Silva, especializado em medicina desportiva, na ocorrência de alguma lesão o atleta deve interromper a atividade e procurar um médico, ortopedista ou fisioterapeuta para diagnóstico e estratégia de tratamento.

 

No caso de estar impossibilitado de receber assistência, o esportista deve aplicar gelo no local da lesão nas primeiras 48 horas para reduzir a possibilidade de seqüelas, além de diminuir o tempo de tratamento e do afastamento das atividades físicas.

Para prevenir lesões, é necessário um bom treinamento, composto de exercícios de fortalecimento muscular e alongamento, antes e após as atividades físicas.

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.