Alexandre Feltmann fala de competição

Quando começei a escrever este artigo, me veio a lembrança da época em que se iniciaram as competições no Brasil.

 

Naquela época, sem saudosismo algum, o esporte era menor em número de atletas e, ao  mesmo tempo, mais forte em patrocínios, eventos e investimentos.

O incrível é que naquele tempo só tínhamos campeãs mundiais.

 

No masculino, como o campeonato era realizado no Hawaii, o senhor Mike Stewart tornou-se hegemonia, vencendo tudo por lá. Mesmo assim, os brasileiros sempre deram a dura.

 

O porquê ?

Simples, vários competidores, principalmente do Rio e São Paulo, tinham bons patrocínios e as empresas que investiam neles conseguiam um bom retorno com baixo investimento.

 

Aquela época se foi. Agora parece que as coisas se inverteram: temos o melhor bodyboard do mundo em termos de qualidade e quantidade de atleta. Vários campeões mundiais. Mas os patrocinadores sumiram.

Não consigo entender como marcas que vivem da imagem do esporte, não investem nada ou quase nada e continuam vendendo seus produtos.

Volto a falar que temos o melhor bodyboarding do mundo, mas o esporte em vez de se profissionalizar, andou pra trás. Hoje, vejo campeonatos com estrutura e premiações ridículas. Salvo alguns circuitos, que mesmo assim estão longe do ideal.

Reconheço também o esforço de alguns guerreiros do esporte, que desde o começo, vem dedicando seu tempo e empenho para que o esporte cresça. O Elmo Ramos, da Revista Ride It, é um dos poucos espalhados por este país, que, sozinho faz um trabalho de divulgação do esporte e vem sendo criticado.

 

Outro, é o Washington, de São Paulo. Envolvido no esporte desde seu início, já teve que se afastar um pouco da realização de eventos para mostrar aos críticos de plantão que não é fácil fazer, mas falar e criticar é superfácil, não é? Agora ele está de volta fazendo um circuito muito bom e trazendo um patrocinador forte para o bodyboard paulista.

 

Também tem o Xandão, que, por meio do site Waves, conseguiu grande espaço para o esporte, podendo mostrar idéias, críticas e pontos de vista de quem fez e faz o esporte acontecer.

É impossível deixar de passar em branco um dos fatores que me fez e creio que faça também muitos abandonarem as competições. Os eternos sangue-sugas .

 

Aquela espécie que organiza eventos, campeonatos e circuitos e ganha dinheiro. Enquanto os atletas, que fazem o evento acontecer, ficam a ver navios.

Escolhem praias a seu gosto e esquecem dos atleta. Ganham uma grana para fazer um evento 5 estrelas, fazem um duas estrelas e embolsam as outras três. E o atleta tem que pagar a inscrição. E não pense que ela é barata…

 

Ou então, os organizadores abrem vagas para atletas amadores para competir com profissional e torcem para que eles se dêem bem para ficar com o dinheiro da premiação. De qualquer forma, ainda bem que não são todos que agem assim.

 

Meu raciocínio é o seguinte: o atleta gasta muito para competir (passagem, estadia, alimentação, inscrição, equipamentos) e na maioria das vezes, se ganhar o campeonato, o dinheiro não cobre as despesas. E título, infelizmente, esse não enche a barriga de ninguém.

Repito, são os atletas é quem fazem o evento e não o contrário. Sem eles, principalmente os de ponta, e que querem viver do esporte, não há competição de alto nível no Brasil.

 

Por isso pergunto: O que um sangue-suga desses vai falar para a imprensa quando os principais atletas se recusarem a participar de seus campeonatos?

É a união dos atletas que pode trazer um futuro melhor para eles próprios, para as próximas gerações e para o esporte.

Digo isso porque tenho experiência, já organizei campeonatos em outra época, competi muito pelo Brasil, e  agora, tenho a visão de um freesurfer, que pode analisar a situação de fora, sem competir, mas assistindo a todas as competições que são realizadas aqui no Espírito Santo.

Espero que o que escrevi aqui possa ser aproveitado pelos bodyboarders. A intenção foi de um alerta para que as coisas possam mudar pra melhor.

 

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