Olá galera, espero que tenham gostado da minha primeira coluna. Sugestões de novos assuntos serão sempre bem-vindos.
Com muito prazer, apresento um novo achado em nosso litoral. Relato na coluna de hoje uma sessão de surf alucinante com os amigos. E o melhor: no pátio de casa!
Cheguei das etapas do Mundial no Chile e no Peru no início do mês de junho. A princípio ficaria bem pouco no Rio, pois estava com passagem marcada para a Califórnia. Mas, com várias ondulações, este outono no Rio me surpreendeu muito e ainda quase todas vieram sem vento.
Não pensei duas vezes: adiei minha passagem, peguei altas ondas com meus amigos e, além de tudo, curti a família.
Eu já previa este swell de Sudeste. Quando entra uma ondulação deste tipo aqui no Rio fica até difícil escolher o pico certo, devido à formação de lajes.
Foi então que, em um domingo à noite, o surfista Guilherme Correia me ligou e confirmou que havia mesmo a grande possibilidade desta laje funcionar. Não pensei duas vezes: resolvi encarar e desbravar este dia que prometia ondas de grande potencial, ainda mais perto de casa!
O despertador tocou às 5 horas da manhã e lá fora estava um frio de 18º C (para nós cariocas é o fim do mundo). A dificuldade em acordar era grande, ainda mais com a namorada dormindo ao lado e pedindo ficar um pouco mais na cama. Que maldade! E ainda há pessoas que falam que vida de surfista é mole.
Cheguei ao lugar marcado e estavam todos ansiosos. Dava para ver algumas espumas enormes quebrando no pico. Neste momento deu para imaginar o que nos aguardava.
Tudo preparado para pegar o barco. Enquanto isso, passam de jet-ski os surfistas Marcelo Trekinho e Bruno Santos, com qual eu e o Dudu Pedra já pegamos uma carona. Chegamos ao pico e logo veio uma série. Vi uma onda parecida com Teahupoo, só que para a direita.
Dudu, que já conhece o pico, se jogou em uma onda poderosa e só consegui ver ele sendo arremessado, isso com pedras lá em baixo! Já dava para perceber que seria um daqueles dias para ficar na memória. Dito e feito!
Confesso que nas primeiras ondas estava apavorado (apesar de algumas pessoas acharem que não tenho medo, também sou ser humano). Eu estava pela primeira vez naquele pico, o Dudu me zoava a cada série e mandava eu remar rápido para que ela não me pegasse.
Mas o melhor de tudo: via aquelas ondas quebrar em uma bancada que graças a Deus eu nem descobri a profundidade. Acho que minha melhor onda foi uma da série na qual fiz um drop bem atrasado. Consegui consertar e já estava dentro do tubo quando consegui passar todas as seções. Saí lá no canal.
Mas, como em todo dia clássico, sempre se passa um perrengue e esta session não foi diferente. Peguei uma onda intermediária que acabou no meio da bancada e quando veio a onda de trás eu estava bem em baixo do pico.
Detalhe: esta laje, que é de direita, só quebra com ondulação de Sudeste, ou seja, a corrente te joga ainda mais para dentro do pico. Em seguida veio um tubão e vi o Dudu se jogando.
Consegui passar no limite. Na segunda onda, que devia ter quase uns três metros, vi que não dava para passar mesmo. Tirei a cordinha do braço e mergulhei em direção ao canal. Graças a Deus eu não fui arrastado, mas minha prancha foi parar a uns 300 metros dali.
Foram ondas incríveis e agradeço por cada imagem registrada na cabeça. Dividir as emoções e perrengues deste dia tão especial com amigos de tantos anos como Guilherme Correia, Dudu Pedra e Porquito, não tem preço!
O melhor de tudo é que ninguém combinou nada, mas as figuras apareceram. Outras duplas chegaram de jet: Danilo Couto, Rodrigo Resende, Ylan Blank, entre outros. Todos nós desfrutamos daquele pico alucinante.
Mais maneiro ainda foi terminar a session, tomar um açaí e em 30 minutos estar com a família novamente. Agradeço a Deus por colocar uma onda deste nível ao lado de casa!
Leia mais