A maior multinacional do mundo

Paulo Francis dizia que a maior multinacional do mundo é a ignorância. Concordo, cada dia mais, em gênero, número e grau.

 

Existem dois tipos distintos de pessoas que participam ativamente do fórum, um, mais espevitado, na terceira linha, ou apenas numa olhadela no título, já sai teclando suas caraminholas pelo vento, destemidamente.

 

O outro, supostamente mais sério, ativo e engajado, opina sobre tudo, tenta linguagem rebuscada e, também, quase nunca consegue se conter, ler o textinho até o fim, para então versejar. O resto é exceção, justificando a regra.

 

O ataque cego e imbecil ao colunista eventual Túlio Brandão deixa mais claro ainda o que sempre desconfiei: vai ser tarefa árdua desembaçar a cachola nebulosa e infeccionada da malta de leitores interessados no surfe como algo um bocadinho maior, mais digno, mais, digamos, profundo, como os tubos do Andy Irons em Teahupoo.

 

Afinal, temos, todos juntos, que lutar, literalmente, contra anos de imprensa sem opinião, corporativista, desinformada, despreparada e alienada.

Chegam, neste exato momento na minha caixa postal, 25 imeios de editores, ex-editores, assessores e afins clamando por justiça. Não há.

 

Túlio é surfista, goofy, pisa, ou pelo menos pisava, forte na prancha e competia sempre que podia nos campeonatinhos da zona sul. Não é, portanto, um leigo qualquer arriscando palpites infundados.

 

Ele não deve ter mais de 28 anos e é jornalista do jornal “O Globo”, sim, aquele mesmo, do dono de tudo e de todos, Dr. Roberto. Penso que ele escreve para um saite como o Waves porque deve sentir muita falta de poder falar sobre o que realmente gosta.

 

Não concordo e, muitas vezes, nem gosto do estilo, do jeito dele escrever, demasiado ‘formatado’ para atender um padrão que, sei lá por que diabos, a grande maioria se submete. Mas isso não me impediria jamais de defendê-lo, como faço aqui.

 

Não me surpreende, logo aviso. O brasileiro médio gosta de esculachar seus ídolos, mas não admite que ninguém, principalmente publicamente, esculache. Não foi o caso. O artigo, como sempre oportuno, como o assunto do momento, é uma homenagem ao Neco, um incentivo e um alerta.

O problema é que quase nenhum filho desta mãe gentil se deu ao trabalho de ler a porra do texto até o fim.

 

E isto, malandragem, é um ‘puta’ dum problema – como dizem os paulistas.
Já tinha sido ensaiada uma rebelião dos preguiçosos quando o acadêmico Marcello Árias escreveu seu tratado sobre ímpetos.

 

Teve gente reclamando que era maneiro o texto, mas que dava muito trabalho pra ler?

Ponto para o Marcelo!

 

Verdade seja dita: ler no monitor do computador é uma merda. Melhor se o texto não for gigantesco, reduz os riscos de ficarmos ceguetas antes da hora.

 

Para quem escreve, a interpretação é fundamental, diga isso ao Veríssimo que sofreu na final do ano passado por ter escrito com excesso de ironia refinada.

 

Os boiolas Jean Genet e Oscar Wilde também comeram o pão que a Rainha da Inglaterra amassou. O Neco, provavelmente, caminhou e defecou sobre toda essa conversa boba e enquanto você termina de ler esse texto com esforço, ele deve estar brincando com o filho Nicholas, pegando onda na Joaca ou batendo uma bóia na Vilma.

 

O que o Túlio quis dizer e eu assino embaixo é: deixem o Percy em paz.
Ele merece.

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