Ataques geram pânico

Ataques de tubarão assustam surfistas no oeste australiano; Gabriel Medina, Adriano de Souza e Italo Ferreira desabafam.

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Depois de um ataque de tubarão próximo a Gracetown levar a WSL a paralisar a repescagem feminina em Margaret River, outro incidente assustou os surfistas no oeste australiano e levou até alguns Tops a desabafarem, como os brasileiros Gabriel Medina, Adriano de Souza e Italo Ferreira.

Horas depois do ataque em Cobblestones, um free surfers de 41 anos sofreu pequenas lesões quando teve a perna mordida no pico conhecido como Lefthanders, pico bastante procurado por atletas que visitam a região. De acordo com as autoridades locais, os surfistas que estavam na água ignoraram o aviso de que a praia estava fechada devido ao ataque ocorrido horas antes.

No segundo incidente, em Lefthanders, além de pequenas escoriações, o tubarão deixou ainda uma marca impressionante na prancha do free surfer.

Ao site da ABC, Justin Longrass disse ter tido muita sorte. “Ele veio direto em minha direção, e deu uma cravada na prancha”.

Prancha mordida pelo tubarão em Lefthanders.

Ataque em Cobblestones

Mais cedo, outro surfista foi atacado a 2 quilômetros de distância, em Cobblestones. Ele foi ajudado por outros surfistas, que depois colocaram torniquetes em suas pernas.

A vítima foi o argentino Alejandro Travaglini, 37 anos, que reside em Margaret River. Ele sofreu ferimentos nas pernas e foi levado de helicóptero a um hospital em Perth, a 270km de distância. Alejandro recupera-se de uma cirurgia.

De acordo com paramédicos, os primeiros socorros prestados pelos amigos do argentino foram cruciais nos momentos depois do ataque, já que usaram uma corda na perna para conter o fluxo sangüíneo.

O fotógrafo de surfe Peter Jovic presenciou a cena da praia. “Um tubarão apareceu e praticamente derrubou um surfista de sua prancha”, disse o fotógrafo.

“Houve muita agitação. Depois disso, foi difícil ver o que estava acontecendo. Eu vi o cara que foi atacado ser separado da prancha de surfe e depois começar a remar para uma onda no inside, surfando de peito durante todo o percurso. Ele foi levado para a praia e começaram a trabalhar para conter o sangramento”, finalizou Peter.

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Praias da região foram fechadas pelas autoridades locais logo depois do primeiro incidente, em Cobblestones

Outra testemunha, Brett Newland, disse que havia cerca de cinco surfistas na área quando um grande tubarão apareceu na água.

“Ele nadou debaixo de um par de caras, deu a volta e mordeu uma terceira pessoa”, disse ele”. “Nós podíamos ver sua barbatana, e então, quando ele atacou, pudemos ver sua cauda sacudindo e jogando a vítima para fora da água. “Ele era grande e, do jeito que estava se comportando, seria um tubarão branco”.

Newland disse que o homem estava consciente o tempo todo. “Os surfistas ajudaram a colocar torniquetes em suas pernas assim que chegaram à parte rasa da bancada, e outras pessoas desceram do estacionamento e o colocaram em uma prancha de surfe, levando-o até o estacionamento”, disse ele. “Ele teve cortes nas duas pernas”.

Praias fechadas

As praias na área de Gracetown foram fechadas depois do primeiro ataque, incluindo North Point, Big Rock e Lefthanders, e um aviso de tubarão foi emitido para as águas entre Kilcarnup e North Point.

Um alerta também foi divulgado sobre uma carcaça de baleia encontrada em Lefthanders, com usuários de praia avisando que a carcaça em decomposição poderia atrair tubarões para perto da costa.

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Uma baleia morta em Lefthanders pode ter atraído a presença de tubarões.

Em entrevista ao ABC concedida depois do segundo ataque, o ministro da pesca, Roger Cook, disse que as autoridades tomaram todas as precauções possíveis.

“Após o primeiro incidente, as autoridades limparam as praias, ergueram cartazes de fechamento de praias, patrulharam a área em barcos e a pé para garantir a segurança de outros usuários da praia”, disse ele.

“A praia de Lefthanders foi fechada devido a uma carcaça de baleia e um tubarão sendo avistado na área”, continuou o ministro. “Sinais foram erguidos na praia, o helicóptero estava patrulhando a praia e alertas foram emitidos tanto no SharkSmart.com.au quanto no Twitter do Surf Life Saving WA”, falou Roger.

“Infelizmente, apesar das advertências e do fechamento das praias, um surfista foi mordido na perna. Este incidente ressalta a importância de dar atenção aos fechamentos de praias e outros avisos colocados pelas autoridades”, ressaltou o ministro.

WSL paralisa etapa; Tops desabafam

Ao término da terceira bateria da repescagem feminina, a World Surf League paralisou a competição no oeste australiano. A prova teve continuidade algumas horas depois, quando as autoridades locais asseguraram que não havia risco para os atletas.

Campeão mundial em 2014, Gabriel Medina fez um desabafo nas redes sociais nesta segunda-feira. “Eu não me sinto seguro treinando e competindo nesse tipo de lugar. A qualquer hora pode acontecer alguma coisa com um de nós. Espero que não. Deixando minha opinião antes que seja tarde!”, comentou Medina.

Mais tarde, Adriano de Souza – campeão do mundo em 2015 – compartilhou o post do compatriota e soltou o verbo. “Nem eu me sinto seguro. Acordar cedo aqui para treinar, a cada ano que passa, fica cada vez mais difícil. Parece que temos que perder alguém no nosso grupo para aí, sim, abrirem os olhos. Obrigado, Gabriel Medina”.

Líder do ranking mundial ao lado do australiano Julian Wilson, Italo Ferreira também mostrou insegurança. “Dois ataques de tubarão em menos de 24h aqui na Austrália. Detalhe, a apenas alguns quilômetros de onde está sendo realizado o evento. Muito perigoso, não acham? Mesmo assim, continuam insistindo em fazer etapas onde o risco de ter esse tipo de acidente é 90%, aí eu pergunto: a segurança dos atletas não é prioridade? Já tivemos vários alertas. A vida vale mais do que isso! Espero que não aconteça com nenhum de nós. Eu não me sinto confortável treinando e competindo em lugares assim!”, protestou um dos líderes do Tour.

Fonte: ABC