Pororoca

A ira do Araguari

Novamente me encontro no Porto de Santana, no Amapá, só que desta vez com destino a Belém do Pará. Porém, com muitas histórias para contar e a lembrança das poderosas e infinitas ondas do rio Araguari.

Estou ainda sonhando acordado, pois esta é, sem dúvida, a maior, melhor e mais perfeita onda de surf da região Norte do Brasil, e um dos maiores picos de surf do mundo, e logicamente um dos mais distantes também. Características de picos mágicos?

Surfar essa onda é sinônimo de aventura ao extremo, misturado com adrenalina a mil por cento, e uma dose cavalar de loucura. Mesmo com tudo parecendo normal, os perigos e as ondas surfadas conferem ao pico um status de obra prima da natureza.

Se existem as sete maravilhas do surf, certamente a onda do Araguari é uma delas.

Surfar essa onda em toda a sua plenitude, significa superar medos e obstáculos muitas vezes correndo riscos diversos. Surfar essa onda significa estar em um patamar elevado de surf, verdade seja dita, não é uma onda para iniciantes e muito menos para surfistas que não possuem a força da remada, a raça da sobrevivência e o sangue fervendo nas veias.

Trata-se de uma onda perigosíssima, uma onda mutante, que a todo o momento controla as situações e nos envolvem em um estado de nirvana, misturados aos limites máximos do corpo humano…

Surfar essa onda é conhecer o paraíso, é sentir a paixão pelo surf fundir-se em seu coração acelerado, e acelerando.

Surfar essa onda é muito mais que deslizar sobre as águas…

Surfar essa onda é perceber que alguém lá em cima gosta de você…

Nada é para sempre, mas ao dropar um expresso selvagem nas lamacentas e revoltas águas do Araguari, é sentir que o dever foi cumprido e receber as bençãos de Deus…

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)