Sem sérebro surf clube

Alberto Pottz, lenda cearense

Alberto Pottz, legend do surf cearense. Foto: Lima Jr.

Alberto Pottz, surfista local da praia do Icaraí, é uma lenda viva do surf cearense.

 

Depois de alguns anos ?sumido do mapa?, o legend resolveu fazer uma vista ao escritório do site Cearasurf, situado na praia do Icaraí.


Pottz diz estar treinando em um “point secret” com alguns tops do surf profissional. Quando não está no outside, o cearense costuma aproveitar as horas vagas para dar aula de Inglês.


Confira entrevista hilária de Albert Pottz gentilmente cedida pelo site Cearasurf.

 
Como você começou a pegar onda?

Pottz começou a surfar inspirado no campeão mundial Martin Potter. Foto: Lima Jr.

Tudo começou em 1993, no Icaraí. A galera me achou parecido com o campeão mundial de 1989, Martin Potter, o Pottz. Daí em diante comprei uma prancha e fui pra água, onde estou até hoje.
 
Quais os principais campeonatos que você participou?

O Pena Super Surf, etapa do WQS que rolou em 1996. Foi o melhor de todos, pois a competição era de nível mundial e assim pude mostrar meu potencial para o mundo todo. O Sem Sérebro (sic), que rolou na Taíba em 1995, também foi marcante, pois reuniu a nata do surf nordestino.
 
Você é conhecido por fazer alguns desafios com outras lendas do surf nordestino. Comente pra gente alguma coisa sobre isso.
 
Todos são meus amigos, mas na água eu os ignoro, pois tenho satisfação a dar aos meus patrocinadores, Baly Grip e Super Série.
 
Fale sobre o desafio contra o legend potiguar Leão da Califórnia, que rolou na Ponte Metálica e praia do Futuro em 1995.
 
Nós fomos de caminhão da Ponte Metálica até a praia do Futuro para participar da bateria, pois na hora não tinha onda suficiente na Ponte Metálica. Ganhei a bateria e Leão da Califórnia gritou para o público dizendo que ia me pegar em Natal. Em 1997, quando fui a Natal, Leão me derrubou no chão e me chamou de otário. Depois disso tive que ficar escondido no hotel sem poder treinar até a hora da bateria, que infelizmente
não aconteceu, pois Leão “puxou o bico”.
 
Fale também sobre o desafio contra Mano Brown, Sr. Peru e Neno.
 
Foi durante o campeonato Praia Limpa de Surf que rolou no Icaraí em 2004, com altas ondas. O público vibrou com o resultado, fui carregado nos braços como o verdadeiro “big rider” que sou. Não deu pra ninguém, deixei todos em ?combination?. Depois dessa final, os três atletas ficaram com raiva e me marcaram por algum tempo. Dedico essa vitória ao meu técnico Claytenes, que foi de fundamental importância nessa bateria.
 

##

Cearense costuma travar diversos duelos com outros legends do surf nordestino. Foto: Lima Jr.

Pottz, você foi o inventor de duas manobras novas no surf. Quais são e como se faz?
 
A primeira é o “mergulhão”, no qual você entra deitado no tubo e saí de pé. A outra é “flippotz”, em homenagem ao Martin Potter. É o mesmo flip do skate, no qual você pula e faz a prancha girar sozinha, daí continua na onda com as quilhas pra cima. Costumo fazer essas manobras apenas no free surf.
 
Fale sobre sua negociação com o Babau.
 
Um dia estava na praia do Icaraí, quando o Babau apareceu e propôs trocar sua prancha nova em minha prancha usada e mais o meu colete. Ele ficou tão empolgado ao pegar minha prancha que nem percebeu que estava trincada.

 

Pottz em montagem produzida por Lima Jr. Foto: Reprodução.

Ele quebrou a prancha em três pedaços logo na primeira onda, passou o dia inteiro me chamando enquanto eu me divertia no outside. Tive de sair na praia da Tabuba, já anoitecendo, para que o negócio não fosse desfeito, depois disso passei quatro meses sem aparecer no Icaraí.
 
Fale sobre sua comunidade no Orkut
 
Eu agradeço ao Renato Sousa, que fez a comunidade “Eu conheço o Pottz?. Lá você conhecerá uma parte da minha vida. Atualmente, a comunidade tem 54 membros.
 
O que significa a palavra “aloha” para você?

Todos que me conhecem sabem, e para os que não me conhecem, confiram na comunidade do Orkut.
 
Deixe seu recado para a galera.
 
Agradeço a Deus em primeiro lugar, à minha família, que sempre me apoiou, aos meus patrocinadores Baly Grip e às eternas pranchas Super Série. Para a galera, a palavra é perseverança, pois a vida é cheia de altos e baixos. Continuem surfando, surf é saúde e vida. Gostaria de mandar um beijo especial para Juliana, minha nova namorada.

Aproveito a oportunidade para fazer um apelo às autoridades competentes, para que não abandonem a nossa praia, o Icaraí, que já foi cenário de vários eventos importantes no segmento do surf estadual, nacional e mundial. Atualmente a praia está totalmente abandonada.

 

Agradeço também ao Netão, presidente da Associação SOS Árbitros do Ceará, Romero Jucá e Amélio Jr., da Federação Cearense de Surf, ao Raimundo Bernardo “Pena”, Demétrio, Armando Junior ?Praça? e Zuza, árbitros de surf, Roberval, o “Flash Gordon” do sistema de computação, Clodô, da Top 16, Dida Lopes, da Cilindro, Kitson Baly Grip e toda a equipe do Cearasurf, que me recebeu muito bem e abriu este espaço para mim.


Nome –
Alberto Pottz
Idade – Deixa quieto…
Tempo de surf – 14 anos
Música preferida – Rock
Comida preferida – Peixe, pizza, sanduíche de ovo.
Melhor pico do Ceará – Icaraí
Melhor onda do Brasil – Cacimba do Padre, Noronha
Bebida – Água de coco e Coca-cola
Viagem de sonho – Teahupoo
Ídolos – Martin Potter, Occy, Carlos Burle, Tony Lira e Ayrton Senna.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)