Física aplicada

A verdadeira energia do surf

Zecão entra na onda rebocado por jet no North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: Dave Collyer.

O texto abaixo foi traduzido do site Pop Sci e traz uma interessante explicação, do ponto de vista da física, da impossibilidade de haver surf na remada em ondas gigantes. Segundo o autor Adam Weiner, o surfista não consegue alcançar uma velocidade de remada semelhante à velocidade da onda. No texto, ele também calcula a velocidade em que o surfista chega à base da onda.

 

Existem poucas coisas mais impressionantes do que assistir a um surfista descer uma monstruosa “bomba” de 20 ou 30 metros. Na verdade, isso que o surfista faz deve gerar muita adrenalina. (Já surfei ondas com um quinto deste tamanho e mesmo assim a energia delas pode ser surpreendente!).
 
Na foto ao lado podemos ver o surfista rebocado para a onda com o auxílio de um jet ski. Se você está familiarizado com o surf, sabe que é impossível surfar ondas desta dimensão da maneira “tradicional”. Você tem que ser rebocado. E você sabe o porquê disso? Não é de se surpreender que a resposta tenha tudo a ver com alguns princípios básicos da física.

 

Então, vamos examinar a física desse aspecto particular do surf ? o “drop”. Próximas da costa, as ondas pequenas têm velocidades que podem variar de 13 a 16 quilômetros por hora, enquanto uma onda realmente grande possui até 57 quilômetros por hora. Para conseguir surfar, você deve remar à frente dela, com velocidade suficiente para a onda não passar direto por você.

 

Mas só remar não te coloca na onda. E você não pode remar tão rápido como a onda se move. Você precisa igualar a velocidade da onda se quiser entrar ?de carona? nela. Para alcançar a velocidade da onda, é necessário usar o potencial gravitacional energético das ondas. O truque é obter velocidade suficiente na remada para sua prancha começar a descer enquanto a onda viaja sob você.

 

Enquanto desce pela face da onda, a energia potencial gravitacional obtida é convertida em energia cinética e você passa a se mover tão rapidamente como a onda. De fato, se continuar a descer até a base da onda, você começa a se mover mais rapidamente do que ela. E se não fizer a cavada, será deixado para trás pela onda.

 

Podemos utilizar conservação de energia para calcular a velocidade aproximada de um surfista enquanto ele atinge a base logo depois do drop:

 

Energia cinética do surfista na base = energia cinética do surfista no topo + energia potencial do surfista no topo

 

energia cinética = massa do surfista X velocidade do surfista elevado ao quadrado dividido por dois

Energia potencial = massa do surfista X aceleração gravitacional da terra X altura da onda

 

Também consideramos não haver nenhuma perda significativa de energia pelo atrito da prancha e água.

 

Então, por quê é impossível remar numa onda demasiadamente grande? Ondas grandes deslocam-se mais rápidas, e essa onda gigante para a qual você tenta alcançar o ritmo é simplesmente rápida demais. Você simplesmente não consegue gerar velocidade de remada suficiente para entrar na onda. Você precisa de um jet ski para atingir a velocidade que precisa.

 

Finalmente, vamos calcular qual sua velocidade depois de dropar uma onda de aproximadamente 20 metros (70 pés). Resolvendo a equação acima, para uma onda com velocidade de 56,32 quilômetros por hora e uma altura de cerca de 20 metros (70 pés), chegamos a um resultado de 91.73 quilômetros por hora. Agora você só tem que dropar, evitar o lip sinistro, conseguir dar um cutback, rezar para a onda não fechar e não te arrastar por 250 metros sob uma avalanche de espuma branca.

 

Esse artigo foi publicado no site Pop Sci e Adam Weiner é o autor de Don’t Try This at Home! The Physics of Hollywood Movies (Não tente fazer isso em casa! A física dos filmes de Hollywood).

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.