A saga do mundial continua

Quem pensa na vida dos nossos surfistas no circuito mundial, não imagina como será este e os próximos meses, nem a grana que terão de investir.

 

Enquanto muitos estão entrando em férias, nossos atletas estão chegando no momento mais delicado do ano. É a hora do tudo ou nada. Uma verdadeira volta ao mundo, praticamente sem descanso, começou na última semana com o SuperSurf em Ubatuba e só vai terminar em setembro na Bahia.

 

Da nossa elite, cerca de 25 atletas, a maioria saiu direto de Ubatuba para o aeroporto de São Paulo e já está na África do Sul, onde rola o Mr. Price Pro, etapa 6 estrelas do WQS. Ficam lá até domingo. Quem faz parte do WCT vai direto para J-Bay para mais uma semana e meia.

 

Quem ainda não chegou lá, volta ao Brasil. Os mais novos como Bernardo Pigmeu e Jihad Khodr vão direto para Maresias, onde rola a primeira etapa do Billabong Pro Júnior. Ficam lá até domingo, dia 20, e já preparam as malas. No dia 26 começa na Califórnia outro 6 estrelas do WQS.

 

Mais uma semana competindo e o bicho vai pegar, pois o evento termina num domingo e na terça começa a série de três eventos de alto nível do WQS na França. Alguns ainda vão arriscar ir para Inglaterra onde rola um 4 estrelas. Na Europa, praticamente todos que disputam o WQS e o WCT vão estar lá, pois é tudo uma semana colado na outra e são competições de 5 e 6 estrelas com 2.500 pontos em jogo e U$ 125 mil dólares em dinheiro. Quem olha assim pode até imaginar que a vida é maravilhosa. Um dia na África, outro em Maresias, outro na Califórnia e depois na Europa. Mas viajar de férias é uma coisa.

 

Agora, competir com toda a pressão de ter que voltar com um resultado, gastando horrores em dólares, encarando um fuso horário em cada país – dormindo de dia e ‘corujando’ desesperadamente à noite -, comendo comida estranha, tendo que buscar hotel sempre próximo e barato, alugar carro, etc…

 

Bom… Acredito que tem gente ainda achando que a vida deles é fácil. Mas não é que este ano depois de três semanas na França eles partem direto para o Japão onde rola outro evento 6 estrelas. É tudo assim, termina um campeonato no domingo e começa mais um na segunda, só que do outro lado do mundo. E no Japão, se não tiver alguém esperando no aeroporto, um carro para levar até o local do evento e ainda um hotel reservado, melhor nem ir.

 

Mas nossos brazucas são guerreiros e sabem que na volta ainda terão de chegar em São Paulo e já embarcar para Bahia onde rola a quarta etapa do SuperSurf. Mais uma semana envolvido com o campeonato e eles ganham uma trégua.

 

Depois de terem gastado algo próximo a R$ 20 mil, eles vão ver como anda a situação. Alguns tiveram de vender pranchas, roupas e etc para conseguir se manter no exterior. Outros ganharam uns dólares, mas esse dinheiro que era para ser deles vai para pagar o cartão de credito que deve estar estourando a qualquer dia.

 

É por tudo isso que o time brasileiro no circuito mundial é o mais guerreiro de todos. Além de toda essa preocupação, precisam surfar bem e conseguir chegar nas finais. E este ano eu não tenho dúvida alguma que o sucesso vai ser alcançado. Afinal, surf eles têm e, mais do que qualquer americano, australiano, havaiano ou europeu, merecem chegar no tão sonhado WCT.

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