?Vô não, Paulo disse que esse campeonato não vai se legal, vai tá frio…?, foi com essa frase que um resignado Fábio Gouveia respondeu a pergunta se iria a Ubatuba, litoral norte paulista, onde seria definida a equipe brazuca no Mundial 86, em Newquay, Inglaterra, este sim um lugar frio!

 

No verão daquele 86, o jovem surfista amador paraibano Fabinho havia sido apresentado ao surf brasileiro na Joaquina, Floripa, então palco do tradicional Op Pro, quando só o campeão Ricardo Tatuí o parou, com ?Teco?  Padaratz vice, vencedor na seqüência da disputa amadora em Ubatuba.

 

Seria a última vez que as boas ondas da praia de Itamanbuca, a mais tradicional de Ubatuba e do surf paulista, deixariam de ter Fábio Gouveia em uma prova importante.

 

Em 87, Gouveia venceria o mesmo Sundek, cujo campeão havia sido o futuro parceiro Teco.

 

Para a primeira vitória em Ubatuba, Fabinho deu um show de surf. Sua performance eclipsou até mesmo dos dois grandes nomes da final profissional, o campeão Amaro Matos e o vice Carlos Burle.

 

Fabinho não teve moleza, o vice na primeira vitória nacional de Fábio Gouveia foi outro grande talento, o paulista Wagner Pupo, o ?vala?, ainda hoje um difícil adversário do ?Fia? – que o diga o grande duelo este ano na etapa inaugural do SuperSurf em Santa  Catarina, e que chega, de forma indireta, na etapa decisiva da temporada 2005, que acontece aonde? Em Ubatuba, claro!

 

Itamanbuca, em Ubatuba, tem sua direita por vezes não deixando a desejar ao Pontal de Baia Formosa (RN), a sul-africana Jeffrey´s Bay, ou ao Campeche, Floripa.

 

Foi em Itamanbuca que Fabinho despediu-se do Brasil, com vitória, rumo ao título mundial  amador em Porto Rico 88.

 

Também foi lá, naquele mesmo ano, que disputou sua primeira bateria homem-a-homem de prova brasileira válida pela ASP, participando como ?wild-card? do Sundek International, barrando Gary Anderson, sendo a seguir barrado por outro aussie, o campeão mundial Barton Lynch.

 

Foi foto sua na vitória sobre Gary que o ?Notícias Populares? estampou a capa quando ele venceu a World Cup 91 na havaiana  Sunset,  em ondas a ?la BF? ou (porquê não?) a ?la Itamambuca?.

 

O primeiro 10 profissional dele foi lá, a primeira vitória rumo ao título Brasileiro de 1998 também foi em Ubatuba, naquele mesmo ano de título do WQS.

 

Sua vitória em Ubatuba naquele 98 teve na final o também paraibano Otávio Lima, e, tirando Tavinho,  parecia um ?revival? de dez anos passados.

 

Lá estavam os paulistas Jair Oliveira e Wagner Pupo, sempre ?vala?, sempre fluído!

 

Neste domingo, Fabinho acorda líder do Brasileiro SuperSurf e pode garantir o seu segundo título brazuca.

 

Seria uma vitória a coroar um caso de amor recíproco, o que leva à conclusão de que:  ?a onda de Fabinho? não é nem as merrecas do Bessa, João Pessoa, Paraíba, nem as poderosas ondas de Sunset, Hawaii, onde ele já venceu.

 

A onda dele talvez seja aquela dos eternos Festivais Brasileiro de Surf e, da final do SuperSurf 2005, Itamanbuca, Ubatuba, São Paulo, a exemplo de Gouveia, ícone do surf brazuca, independente das boas direitas previstas para uma, ou de um merecido segundo  título brasileiro para o outro.

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