Por trás das notas

A importância do estilo

No mundo em que vivemos a estética e a beleza são hipervalorizadas. Ser bonito e ter  estilo, em muitos casos já é meio caminho andado. No surfe não é diferente, e ainda avaliamos a fluidez como resultado da forma com que cada um reage às diferentes nuances e momentos que as ondas do mar nos apresentam.

 

Na essência, o estilo de cada um é impregnado de informações genéticas hereditárias, seja para andar, correr, ou surfar. A prática também desenvolve maneiras e estilos de acordo com os tipos de onda, tipos de prancha, condições climáticas, tipos físicos.

 

Também sofremos influências de nossos ídolos e os vídeos, a partir dos anos 80, fizeram com que o jeito de surfar do Mark Occhilupo, Tom Curren e Kelly Slater fossem copiados em todos os lugares.

 

O estilo dos brasileiros em geral reflete a qualidade das ondas que nós surfamos, mas sempre tivemos talentos como Daniel Friedman, Picuruta Salazar, Felipe Castejá, Fred d’Orey, Valdir Vargas, entre outros, que fizeram escola no Brasil.

 

Mais tarde, nos anos 90, Fabio Gouveia com seu estilo refinado, Teco Padaratz com sua forma agressiva de surfar, e Vitor Ribas com uma técnica fora do comum, foram nossa cara para o mundo e influenciaram toda uma geração.

 

Comparando o circuito brasileiro amador de 1987 com o de hoje, a média melhorou muito. Quando viajamos podemos comparar bem as diferentes maneiras de surfar. Em algum pico na Indonésia, nas Américas ou na África, reconheço os brasileiros à distância. Temos uma maneira peculiar de surfar.

 

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Cheguei a conclusão que os brasileiros em geral têm pranchas muito finas, e por isso tentam a qualquer custo conseguir velocidade, gesticulando muito e desnecessariamente, chegando a dar até cabeçadas na ânsia de fazer alguma coisa.

 

A velocidade é a maior amiga do estilo e da performance. Nossa formação também não ajuda, pois onda curta e fechando não oferece tempo para uma pensar e desenvolver uma linha.

 

Todos os surfistas juniores que querem ser profissionais do WCT têm que viajar muito, pegar as ondas realmente boas, pois só em ondas boas pode-se aprimorar o estilo e adquirir experiência para competir de igual para igual com australianos e americanos

Uma boa leitura do caminho a ser feito na onda já ajuda muito, e se a prancha tiver flutuação, ela vai te levar sem muito esforço, mesmo em uma onda pequena.

 

O bom estilo vem da economia de movimentos, com os braços em harmonia para fazer o contrapeso com o equilíbrio que a velocidade permite.

 

Outro dia, importante shaper carioca atentou para os juízes da Confederação Brasileira de Surfe, a CBS, para que fosse mais valorizado o estilo, para que nossos surfistas tivessem mais espaço internacionalmente, pois os juízes estrangeiros estariam julgando mal os brasileiros no WQS.

 

Concordo que devemos incentivar a melhora do estilo de nossos juniores, mas sem se preocupar com nada além de harmonia de movimentos com máximo de velocidade, fazendo linhas longas e treinar a leitura da onda para saber o que fazer, fator fundamental para um surfista profissional.

 

É importante saber que, primeiro a manobra, depois o estilo. Afinal, os juízes também querem o bonito, querem ser surpreendidos pelo novo, sem repetições. Moral, pegar ondas boas e longas é o diferencial.  

 

 

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Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

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