Minha primeira surf trip

Adisaka narra aventura no Peru

Gabriel Adisaka chega ao Peru em sua primeira viagem internacional. Foto: Itamar Guimarães.

Gabriel Adisaka, atleta de Ubatuba (SP), está há uma semana no Peru, onde treina para aprimorar seu surf.

 

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Em sua primeira surf trip internacional, o garoto de 16 anos faz um diário completo com detalhes de sua nova experiência.


Confira abaixo o relato da primeira semana de Adisaka, no qual ele aborda as primeiras impressões, amizades que já fez e até um forte mal-estar que sentiu no Peru.

 

1º dia Na véspera do embarque para o Peru, fui dormir só umas 2 horas da manhã pensando na minha primeira viagem gringa. Ansioso para saber como tudo ia rolar, já estava com as malas prontas e as pranchas na capa.

Ele não se intimida e logo de cara dropa as ondas geladas de Punta Rocas. Foto: Itamar Guimarães

 

Acordamos às 3:30 horas para ir para São Paulo embarcar

(moro em Ubatuba). Peguei minhas coisas e vendo tudo na casa, já bateu uma pequena saudade: “vai demorar pra ver tudo isso de novo”, pensei, mas quando olhei as louças sujas não pensei mais nisso (risos)! As louças em casa são minha responsa.

 

Chegamos as 6:30 horas em São Paulo no aeroporto quase vazio. Encontramos o Guima (Itamar Guimarães, fotógrafo e videomaker da viagem), tranquilo, o vôo era as 9:25. No check-in, tivemos um problema de excesso de peso devido uma informação errada que tínhamos, mas tudo resolvido.

 

A empresa aérea LAN é a única que não cobra para transportar pranchas. Eles são maneiros para resolver os problemas. Vale um toque: informe-se diretamente com a empresa aérea o limite de peso para evitar surpresas.

 

Tivemos um outro problema: o modelo de autorização para um menor de 18 anos viajar desacompanhado tem que ter foto do menor e assinaturas dos pais reconhecidas em cartório.

Com tudo isso, mesmo sendo um dos primeiros a chegar, fomos os últimos a embarcar e quase não consegui despedir do meu pai!

A viagem foi tranquila, o rango meio caído, mas as paisagens animal. Cordilheira dos Andes, o Lago Titicaca, que pensei que era o mar, é muito grande (risos).

Em Lima foi estranho, as pessoas falavam muito rápido e os peruanos em geral querem te sugar. Passei de boa e fiquei lá fora esperando o Itamar, que ia filmar a minha chegada. Mas a alfândega não deixou, demorou uns 40 minutos pra ele sair depois de pagar US$ 40, pois estava com dois notebooks.

Um amigo da pousada veio nos buscar. De Lima até Punta Hermosa deu 1 horinha. No caminho, paramos em uma padaria local e comemos umas coisas bem diferentes, doces que eram demais!

Almoçamos já pensando como ia ser o surf. Mesmo cansados, fomos conhecer Punta Rocas com uma galera da pousada. Antes de cair e pisar na água, olhei paras ondas e pensei: “Minha primeira queda!”. A temperatura foi um choque! Gelada demais! Se não fosse o long da Rip Curl não ia dar, sério, sou muito friorento.

Tinha ondas boas, o drop era cavado e depois ela engordava. Deu para sentir a vibe do fundo de pedra, foi show! As pedras ficam bem submersas, só para sair e entrar que tinha que desviar de algumas, mas acostuma logo.

Para ir e voltar para o pico ficamos na pista da estrada. Em menos de dois minutos passou uma van que  nos levou de volta por 2 soles (dinheiro local)! Irado.

Voltamos para a pousada e jantamos assistindo as imagens com toda a galera. Mó vibe, vários brasileiros aqui, muito legal. Fui dormir amarradão porque deu tudo certo.

 

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Adisaka compara Punta Rocas com a Praia Grande de Ubatuba em dias clássicos. Foto: Itamar Guimarães.

2º dia Acordamos cedo, com um frio do caramba e neblina forte. Vimos as ondas da pousada e parecia estar bom. Tomamos café, vestimos um long 3.2 selado e partimos para Punta Rocas.

 

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O mar estava bem parecido com o final de tarde anterior, 1 metro. Nas séries vinham umas maiores do nada, varrendo todo mundo. Por aqui isso é normal, porque as ondulações são oceânicas. O Guima armou seu equipamento e fui para a água com um pouco de medo (risos).

 

Para entrar é tranquilo, você rema num canal enorme, porém nele tem de todo tipo de espécie marinha (risos)!

 

Surfista aproveita e registra a natureza exuberante do lugar. Foto: Gabriel Adisaka.

O crowd também foi tranquilo, só tinha brasileiro, parecia Itamambuca no final de semana! Passou um bando de

golfinhos perto da gente, uma coisa única muito bonita.

 

Surfei bastante e quando saí do mar anestesiado o sol começou a brilhar. Logo aproveitamos para fazer o lifestyle no pico. Aqui parece que você está no meio do deserto, o ar é seco e não chove há mais de 20 anos. Muito pó e a noite é muito frio!
 
Voltamos para a pousada animados com o sol e as ondas  ficaram lá, quebrando sem parar. Almoçamos, demos um tempinho e novamente água! Voltamos pra lá, desta vez foi diferente, o Guima foi surfar e eu filmei. Quando ele ia sair, eu preferi continuar filmando, pois meu nariz estava muito ruim.

O sol estava estralando, queimando tudo e as ondas estavam um pouco menores do que cedo, pois o swell estava diminuia a cada dia. Mas elas quebravam do mesmo jeito, uma direita parada e a esquerda para o canal, um paraíso para quem é fissurado em surfar.

Filmei uns lagartos na praia e o pôr-do-sol foi impressionante, enorme e laranja, era bonito ver ele morrendo no Pacífico, iluminando tudo pela frente! Show! Na volta o mesmo esquema, jantar e conferir as previsões. Fomos para cama totalmente exaustos!

 

3° dia Não acordamos muito cedo, pois estávamos muito cansados. O fuso horário pega um pouco, são 3 horas a menos do que no Brasa.

 

Tomamos um café da manhã, joguei tênis de mesa com a galera e decidimos surfar na hora do almoço, um horário mais vazio. Dito e feito! Chegamos ao pico por volta do meio dia e havia muitos peruanos na água, só que eram os mais velhos, de longboard, na boa.

Não demorou muito e todo mundo saiu, ficou eu e mais uns quatro surfistas. As ondas demoravam muito, mas peguei umas boas. Quando você dropa e ela fica em pé, você não quer nem saber o que tem embaixo, se é pedra, coral, areia, manda no olho (risos)!

Voltamos, almoçamos e demos um tempo. Depois fui com um japa que mora na Austrália e um baiano até a vila da cidade comprar uns chocolates só por 0,50 soles! E tem de todo tipo!

No caminho a gente falava bastante com o japa, muito engraçado. Ele é meio hippie, usa umas roupas engraçadonas e seu cabel é em pezão!

De volta à pousada, jogamos umas partidas de tênis de mesa. Chegaram dois irmãozinhos de 8 e 10 anos com seus pais, estavam no Norte e pegaram altas ondas.  Quando deu umas 5 da tarde, fizemos um finalzinho de tarde (eu, o japa, os molequinhos e seus pais).

A galera foi andando na frente, eu e o japa ficamos para trás. Da pousada até a pista, onde se pega a vanzinha, é uma caminhada de cinco minutos. Nessa fui conversando com ele, muito engraçado.

Dava uns minutos sem conversa, mudos, estranho! Falávamos só o básico e caímos na água e voltamos juntos, muito hilário o cara! É bom porque assim aprendo inglês, a falar e ouvir. Todo aprendizado é positivo.

 

Depois da queda estava muito frio, um vento gelado, voltamos correndo. Tomei banho, arrumei minhas coisas e desci para mexer na net. A galera estava no jantar, muita gente. É legal porque quando eles vêem uma onda boa, no jantar eles comentam, é legal!

Dormimos e amanhã é outro dia!

 

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Famosas ondas de Punta Rocas atraem muitos brasileiros ao Peru. Foto: Itamar Guimarães.

4º dia Acordamos em mais um dia no paraíso das ondas, porém desta vez o swell não colaborou.

 

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Olhamos da pousada e o mar não estava nada animador. Aproveitei e fui com a galera para Lima. Dividimos a van em sete pessoas, custou 20 soles (R$ 7), baratinho!

Fomos por volta das 11 horas da  manhã. O centro de Lima é muito bonito e chique, com vários ônibus executivos, rodoviárias, carros importados, uma cidade grande.

Mas, meu amigo, quando fomos chegando na “25 de março” do Peru, a coisa ficou feia! É muita gente andando, falando, vendendo todos os tipos de comida, objetos, tudo que possa

Pôr-do-sol no Pacífico: “Enorme e Laranja”, nas palavras de Gabriel Adisaka. Foto: Itamar Guimarães.

imaginar. E o fedor é horrível. Mas não demorou muito e chegamos ao nosso destino: a Galeria das Pratas!

 

Eram muitas lojinhas, uma do lado da outra, recheadas de toda variedade de correntes, brincos e pulseiras. A galera fez a festa (eu acabei não comprando nada, vou deixar para o final da trip).

Depois andamos mais um pouquinho, mais correntes e mais loucura. Quanto mais nós andávamos, mais era movimentado.

Depois de a galera esvaziar os bolsos e enchê-los de pratas, compramos uns CDs de música local (muito irado a vibe da musica) e mais à frente uma caixa de chocolates igual no atacado! Maneiro!

 

Voltamos para o estacionamento e fomos na loja da Rip Curl. De novo a galera fez a festa, e como!

Por último, para completar, fomos ao um mercado Inca, um lugar com muita história em forma de objetos, quadros, roupas, vasos, muito louco o pico!

 

Enfim, já exaustos, voltamos para a pousada felizes da vida, pois mesmo sem surfar nos divertimos muito (eu falando espanhol com as pessoas era hilário). E para comprar as coisas, sempre naquela vibe de surf, zuando!

Um lance engraçado foi quando a galera desceu da van, já na pousada, cada um com uma sacola enorme na mão, parecendo aquelas mulheres peruas depois das compras, só que eram homens (risos)!

 

Depois cada um foi para o seu quarto tomar um banho para jantar. Ficamos ali na sala e logo cama! Foi um dia bem maneiro, muito divertido e saudável! Amanhã tem mais!

5° dia Hoje foi um dia mais soft. Acordei às 8 horas, tomei café e praia! Fez um dia de sol muito bonito (aqui é raro), tinha umas ondinhas legais, com bastante gente na água, chato. Vários peruanos locais de longboard e stand up, mas isso foi show!

Voltamos na hora do almoço e comemos. Fui jogar pingue-pongue com a galera, parecia um campeonato (risos). Depois usei a internet, vi meus e-mails e chegou o final de tarde. Acabou que nem fui surfar. Jantamos, de novo internet, falei com meus pais no skype, assisti uns filmes de surf e fui dormir.

6°dia Acordamos cedo, o sol já brilhava e fomos animados para Punta Rocas. Estava bem quente dentro da roupa de borracha, mas a água parecia estar mais gelada do que nunca!

Cai pela esquerda, pulei de um píerzinho de pedra (com medo) e fui remando até as esquerdas. Estava bem difícil, maior que o dia anterior. O vento estava começando e na onda tinha vários bumps. Não me achei muito, fiquei boiando uma cota e travei de frio! O pé e a mão formigavam. Logo saí do mar e vim direto pra pousada.

Comemos normal, e ainda com um solzão voltamos para a praia. Estava um final de tarde muito bonito. Nesta queda eu me achei e peguei as ondas muito boas, parecia com a PG (Praia Grande, Ubatuba) clássico, mas uma PG que durou várias horas.

Depois saí do mar e o Guima entrou pra surfar. Eu estava com muito frio e outro amigo ficou filmando. Eu vim embora! No jantar foi normal, mas depois fiquei super mal! Não sei o que foi, mas fiquei malzão!

Subi para o quarto e fiquei deitado, pedindo a Deus me ajudar, pois estava com muita ânsia de vômito. Aí não aguentei, olhei para a privada e mandei. Voltei para cama, não deu meia hora e outra e sucessivamente, isso mais cinco vezes! Estava podre!

 

Para dormir foi horrível, não conseguia, não tinha ninguém me ajudando e fiquei sozinho na madruga. Nesta hora bateu saudades e senti muita falta dos meus pais, vi que sem eles não dá. Fiquei com vontade de voltar para casa, abraçá-los e ficar com eles. Nestas horas rola essas ideias….adormeci.

7° dia Acordei meio baqueado da noite anterior, cheio de dor nos músculos. Desci para pegar um suco de manga natural e quando voltei quase caí no chão, a pressão abaixou do nada quase desmaiei.

Nesta hora o “Bahia” (de Itacaré) veio e me ajudou, a galera foi bem legal, deram remédio e soro caseiro. Gostei que houve um suporte, porque nestas horas, quando você está mal, tudo que se quer é um pouco de atenção.

Passei o resto da tarde deitado descansando e mofando. Ainda bem que tem internet! Falei com uns amigos, meus país. Aliás, hoje foi um dos piores dias de onda, ventando muito e marola.

Ainda bem que Deus está comigo e me ajudou na recuperação, felizmente parei de vomitar! No jantar só comi uma sopinha e depois já fui dormir.

 

Gabriel Adisaka viaja com o apoio da Oakley e da Lightning Bolt.

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