Saí de São Paulo na quarta-feira (23/6) com o meu técnico e empresário Felipe Braun. Embarcamos às 7:50h e só chegamos em Maceió às 13h, por causa de uma demorada escala em Brasília.

 

Quando chegamos, a surfista Luiza Romann já estava no aeroporto nos esperando. Juntos, esperamos mais uma hora pelo resto da mulherada: Taís de Almeida, Larissa Barbieri, Roberta Borges e Brigitte Mayer, que dividiram uma Van com a gente até a praia do Francês.

 

Mais uma hora de viagem e, finalmente, chegamos na pousada, onde fomos recebidas por Juliana Guimarães e as gaúchas Gabriela Rangel, Sabrina Munhoz e Camila Pernalonga, hospedadas lá desde o dia anterior. Cansadas da viagem, tomamos um banho e batemos um rango em um restaurante italiano.

 

Na quinta-feira acordamos bem cedo para fazer um surfe na vala do campeonato. Depois de uma hora e meia, voltamos para a pousada prontas para “dragonizar” o café da manhã. Banho tomado e barriga cheia.

 

Algumas meninas aproveitaram para descansar e tirar um cochilo, enquanto outras fizeram a digestão numa partida de sinuca. Energia recuperada, mais uma queda na hora do almoço. A maré já não estava tão seca e as ondas estavam bem melhores… Fizemos a cabeça!

 

No final de tarde, mais uma sessão de surfe. Mas, como eu já tinha feito duas quedas, resolvi entrar só para descontrair, soltar o esqueleto e sentir o pico. Dessa vez caí na água junto com a Taís de Almeida numa boa vala de esquerda, já concentrada e focada para treinar para o campeonato, enquanto o Felipe nos instruía assistindo de fora d’água.

 

Na madrugada de quinta para sexta, às 4:30h, chegaram os ônibus que saíram do Rio e de São Paulo com o resto das competidoras. Foi a maior zona. Quem estava dormindo não conseguiu dormir mais.

 

Imagine um bando de mulher chegando cansada de uma longa viagem, louca para se instalar e na fissura de saber como estavam as condições do mar para o campeonato. Foi a maior gritaria, sobe e desce escada, ninguém mais conseguiu dormir até as 6h, quando finalmente todas se acalmaram.

 

Como programado, o campeonato começou sexta-feira e minha bateria foi a primeira do dia. Surfei bem e passei em primeiro lugar. Só rolou a primeira fase da categoria Profissional, então aproveitei o resto do dia para descansar e fiz mais um treino no final de tarde.

 

Toda noite rolava um campeonato de sinuca na pousada, as gaúchas jogam muito bem. A Juliana Guimarães ficou tão viciada na sinuca que já está dando trabalho para as adversárias.

 

A Brigitte, Luiza e a Roberta também têm boa noção do jogo, mas tenho que admitir que eu sou a “âncora” de qualquer dupla. A bola que eu mais acerto no buraco é a branca!

 

O tamanho das ondas não variou muito, mantendo meio metrão durante todo o campeonato. O que mais influenciava era a maré que mudava as condições do mar conforme enchia ou vazava. Passei minhas baterias até chegar na semifinal no domingo, perdendo para Taís e Brigitte.

 

Aproveito para dar os parabéns para as quatro finalistas da Pro: Suelen, Juliana, Brigitte e principalmente a Tais, grande campeã da etapa. Ela acreditou nas esquerdas que quebravam na frente do palanque e surfou forte, merecendo o título.

 

Fim da segunda etapa do campeonato Petrobras de Surfe Feminino, mas ainda estávamos na metade da nossa viagem. Segunda-feira (28/6), arrumamos nossas coisas e seguimos viagem para Pernambuco.

 

O Felipe Braun alugou uma van para a viagem do Francês (AL) até a praia do Cupê em Pernambuco. A viagem foi show.

 

Estavam na barca a Yries Pereira, Silvana Lima, Taís de Almeida, Luiza Romann, Juliana Guimarães, Brigitte Mayer, Larissa Barbieri, Felipe Braun, Pedro Robalinho, Andréa Lopes, Roberta Borges e eu. Saímos sem pressa e aproveitamos para surfar um pico diferente no caminho.

 

Mais algumas horas de viagem e dessa vez paramos para almoçar. Depois todos dormiram um pouquinho, mas o silêncio não durou muito, assim que a galera acordou rolou uma sessão no videoke tão desafinada que deixou o motorista doidinho. A Yries Pereira levou o “troféu joinha” com a música do Pimpolho que fez a van bombar!

 

Chegamos no Cupê à noite e acabamos todos ficando na mesma pousada. Na terça-feira fizemos três quedas e pegamos boas ondas. No dia seguinte começou o SuperSurf, mas a categoria Feminina não entrou na água. Tiramos mais um dia para treinar bastante e para se concentrar para as baterias do dia seguinte.

 

O Braun aproveitou para reunir a equipe (eu, Yries, Tais e Luiza) para trocar uma idéia sobre treino psicológico. O objetivo era nos ajudar a controlar a ansiedade e transformá-la em garra durante a bateria.

 

Muitos atletas se preocupam muito com os treinos físicos e táticos e se esquecem do treino psicológico, peça fundamental para se ganhar o jogo.

 

Quarta-feira foi a última noite da Roberta Borges na viagem. Então fomos para Porto de Galinhas fazer uma despedida. E não podia ter sido melhor, era dia de São João, uma data muito importante na região e a cidade estava em clima de festa.

 

Entramos no “Arraiá” e ao som da sanfona dançamos muita quadrilha junina e forró. Nos divertimos muito e ajudamos a florir a festa da cidade. A Francisca Pereira era uma das mais animadas e dançou do início ao fim.

 

No dia seguinte o campeonato começou com a categoria Feminina, o mar estava pequeno e mexido.

 

Comecei minha bateria em quarto lugar, mas mantive a calma e sabendo que não precisava de muito, surfei duas ondas boas que me levaram para a primeira colocação e me deixaram na liderança com uma certa vantagem sobre as outras competidoras.

 

Missão cumprida, dei-me direito de fazer uma massagem na tenda da Volkswagen e passei o resto do dia descansando e assistindo as baterias alucinantes do Masculino.

 

O segundo round do feminino começou na sexta as 9 horas. O tempo estava horrível, chovendo muito e a maior ventania… Resultado: mar mexido e condições difíceis de surfe. Minha bateria estava boa. Eu, Marina Werneck, Francisca Pereira e Andréa Lopes.

 

Porém, nestas condições, acabei perdida dentro d’água, que mais parecia uma máquina de lavar, e fiquei em terceiro na bateria. De noite o tempo abriu e como era noite de lua cheia, fomos até a praia assistir ao espetáculo da natureza e nos energizar um pouquinho.

 

No sábado, o tempo estava ainda pior e como a categoria Feminina só entrou na água por volta das 13 horas, dormimos até mais tarde (isso significa 7:30 /8 horas).

 

Tomamos um café da manhã reforçado com direito a pratos típicos como tapioca e rabanada, comida predileta da Brigitte Mayer. Fomos para o campeonato embaixo de chuva.

 

Devido o mau tempo o campeonato teve de ser paralisado. Assim que as condições melhoraram um pouquinho as meninas, que estavam nas quartas de final, entraram na água e tiveram que competir em condições muito difíceis, passando a depender  da sorte para ganhar a bateria. Avançou para as semis Suelen Naraisa, Taís de Almeida, Silvana Lima e Tita Tavares.

 

Sábado à noite saímos para jantar e por ser nossa última noite no nordeste fomos no restaurante preferido da galera, o BarCaxeira. Comemos a especialidade da casa, Macaxeira frita e Macaxeira gratinada com camarão, brócolis e catupiri. Uma delícia.

 

Macaxeira é como eles chamam a nossa mandioca. Coincidentemente encontramos com mais uma galera que acabou se juntando a nós: Claudinha, Brigadeiro, Marina, Camila Amarante e Bruna Queiroz.

 

A mulherada reunida só podia terminar em festa, ainda mais num restaurante com musica ao vivo. Acabamos o jantar dançando e cantando entre as mesas. O mais engraçado era que o dono do local era o mais empolgado com a nossa bagunça!

 

Para fechar a viagem com chave-de-ouro, domingo apareceu o Sol, o mar estava lisinho e tinham altas ondas, sobrando tubos para a galera. A Suelen foi campeã da etapa e provou mais uma vez que está numa ótima fase. Parabéns.

 

Apesar de competidoras e rivais dentro d’água, somos muito amigas e companheiras. Em todas viagens temos histórias para contar. Esse é o registro de uma viagem de 12 dias pelo nordeste, em que nos divertimos muito, e não deixamos de fazer o nosso trabalho com muita responsabilidade. Voltei para casa de alma lavada e agora é treinar para a próxima.   
 

 

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