A vida que pediu a Deus

O paulista radicado no Hawaii Daniel Skaf, 31, tem a vida que pediu a Deus. Há oito anos ele vive no arquipélago havaiano como sempre sonhou.

 

Daniel conta que em suas orações, pedia para surfar no Hawaii pelo resto da vida, trabalhar com algo que amasse e que encontrasse sua alma gêmea.

 

Em 1998, Skaf convenceu o pai de que poderia terminar a faculdade no Hawaii e seguiu em busca do sonho.

 

Atualmente, ele dá aulas de comunicação em duas faculdades e nas horas vagas desfruta de

todo o potencial de suas ondas preferidas: Sunset e Waimea.

 

Eventualmente, ele ainda curte as gigantes ondas de Jaws, na ilha de Maui, e depois volta para os braços da mulher, Jacquelyn.

 

Nesta entrevista, Daniel Skaf conta como é sua vida no arquipélago.

 

São quantas temporadas havaianas no total?

Já curti 13 temporadas no Hawaii.

 

Como é seu dia-a-dia no arquipélago?

Meu horário é bastante flexível, o que possibilita muito o surf.  Dou aulas à noite e trabalho em documentários durante o dia.

 

Quais são suas ondas preferidas?

Gosto muito de Sunset, uma onda grande, forte e tubular; Waimea e
também tive a oportunidade de surfar Jaws, que considero uma onda tenebrosa.

 

Comente alguns momentos inesquecíveis no Hawaii?

 

Em 1994, ajudei um havaiano a sair do mar em Sunset, com 12 pés plus e séries variando entre 15 e 20 pés. Saímos do mar às 20:30 horas! Todos os carros no estacionamento de Sunset estavam com os faróis ligados, incluindo bombeiros, ambulância e polícia. O havaiano tomou uma série grande na cabeça, perdeu a prancha e quase se afogou. O carioca Biju deu sua prancha para o havaiano e saiu nadando no braço.

 

Quando encontrei com o local, tive que rebocá-lo até a praia, pois ele estava tão assustado que não conseguia nem remar. Ele tinha uns 50 anos e não estava preparado fisicamente. Como o mar crescia rapidamente, a onda de Kammie Land emendou com a de Sunset, fechando totalmente o canal. Comecei a puxá-lo com minha cordinha às 18:30 horas e, 10 minutos depois escureceu.

 

Finalmente, depois de 2 horas remando no escuro contra a correnteza, fomos varridos por uma série gigante e cuspidos para fora. A meia lua que iluminou nosso caminho nos salvou. O segundo momento foi na manhã anterior ao campeonato Eddie Aikau em janeiro de 1999. O big rider havaiano Clark Abey surfava sem cordinha e quebrou a perna.

 

Fui até o inside de Waimea e consegui resgatar a prancha de Abey, que a perdeu quando caiu numa onda gigante. Quando eu voltava para o fundo, a baía fechou completamente na minha frente. Grudei na prancha e segurei-a com toda força. Por um milagre consegui levá-la até ele.

 

Quando cheguei lá, ele gritou que havia quebrado a perna. Ele pegou a prancha e juntos remamos até a praia. Graças a Deus conseguimos varar o quebra-coco no inside. O fato ocorreu no dia em que o Rodrigo Resende pegou uma onda gigante e ganhou o primeiro prêmio do Big Trip.  O mar estava com ondas de 20 pés com séries chegando aos 25 pés.

 

Clique aqui e confira a performance de Daniel Skaf no Hawaii

 

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Em 1998, você ligou para o seu pai do Ehukai Beach Park e, depois de duas horas de conversa, conseguiu convencê-lo de que o Hawaii era o lugar da sua vida. Como tinha tanta certeza?

 

A primeira vez que vim ao Hawaii foi em 1994. Eu, o Bruzzy e o Jacó moramos juntos e trabalhamos em pesca e construção para sobreviver.

 

Depois de um ano e meio, voltei para o Brasil, pois não queria ficar no Hawaii sem ter condições para trabalhar legalmente.

 

 

Nos três anos seguintes, mesmo com patrocínio da Red Nose e Spy, e indo ao Hawaii todas as temporadas, não consegui me adaptar ao Brasil.

 

Em 1998, fazia faculdade na Anhembi-Morumbi em São Paulo. Para minha surpresa, a faculdade Brigham Young University, localizada a 15 minutos de Sunset Beach e Pipeline, custava o mesmo preço porque o dólar estava equiparado ao real.

 

Como meu pai pagava meus estudos, disse que se ele continuasse pagando o mesmo valor, eu mudaria para o Hawaii e pagaria todas minhas contas.

 

Graças a Deus deu tudo certo e acabei me formando em Comunicações com ênfase em Estudos de Culturas Internacionais e Informática. Conheci também a mulher da minha vida, Jacquelyn, e estou casado há seis anos.

 

Você morou na Califórnia (EUA) em 2002. O que achou?

 

Fiz um curso de mestrado em cinema em Los Angeles. Foram três anos de estudos e me especializei na produção de documentários. Resolvi voltar ao Hawaii em 2005 porque não gostei muito da vida na Califórnia.

 

Não foi ruim. Tinha um trabalho legal em um canal de televisão, fazia snowboard toda semana e surfava Trestles, onda que considero mágica. Porém, não conseguia ficar longe das ondas grandes e da água quente do Hawaii, além do estilo de vida, bem tranqüilo e parecido com o Brasil.

 

Fale um pouco sobre sua profissão e o documentário ?Minha Humanidade?, que ganhou prêmios até no Brasi.

 

Estou dando aula de comunicações, câmera e montagem na Chaminade University, Hawaii Pacific University (HPU) e Kahuku High School. Faço também trabalhos e documentários para empresas locais. No momento, estou produzindo um sobre as Ilhas Cook, arquipélago localizado ao lado do Tahiti.

 

Meu último documentário, “Minha Humanidade”, aborda uma família que adotou dez crianças com paralisia cerebral e explica como é viver com a mente sadia em um corpo que não funciona. Essa foi uma das minhas experiências mais marcantes e o documentário ganhou o prêmio do público na categoria “Melhor Curta Estrangeiro” na 29º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2005.

 

Como estão seus planos para o futuro?

Pretendo continuar dando aulas em faculdades e produzir documentários no Hawaii.

Quais são os pontos altos e baixos de morar no Hawaii?

 

Os pontos a favor são óbvios: lugar civilizado sem violência, economia forte, clima tropical e ondas grandes. O lado ruim é ficar longe da família.

 

Muita saudade?

Muita. Mas, tudo bem. O plano é visitar o Brasil de dois em dois anos.

 

Clique aqui e confira a performance de Daniel Skaf no Hawaii

 

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