Layback Pro

Joaquina volta ao calendário

Praia da Joaquina, Florianópolis (SC), recebe etapa do QS de 19 a 23 de março. Layback Pro decide títulos sul-americanos e fecha temporada 2024/25 da WSL América do Sul.

A quinta edição do WSL Layback Pro em Florianópolis vai resgatar a Praia da Joaquina, que há 9 anos não recebia uma etapa do World Surf League (WSL) Qualifying Series (QS). O evento que decide os títulos sul-americanos e fecha a temporada 2024/2025 da WSL South America, vinha acontecendo na Praia Mole desde 2021 e agora muda para um dos principais palcos do surfe no Brasil. O QS 3000 masculino e feminino, vai rolar de 19 a 23 de março e também vai definir a lista dos 7 homens e 3 mulheres que irão disputar vagas para a elite do WSL Championship Tour (CT) no Challenger Series. Além disso, várias atrações extras estão programadas para o público na praia mais famosa de Santa Catarina. Entre elas, o Floripa Film Festival promovido pela Layback, que estreou com grande sucesso no ano passado.

O WSL Layback Pro é homologado pela WSL América Latina a e viabilizado pela Lei de Incentivo ao Esporte do Ministério do Esporte do Governo Federal do Brasil. O evento é uma realização da Agência Esporte & Arte com patrocínio de Dare e Prefeitura Municipal de Florianópolis através da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer; apoio da Greenish, Ease Labs Cannabis Products, Evoke, Fu-Wax, Havenga, Oakberry, Refúgio Ekrãn e Cris Hotel; conta com o suporte da Federação Catarinense de Surf (Fecasurf) e Associação de Surf da Joaquina (ASJ), parceria de mídia do site Waves.com.br e produção da FIRMA na transmissão ao vivo pelo WorldSurfLeague.com.

“Estamos muito felizes em realizar a nossa oitava etapa do Layback Pro com a WSL, a quinta em Florianópolis e agora na Joaquina, um palco que já sediou grandes eventos e estava há bastante tempo sem um campeonato tão importante, que vai decidir os títulos sul-americanos da temporada”, destacou Bill Tassinari, diretor de marketing da Layback. “A gente atendeu um pedido dos próprios surfistas, para levar para a Praia da Joaquina, esse evento que também vai fechar a lista dos classificados para disputar o Challenger Series esse ano. É um QS 3000 decisivo para vermos quem serão os representantes do Brasil e da América do Sul, na batalha pelas vagas para a elite do CT de 2026”.

Foi na Praia da Joaquina onde o Circuito Mundial de Surfe voltou a ter uma etapa no Brasil em 1986 e o último Qualifying Series aconteceu em 2016, na edição comemorativa de 30 anos daquele inesquecível Hang Loose Pro Contest. No ano passado, o WSL Layback Pro transformou a Praia Mole como principal palco do QS na Ilha de Santa Catarina e agora vai igualar esse placar, realizando a também 14.a etapa da história na Praia da Joaquina. Foi na Joaca onde aconteceu o primeiro QS no Brasil em 1992 e o WSL Layback Pro agora vai fechar a temporada 2024/2025 da WSL South America.

A Layback nasceu como uma marca de cerveja artesanal criada pelo medalhista olímpico de skate, Pedro Barros. Mas a Layback agora é muito mais do que uma cerveja e, atualmente, é a marca que mais incentiva e investe na construção de pistas de skate no país, a que mais promove campeonatos de surfe da WSL no Brasil e ainda patrocina vários skatistas e surfistas. O WSL Layback Pro também vai promover um QS feminino, que só aconteceu na Joaca uma vez, em 2014, que foi vencida pela havaiana Coco Ho junto com o cearense Michael Rodrigues.

Destaques da história – Michael Rodrigues mora há muitos anos na capital catarinense e é o grande nome da história do WSL Layback Pro em Florianópolis. Ele decidiu os dois primeiros títulos na Praia Mole. Perdeu o de 2021 para o jovem paulista Eduardo Motta, mas em 2022 foi o campeão batendo o potiguar Alan Jhones com os recordes das quatro edições do evento, somando a primeira e única nota 10 na Praia Mole no incrível placar de 19,13 pontos de 20 possíveis. Na lista das 10 maiores notas, 7 são dele e com seu surfe progressivo também fez 6 dos 10 maiores somatórios desde 2021 até 2024.

Na competição feminina, Laura Raupp ganhou o primeiro Layback Pro em 2021 com apenas 15 anos de idade e voltou a decidir o título no ano passado. Era igualmente a segunda final de outra catarinense, Tainá Hinckel, que tinha perdido a de 2023 para Silvana Lima, campeã junto com o florianopolitano Luan Wood. Tainá coroou a conquista do título sul-americano da temporada 2023/2024 da WSL, com a vitória sobre Laura Raupp e já tinha feito história nas quartas de final, com a única nota 10 feminina na Praia Mole. Ela e o carioca Lucas Silveira, vão defender os títulos de 2024 na Praia da Joaquina.

Bill Tassinari também ressalta que as atrações extras do WSL Layback Pro que aconteciam na Praia Mole desde 2021, serão realizadas na Joaquina: “É sempre bom lembrar e temos orgulho em dizer, que o Layback Pro não é só um campeonato de surfe, pois valorizamos bastante toda a cultura e o lifestyle do esporte também. Teremos ações de preservação ambiental como limpeza de praia, além de várias festas, sunsets todos os fins de tarde na Joaca e a segunda edição do Floripa Film Festival, que já é o maior evento de filmes de surfe do Brasil e vai reunir várias atrações nacionais e internacionais também, com a presença confirmada de produtores até de outros países”.

Floripa Film Festival – O Floripa Film Festival foi uma das atrações do Layback Pro que estreou com grande sucesso no ano passado. Nesta segunda edição, serão exibidos 50 filmes de surfe, sendo 35 produções nacionais e 15 internacionais. As mostras vão acontecer nos dias 20, 21 e 22 de março no “The Search House”, localizado na Barra da Lagoa. Nos 3 dias, as exibições começam por volta das 16h00, com pequenos intervalos até as 22h30. Na sexta-feira (dia 21) e no sábado (22), também haverá shows musicais e DJs agitando a galera desde as 23h00 até as 2h00 da madrugada.

Campeões do Layback Pro na Praia Mole

2021: Eduardo Motta (BRA) e Laura Raupp (BRA)

2022: Michael Rodrigues (BRA) e Daniella Rosas (PER)

2023: Luan Wood (BRA) e Silvana Lima (BRA)

2024: Lucas Silveira (BRA) e Tainá Hinckel (BRA)
Vencedores das 13 etapas do QS na Joaquina

1992 – 3.a etapa da história do QS: Jojó de Olivença (BRA)

1992 – Michael Barry (AUS)

1993 – Tinguinha Lima (BRA)

1993 – Pedro Muller (BRA)

1994 – Shane Dorian (HAV)

1995 – Neco Padaratz (BRA)

1998 – Neco Padaratz (BRA)

1999 – Fábio Gouveia (BRA)

2000 – Armando Daltro (BRA)

2001 – Mikael Picon (FRA)

2002 – Travis Logie (AFR)

2014 – Michael Rodrigues (BRA) e Coco Ho (HAV)

2016 – Kanoa Igarashi (JAP)

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

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