Por trás das notas

A revolução feminista do surf

As maiores surfistas do Brasil estiveram presentes na grande festa do surfe feminino, realizada no último fim de semana (25 e 26/10) na praia da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, para participar do circuito Petrobras.

 

Representantes da elite do surfe mundial estiveram lado a lado com as pioneiras e com as novas feras da categoria que mais cresce no país. Não quero dizer que está tudo ótimo, que as meninas recebem o que merecem, mas não podemos negar o quanto a categoria evoluiu e que o futuro parece ser promissor.

 

Para quem viveu uma época em que as meninas ficavam na areia, ver acontecer um circuito exclusivo da categoria dá a sensação de ter testemunhado toda uma evolução que se iniciou no meio dos anos 80, e que vinte anos mais tarde promete ser a bola da vez.

 

Foi emocionante encontrar Fernanda Guerra, a primeira surfista brasileira, Roberta Borges, campeã brasileira de 1986, Brigite Mayer, primeira profissional do país, Andréa Lopes, tetracampeã nacional, Tita Tavares, ex-top do mundo, Jaqueline Silva, melhor brasileira no circuito mundial, Silvana Lima, a surfista do momento, e a novíssima geração, como a paraibana Diana Cristina e a ubatubense Carolina Ribeiro.

 

Em 88, ao voltar do mundial de Porto Rico, decidi investir nessa categoria. Nós estávamos em igualdade técnica entre os homens, mas existia um abismo enorme entre brasileiras, americanas e australianas. Já tinha ouvido falar de uma menina que morava no Riviera e que surfava que nem os homens.

 

Logo depois comecei a patrocinar e a treinar esta menina. Seu nome: Andréa Lopes. Acho que naquele momento criou-se um divisor de águas na categoria no Brasil. Pela primeira vez uma marca assumia a categoria seriamente e divulgava suas batidas retas em anúncios pelas revistas país afora.  

 

Muitos anos se passaram, parece que foi ontem, mas na verdade deu muito trabalho e exigiu uma grande dedicação por parte das meninas. Tiveram que vencer o preconceito, as diferenças, o machismo e a falta de mercado que fizeram com que o caminho fosse mais longo.

 

Muita coisa aconteceu e a principal delas foi o acesso mais fácil ao esporte através das escolinhas. Paralelamente, o mercado de roupas começou a dedicar mais espaço e, aos poucos, o setor feminino foi crescendo dentro dos pontos de venda até começarem a surgir lojas exclusivas para as meninas.

 

Voltando ao evento, o nível técnico foi altíssimo, apesar das ondas estarem pequenas e mexidas. A campeã Silvana Lima se apresentou muito bem, atacando as ondas como os juízes querem ver, aproveitando cada centímetro dela. A atleta executou um grande número de manobras fortes, o que sempre foi o ponto fraco do surfe feminino, marcado pela graça e leveza.

 

Não tenho dúvidas em afirmar que ela tem nível técnico para ser top do mundo, mas para isso terá que se acostumar às ondas havaianas, viajar para Austrália para competir em ondas longas, enfim, recuperar a distância que separas as brasileiras das gringas, em termos de horas de surfe em ondas boas.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

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Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.