Tecnologia russa

Surf Park com onda em 30 dias

Desenvolvido na Rússia, sistema pneumático criado pela Vertigo Sports promete reduzir custos e ampliar acesso ao surf artificial.

A corrida global pela inovação nas piscinas de ondas ganhou um novo protagonista inesperado. A empresa russa Vertigo Sports está desenvolvendo um modelo de geração de ondas que pode mudar o jogo ao apostar em um conceito mais simples, eficiente e, principalmente, mais barato do que as tecnologias atualmente dominantes no mercado.

Diferente de sistemas consagrados que utilizam estruturas mecânicas complexas — como trilhos, pás ou hidrofólios, a proposta russa se baseia em um mecanismo pneumático. O funcionamento ocorre por meio de câmaras de ar posicionadas acima da água, que liberam pressão através de aberturas submersas para gerar as ondas.

Na prática, o resultado são ondas que chegam a cerca de 1,5 a 1,7 metro de altura, com intervalos regulares de aproximadamente dois minutos, o que permite uma produção de cerca de 30 ondas por hora, números competitivos dentro do cenário atual das wave pools.

A tecnologia já saiu do papel. Duas piscinas estão em operação na Rússia: uma na região de Rostov, com onda para a direita, e outra na região de Leningrado, com ondas para a esquerda e até 1,7 metro.

O grande diferencial, no entanto, está no custo. Enquanto projetos tradicionais de piscinas de ondas frequentemente exigem investimentos de dezenas de milhões, o sistema da Vertigo Sports surge com a promessa de reduzir drasticamente esse valor, abrindo espaço para novos mercados e democratizando o acesso ao surfe artificial.

Essa proposta ganha ainda mais relevância em um momento em que o surfe se consolida como esporte olímpico. Piscinas de ondas têm sido vistas como ferramentas estratégicas para treinamento de atletas em países sem acesso ao mar, oferecendo condições controladas, repetição de manobras e evolução técnica acelerada.

Apesar do avanço tecnológico, o projeto russo também esbarra em questões políticas. Atletas do país seguem afastados de competições internacionais da ISA (International Surfing Association), o que limita, por enquanto, a integração direta dessa estrutura ao circuito competitivo global.

Ainda assim, o movimento reforça uma tendência clara: a busca por soluções mais acessíveis e escaláveis para a criação de ondas artificiais. Se a promessa de baixo custo se confirmar, a tecnologia russa pode representar um novo capítulo na expansão do surfe pelo mundo, levando ondas perfeitas a lugares onde o oceano não chega.

Fonte Surf Total

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