
Aos 21 anos de idade, o australiano Andrew Lester está trabalhando uma missão importante: desenvolver e ajeitar os detalhes do novo modelo que leva sua assinatura, a Manta Lester Pro.
O atleta, atual campeão do ISA Games 2004, realizado em março no Equador, tem estado muito ocupado com clínicas personalizadas de bodyboard que realiza e nos treinos para conquistar sua principal meta: vencer o IBA World Super Tour.
Em entrevista ao diretor executivo da IBA Mark Fordham no site Fluidzone, Lester falou sobre sua carreira no esporte e outros assuntos de destaque, como o design das pranchas e planos para o futuro.
Como você começou no bodyboard?
Meu irmão mais velho é surfista e em determinada época eu queria segui-lo e fazer tudo que ele fazia. Meus pais me deram uma pequena prancha de bodyboard para eu pegar experiência e quando fosse mais velho passar para a prancha de surf. Só que eu nunca mais deixei de ter o bodyboard na mente.

Quais os picos que você surfou quando era garoto e quais você julga serem impossíveis de ser surfados?
Quando era mais moleque surfei muito uma onda chamada “The Alley Rip Bowl”, que sempre quebra no mesmo local porque tem uma corrente que passa ao longo do pico. Essa onda foi um treino de base perfeito para mim, com pequenos tubos e rampas para manobras aéreas. Quanto aos picos impossíveis, acredito que Shark Island pode ser impossível e também Pipeline muito grande.
Quanto tempo demorou para você cair na real que era um bodyboarder dos bons?
Foi na primeira vez que fui patrocinado. Eu estava esperando carona para surfar e o Nathan “Nugget” Purcell tinha me visto pegando onda e me perguntou se eu não queria ser patrocinado pela Morey bodyboards. Eu me lembro de ter pensado: “Uau, devo estar pegando bem.”
Em quem você se espelha e respeita dentro do cenário mundial e por quê?
Eu me espelho e respeito o Guilherme Tâmega, pelo competidor que ele é. O Mike Stewart por tudo que ele descobriu, testou e fez pelo bodyboard e Damian King pela paixão e vontade. Suas decisões vão ajudar o esporte nos próximos anos.

Como é o seu quiver atual
?
Tenho mais ou menos 30 pranchas dentro de casa.
Tem algo que você quer mudar no seu equipamento?
Não, a Manta e eu estamos trabalhando juntos e vamos ter exatamente o que quero em uma prancha de bodyboard.
Todas as suas pranchas são personalizadas?
Não mais, meu shape está definido, por isso não preciso mais delas. Eu surfo com as mesmas pranchas que você pode comprar nas lojas.
Sobre o cenário do bodyboard na Austrália, como você vê a situação atual?
O esporte continua crescendo, com certeza, existem muitos bodyboarders. Estamos tendo uma renovação forte também. Os mais jovens estão arrebentando.

Como foi crescer em Cronulla, um lugar onde o bodyboard é muito forte?
Foi muito bom. Lá as pessoas têm respeito pelos atletas e pelas ondas. Sou orgulhoso de ser bodyboarder de Cronulla.
Conte uma situação pesada em Cronulla.
Não foi muito pesada para mim, mas quando eu era mais jovem e só havia caído em Shark Island algumas vezes, resolvi entrar em um dia bem grande, só para ver a situação de perto. Eu vi um cara ser esmagado no reef seco. Fiquei com medo dele morrer.
Os bodyboarders de Cronulla influenciaram seu bodyboard?
Definitivamente, eles eram os melhores caras da Austrália e surfavam no meu pico, do lado de casa. Eu estudei como eles faziam na onda, onde colocavam os braços e as pernas. Eles foram uma grande influência para mim.
Como foi ganhar a medalha de ouro no ISA Games esse ano?
Foi inacreditável, eu nunca tinha feito scores tão altos antes. Eu precisava de 8.53 para ganhar a final. Faltando 20 segundos veio a boa e ganhei um 8.80.
Qual é o título que você considera o mais importante?
Quero um título mundial do Super Tour. Essa vai ser minha maior vitória.
Você já tentou surfar ondas gigantes de tow-in?
Ainda não, só tenho feito tow-outs, que é ir de encontro a ondas menores e mandar

aéreos estratosféricos.
Descreva a maior onda que você já pegou?
Foi no Hawaii, no North Shore de Oahu. O mar tinha de 15 a 20 pés. Eu estava no outside de Pipeline, fui para o segundo reef e fiquei esperando por mais ou menos uma hora. Finalmente eu vi a onda que queria pegar. Eu não tinha noção de quanto grande era a onda, até chegar a hora de fazer a cavada. Essa é a imagem que mais lembro, o caminho do drop até a base.
Como você descreveria seu bodyboard para outros atletas?
Surf de bolso – Eu gosto de pegar onda e mandar as manobras perto da parte crítica da onda. Bem colado no tubo. Eu gosto de achar meu surf impecável limpo e fluído.
Como você gostaria de ver o bodyboard em termos globais?
Espero ver mais eventos e maior interação entre a comunidade internacional. Gostaria que o bodyboard fosse mais acessível para as massas, na televisão e em estádios com ondas feitas pelo homem.

Você está envolvido em um projeto de clínicas de bodyboard. Como está sendo?
Está indo muito bem, nos feriados escolares tenho a classe cheia de alunos querem fazer sua aula de educação física.
Quando e onde foi a melhor sessão de ondas da sua vida?
Para falar a verdade, não lembro de um dia ou caída que tenha sido a melhor que os outros dias bons. Lembro de Shark Island perfeito várias vezes. Lembro também de Pipeline, no Hawaii, e Mystics, na costa sul.
Quais são seus planos de futuro?
Quero ir e vencer o Super Tour.
Para finalizar, quais são seus CDs e DVDs preferidos?
Anota aí. Cds: Beatles, N.E.R.D.2, Usher 3, Ben Harper, Michael Jackson. DVDs: Shrek, Superman series, Top secret, Ocean’s Eleven, Love & Basketball.