Filho de peixe, peixinho é. Meu pai Josa Lucas é shaper desde 1979 e sempre tive mais interesse na parte de fabricação das pranchas.
Desde moleque eu já trabalhava para o velho na fábrica dele. Era uma espécie de ?pau pra toda obra?. Colocava quilhas, lixava, fazia o acabamento, sempre de olho em tudo, pegando as manhas do negócio. Na época dividia meu tempo entre a fábrica e a escola, e só fabriquei minha primeira pranchinha aos 10 anos. Mas, daí em diante, não parei mais.
Além das minhas pranchas, comecei a fazer foguetes para os meus amigos também e todos adoravam. Quando completei 18 anos já fabricava para clientes e consegui juntar uma pequena grana. Tive a ideia de ir pra Espanha aprimorar meu trabalho, mas havia um pequeno problema, eu não conhecia ninguém por lá.
Meu tio Petronio é shaper e tem uma fábrica em Mongaguá. Como ele já havia viajado para a Espanha, me indicou um amigo para me buscar no aeroporto. Fiquei quatro meses na casa dele e consegui emprego em uma fábrica chamada Full&cãs. Retornei ao Brasil para dar uma força ao meu pai em São Paulo e voltei a Espanha dois meses depois. Mas com a crise européia, o caldo começou a engrossar por lá.
Sem dinheiro, trabalhava em duas fábricas para levantar uma grana. Foi quando a sorte começou a mudar. Um amigo estava montando um negócio de exportação de pranchas na Costa Rica. Ele entrou em contato comigo e me mandei para lá. Bom, estou aqui até hoje e o nome da fábrica em que trabalho é Surf Factory, além de termos outras duas marcas, a All Ocean e a Cocos.
Aqui já vieram shapers de renome internacional e pude aprender várias técnicas novas. Está sendo uma experiência muito gratificante morar aqui na Costa Rica, onde tem grandes ondas.
Bom, é isso galera! Em dezembro quem quiser conferir os meus foguetes apareça lá em Maresias na Kuwamoto Surf Boards, do meu irmão Gustavo. Queria mandar um grande abraço para meu amigo espanhol Cesar Girone e um beijo especial à minha familia. Não posso esquecer também da galera do Brasil e dos brothers que estão no dia-a-dia trabalhando aqui comigo. Nos vemos no final do ano aí no Brasil, Aloha!

