Hang Loose São Sebastião Pro

Medina em alta

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Público comparece em peso a Maresias para o segundo dia do Hang Loose São Sebastião Pro 2017. Foto: © WSL / Smorigo.

 

Um enorme público lotou a Praia de Maresias na sexta-feira para assistir as grandes estrelas do Hang Loose São Sebastião Pro e eles não decepcionaram a torcida.

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O maior ídolo, Gabriel Medina, estreou batendo todos os recordes da etapa do QS 3000 de São Sebastião, com a nota 9,80 e os 17,20 pontos que totalizou.

Ele voltou a competir na última bateria do dia e se classificou, mas em segundo lugar na vitória do também paulista Deivid Silva, que está na briga pelo título sul-americano da WSL South America com Thiago Camarão.

O outro campeão mundial, Adriano de Souza, também avançou e a última etapa da World Surf League na América do Sul esse ano será encerrada no sábado. Isto porque as previsões para o domingo são de ondas muito pequenas, chuva e ventos fortes no litoral norte de São Paulo.

“Eu amo surfar em beachbreaks (fundo de areia) e acho que esse tipo de onda te dá muita preparação, porque é necessário remar constantemente e tomar decisões rápidas para pegar as ondas”, disse Gabriel Medina. “Eu estou muito feliz por estar aqui, competindo em casa, com toda essa torcida lotando a praia e eu acho Maresias um ótimo lugar para treinar, pois às vezes as ondas ficam bem grandes aqui. Por isso, me sinto confortável para surfar em qualquer lugar do mundo”.

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Gabriel Medina não decepciona a torcida. Foto: © WSL / Smorigo.

 
A torcida foi ao delírio com a presença de Gabriel Medina no Hang Loose São Sebastião Pro. O público se espremeu próximo a arena do evento para ver de perto o surfista que em dezembro vai tentar o bicampeonato mundial no Havaí.

Em sua primeira bateria, Medina mandou um aéreo perfeito e seguiu detonando uma esquerda com várias manobras para arrancar a maior nota do evento – 9,80. Ela foi somada com a 7,60 recebida na onda anterior para totalizar 17,40 pontos de 20 possíveis, se tornando o recordista absoluto do campeonato.

Depois, ele voltou a competir na última bateria do dia, quando o vento já estava bem mais forte, agindo negativamente na formação das ondas. Deivid Silva começou bem, massacrando uma direita com uma série de manobras potentes para largar na frente com nota 9,0. Com ela, liderou o confronto do início ao fim.

Medina só conseguiu uma nota 6,0 em sua melhor onda e no final ficou marcando o atual campeão paulista, Weslley Dantas, para passar em segundo lugar com 11,33 pontos, contra 14,43 de Deivid Silva. Weslley terminou em terceiro com 8,37 e João Chianca em quarto com 6,84, com ambos sendo eliminados da competição.

“Estou muito feliz por ter vencido essa bateria. Eu sabia que não ia ser fácil, ainda mais contra o nosso ídolo daqui, o Gabriel Medina”, disse Deivid Silva, que no domingo passado venceu a etapa do QS 1500 em Itacaré, na Bahia. “Eu sabia que teria que dar meu máximo e tentei pegar a primeira onda boa da bateria, que foi aquele 9,0. Estou amarradão, mas amanhã (sábado) será um novo dia e estou muito focado. Eu nem sabia que estava na corrida do título sul-americano e é muito bom saber disso, mas meu foco principal mesmo é entrar no CT esse ano”.

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Deivid Silva deixa em Medina em segundo na última bateria do dia. Foto: © WSL / Smorigo.

 
TÍTULO SUL-AMERICANO – Com a classificação, Deivid Silva levou a decisão do título sul-americano da WSL South America para o último dia do Hang Loose São Sebastião Pro. No entanto, ele só consegue superar os atuais 1.905 pontos do líder do ranking, Thiago Camarão, se vencer o campeonato.

Camarão estreou com vitória na sexta-feira e vai disputar o primeiro confronto do sábado na Praia de Maresias, contra o também paulista Wiggolly Dantas e os catarinenses Jean da Silva e Matheus Herdy. Camarão garante o título sul-americano se ficar em nono lugar no QS 3000 de São Sebastião, ou seja, tem que passar essa bateria e ficar no mínimo em terceiro na próxima, pela quinta fase da competição.

“Eu estou me sentindo muito bem e acho que voltei a ter amor pelo esporte”, disse Thiago Camarão. “O ano passado foi muito difícil pra mim e consegui dar a volta por cima, estou muito motivado e acho que amadureci bastante. Eu procuro viver cada momento, sempre pensando em passar a próxima bateria, não muito lá na frente. Estou super focado em competir bem aqui em Maresias para conseguir um bom resultado e vamos ver o que vai acontecer depois”.

Na sexta-feira, foi realizada mais uma maratona de 28 baterias na Praia de Maresias. O dia começou com oitenta surfistas e restaram apenas 24 para disputar o título do Hang Loose São Sebastião Pro, que vale um prêmio de 12.000 dólares e 3.000 pontos para o ranking do WSL Qualifying Series. Oito deles já passaram para a rodada classificatória para as quartas de final e os outros dezesseis vão disputar as quatro baterias restantes da quarta fase, que ficaram para abrir o sábado, às 8h00 na Praia de Maresias.

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Thiago Camarão segue firme em busca do título sul-americano da WSL. Foto: © WSL / Smorigo.

 
ÚNICO ESTRANGEIRO – Medina vai participar da primeira batalha por duas vagas nas quartas de final, contra dois brasileiros que estão na lista dos dez surfistas que se classificam para o CT pelo ranking do QS, Jessé Mendes e Michael Rodrigues, além do americano Kei Kobayashi, único estrangeiro que conseguiu passar para o sábado decisivo em Maresias na sexta-feira. Ele derrotou três brasileiros na segunda bateria da quarta fase e Caetano Vargas superou o também catarinense Alejo Muniz e o paulista Hizunomê Bettero na briga pela segunda vaga.

“Eu não penso em ganhar o evento, como todo mundo que entra numa competição, mas sempre tento fazer o meu melhor nas ondas pra passar as baterias”, disse Kei Kobayashi. “Eu já enfrentei vários competidores de alto nível e sinto que o meu surfe está no mesmo patamar. Mas, eu gostaria de competir com um atleta do CT, tipo Medina ou Adriano. Eu admiro muito eles, assisto todas as baterias deles para ver suas manobras e aprender estratégias, então seria uma honra ter uma chance de enfrentar os campeões mundiais aqui na casa deles”. 

A segunda classificatória para as quartas de final também já está formada, por Deivid Silva, Caetano Vargas, o potiguar Italo Ferreira da elite do CT e o paranaense Jihad Khodr, que impediu uma dobradinha dos irmãos Mendes no penúltimo confronto da sexta-feira. Os dois tiveram que brigar pelo segundo lugar e o líder do QS, Jessé Mendes, derrotou o mais jovem, Vitor. Ele foi eliminado junto com uma das revelações do Instituto Gabriel Medina, Leonardo Barcelos, que tinha passado junto com Medina na estreia do campeão mundial em Maresias.

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Kei Kobayashi não dá mole aos brasileiros em Maresias. Foto: © WSL / Smorigo.

 
ESTRELAS DO CT – Outras estrelas do CT também brilharam na sexta-feira de ondas menores, mas com boa formação ainda na Praia de Maresias para o show das principais atrações do Hang Loose São Sebastião Pro.

Dos sete integrantes da “seleção brasileira”, o único a perder foi o pernambucano Ian Gouveia, para o potiguar Italo Ferreira e o cearense Michael Rodrigues na bateria que abriu a quarta fase. Os demais continuam vivos na disputa do título em Maresias, com Medina e o próprio Italo já avançando para a quinta fase da competição.

Os outros estão nas quatro baterias restantes da quarta fase que vão abrir o sábado. Wiggolly Dantas compete na primeira do dia, às 8h00. O potiguar Jadson André entra na segunda, o paulista Miguel Pupo na terceira e o campeão mundial Adriano de Souza disputa as duas últimas vagas para a rodada classificatória para as quartas de final com os também paulistas Alex Ribeiro e Geovane Ferreira, além do jovem potiguar Deyvson Santos, uma das surpresas do Hang Loose São Sebastião Pro.

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Adriano de Souza estreia com vitória. Foto: © WSL / Smorigo.

Mineirinho estreou na bateria que fechou a terceira fase e não decepcionou a torcida, que voltou a lotar a praia em frente a arena do evento, para ver de perto mais um campeão mundial em ação na Praia de Maresias. O paulista Thiago Guimarães passou junto com ele, superando o peruano Alonso Correa e o paraibano Samuel Igo na briga pelo segundo lugar.

“É uma sensação muito boa competir no Brasil e fico meio triste porque esse evento poderia ser um QS 10000. Mas, sei que nosso país está passado por um momento difícil, então acho importante nossa presença, então fiz questão de estar aqui prestigiando o evento”, disse Adriano de Souza.

“A minha vibração é totalmente diferente aqui. No CT vale tudo realmente, pontos, classificação, título mundial, mas aqui é mais relax. Se eu ganhar, vai ser consequência da minha boa vibração, mas é difícil comparar QS com CT em termos de peso de cada bateria. Me sinto bem mais leve aqui, sem dúvidas”.

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Miguel Pupo decola em Maresias. Foto: © WSL / Smorigo.

 
Além dos tops do CT, os cinco brasileiros que estão se classificando para a elite dos top-34 da World Surf League pelo G-10 do QS, também se apresentaram na longa sexta-feira em Maresias. O líder, Jessé Mendes, passou para o último dia, mas o terceiro do ranking e também já confirmado no CT 2018, Yago Dora, perdeu logo em sua estreia no evento. Já os catarinenses Willian Cardoso e Tomas Hermes e o cearense Michael Rodrigues, estão entre os 24 classificados para o sábado decisivo do QS 3000 de São Sebastião.

O energético TNT apresenta o Hang Loose São Sebastião Pro, etapa do QS 3000 homologada pela WSL South America como a 52.a do WSL Qualifying Series 2017 e realizada com apoio da Prefeitura Municipal de São Sebastião, Itaipava, 89 Rádio Rock, Waves, Federação Paulista de Surf (FPS), Associação de Surf de São Sebastião (ASSS) e Associação de Surf de Maresias (ASM).

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Italo Ferreira está nas quartas de final. Foto: © WSL / Smorigo.

 

QUINTA FASE DO HANG LOOSE SÃO SEBASTIÃO PRO – baterias já formadas: 

1.o e 2.o=Quartas de Final / 3.o=9.o lugar (US$ 1.500 e 900 pts) e 4.o=13.o ($ 1.250 e 840 pts):

1.a: Gabriel Medina (BRA), Jessé Mendes (BRA), Michael Rodrigues (BRA), Kei Kobayashi (EUA)

2.a: Italo Ferreira (BRA), Deivid Silva (BRA), Jihad Khodr (BRA), Caetano Vargas (BRA)


QUARTA FASE – 3.o=17.o lugar (US$ 1.000 e 600 pts) e 4.o=25.o lugar (US$ 750 e 555 pts)
:

Baterias que fecharam a sexta-feira:

1.a: 1-Michael Rodrigues (BRA), 2-Italo Ferreira (BRA), 3-Ian Gouveia (BRA), 4-Douglas Silva (BRA)

2.a: 1-Kei Kobayashi (EUA), 2-Caetano Vargas (BRA), 3-Alejo Muniz (BRA), 4-Hizunomê Bettero (BRA)

3.a: 1-Jihad Khodr (BRA), 2-Jessé Mendes (BRA), 3-Vitor Mendes (BRA), 4-Leonardo Barcelos (BRA)

4.a: 1-Deivid Silva (BRA), 2-Gabriel Medina (BRA), 3-Weslley Dantas (BRA), 4-João Chianca (BRA)

Baterias que vão abrir o sábado:

5.a: Wiggolly Dantas (BRA), Thiago Camarão (BRA), Mateus Herdy (BRA), Jean da Silva (BRA)

6.a: Jadson André (BRA), Willian Cardoso (BRA), Flavio Nakagima (BRA), Felipe Oliveira (BRA)

7.a: Miguel Pupo (BRA), Tomas Hermes (BRA), Peterson Crisanto (BRA), Thiago Guimarães (BRA)

8.a: Adriano de Souza (BRA), Alex Ribeiro (BRA), Geovane Ferreira (BRA), Deyvson Santos (BRA)

TERCEIRA FASE – 3.o=33.o lugar (US$ 550 e 360 pts) e 4.o=49.o lugar (US$ 450 e 330 pts):

1.a: 1-Italo Ferreira (BRA), 2-Kei Kobayashi (EUA), 3-Yagê Araujo (BRA), 4-Marcos Correa (BRA)

2.a: 1-Douglas Silva (BRA), 2-Alejo Muniz (BRA), 3-Roberto Araki (CHL), 4-Victor Bernardo (BRA)

3.a: 1-Hizunomê Bettero (BRA), 2-Michael Rodrigues (BRA), 3-Robson Santos (BRA), 4-Tamaê Bettero (BRA)

4.a: 1-Caetano Vargas (BRA), 2-Ian Gouveia (BRA), 3-Lucca Mesinas (PER), 4-Kim Matheus (BRA)

5.a: 1-Jessé Mendes (BRA), 2-João Chianca (BRA), 3-Luel Felipe (BRA), 4-Renato Galvão (BRA)

6.a: 1-Jihad Khodr (BRA), 2-Weslley Dantas (BRA), 3-Krystian Kymerson (BRA), 4-Yago Dora (BRA)

7.a: 1-Deivid Silva (BRA), 2-Vitor Mendes (BRA), 3-Bino Lopes (BRA), 4-Wesley Leite (BRA)

8.a: 1-Gabriel Medina (BRA), 2-Leonardo Barcellos (BRA), 3-Luciano Brulher (BRA), 4-Icaro Ronchi (BRA)

9.a: 1-Wiggolly Dantas (BRA), 2-Felipe Oliveira (BRA), 3-Facundo Arreyes (ARG), 4-Gabriel Farias (BRA)

10: 1-Thiago Camarão (BRA), 2-Flavio Nakagima (BRA), 3-Alan Donato (BRA), 4-Gustavo Ramos (BRA)

11: 1-Jadson André (BRA), 2-Mateus Herdy (BRA), 3-Yuri Gonçalves (BRA), 4-Alex Lima (BRA)

12: 1-Willian Cardoso (BRA), 2-Jean da Silva, 3-Marco Fernandez (BRA), 4-Wesley Santos (BRA)

13: 1-Miguel Pupo (BRA), 2-Geovane Ferreira (BRA), 3-Igor Moraes (BRA), 4-Raoni Monteiro (BRA),

14: 1-Tomas Hermes (BRA), 2-Deyvson Santos (BRA), 3-Rafael Teixeira (BRA), 4-Nicolas Vargas (CHL)

15: 1-Alex Ribeiro (BRA), 2-Peterson Crisanto (BRA), 3-Amando Tenorio (BRA), 4-Gabriel André (BRA)

16: 1-Adriano de Souza (BRA), 2-Thiago Guimarães (BRA), 3-Alonso Correa (PER), 4-Samuel Igo (BRA)

SEGUNDA FASE – 3.o=65.o lugar com 210 pontos e 4.o-81.o lugar com 180 pontos:

1.a: 1-Yagê Araujo (BRA), 2-Roberto Araki (CHL), 3-Jackson Santos (BRA), 4-Renan Argemiro (BRA)

2.a: 1-Douglas Silva (BRA), 2-Kei Kobayashi (EUA), 3-Neto Moura (BRA), 4-Tomas Lopez Moreno (ARG)

3.a: 1-Robson Santos (BRA), 2-Kim Matheus Marcondes (BRA), 3-Franklin Serpa (BRA), 4-Lucas Vicente (BRA)

4.a: 1-Caetano Vargas (BRA), 2-Tamaê Bettero (BRA), 3-Guillermo Satt (CHL), 4-Juninho Urcia (PER)

5.a: 1-João Chianca (BRA), 2-Jihad Khodr (BRA), 3-Alessandro Dias (BRA), 4-Pedro Silva (BRA)

6.a: 1-Weslley Dantas (BRA), 2-Renato Galvão (BRA), 3-Guilherme Villas Boas (BRA), 4-Leonardo Berbet (BRA)

7.a: 1-Vitor Mendes (BRA), 2-Luciano Brulher (BRA), 3-Luis Perloiro (PRT), 4-José Francisco (BRA)

8.a: 1-Leonardo Barcellos (BRA), 2-Wesley Leite (BRA), 3-Renan Peres (BRA), 4-Artur Silva (BRA)
9.a: 1-Facundo Arreyes (ARG), 2-Gustavo Ramos (BRA), 3-Diego Aguiar (BRA), 4-Guilherme Marques (BRA)

10: 1-Alan Donato (BRA), 2-Gabriel Farias (BRA), 3-Nate Dorman (EUA), 4-Junior Lagosta (BRA)

11: 1-Alex Lima (BRA), 2-Jean da Silva (BRA), 3-Luan Wood (BRA), 4-Cristobal Montecinos (CHL)

12: 1-Wesley Santos (BRA), 2-Yuri Gonçalves (BRA), 3-Pedro Neves (BRA), 4-Matheus Navarro (BRA)

13: 1-Geovane Ferreira (BRA), 2-Nicolas Vargas (CHL), 3-Gabriel Adisaka (BRA), 4-Adrian Garcia (PER)

14: 1-Deyvson Santos (BRA), 2-Igor Moraes (BRA), 3-Samuel Pupo (BRA), 4-Daniel Adisaka (BRA)

15: 1-Gabriel André (BRA), 2-Samuel Igo (BRA), 3-Luan Carvalho (BRA), 4-Nathan Kawani (BRA)

16: 1-Alonso Correa (PER), 2-Amando Lins (BRA), 3-Pericles Dimitri (BRA), 4-José Gundesen (ARG)

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.