Olimpíadas

John John se recupera no Japão

Após cair para a repescagem com a terceira colocação na estreia das Olimpíadas de Tóquio, John John Florence surfa mais confiante, acerta voos e vence para se garantir nas oitavas de final.
Jogos Olímpicos 2021, Tsurigasaki Beach, Ichinomiya, Chiba, Japão

Depois do susto inicial, quando caiu para a repescagem, John John Florence garantiu vaga nas oitavas de final das Olimpíadas de Tóquio, no Japão. O havaiano bicampeão mundial apresentou um surfe melhor, manobrou mais confiante, acertou aéreos e venceu na repescagem.

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John John fez uma bateria consistente, mas ainda no primeiro terço da disputa chegou a ficar fora da zona de classificação. Porém, o morador do North Shore da ilha de Oahu marcou duas notas na casa dos 6 pontos (6.67 e 6.10) em sequência, assumiu a liderança e venceu. O próxima adversário do havaiano será seu compatriota Kolohe Andino.

O surfista da Indonésia Rio Waida (2º) e o da Nova Zelândia Billy Stairmand (3º) também foram intensos e avançaram, cada uma com duas notas na casa dos 5 pontos.

O chileno Manuel Selman (4º) se despediu dos Jogos Olímpicos de Tóquio e o costa-riquenho Carlos Muñoz não conseguiu chegar no Japão a tempo de competir, já que herdou a vaga do português Frederico Morais (testou positivo para a Covid-19) na última sexta-feira (23).

Transmissão – No Brasil, a Rede Globo detém os direitos de transmissão, tanto na TV aberta (TV Globo), quando na fechada (Sportv). Miguel Pupo, Alejo Muniz, Claudinha Gonçalves e Teco Padaratz são os comentaristas. Na TV paga, a BandSports também pode exibir a competição.

A programação do Sportv, sujeita a alterações, pode ser vista aqui. Clique aqui para ver a programação da BandSports.

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Baterias Masculinas da primeira fase

1 Italo Ferreira (BRA) 13.67, Hiroto Ohhara (JAP) 11.40, Leonardo Fioravanti (ITA) 9.43, Leandro Usuna (ARG) 8.27
2 Kanoa Igarashi (JAP) 12.77, Miguel Tudela (PER) 10.67, Billy Stairmand (NZL) 9.97, Jeremy Flores (FRA) 7.63
3 Lucca Mesinas (PER) 11.40, Kolohe Andino (EUA) 10.27, Rio Waida (IDN) 9.96, Julian Wilson (AUS) 8.77
4 Owen Wright (AUS) 10.40, Ramzi Boukhiam (MAR) 10.23, John John Florence (HAV) 8.37, Manuel Selman (CHI) 6.20AV), Owen Wright (AUS), Manuel Selman (CHI) e Ramzi Boukhiam (MAR)
5 Gabriel Medina (BRA) 12.23, Michel Bourez (FRA) 10.10, Leon Glatzer (ALE) 10.10, Carlos Muñoz (CRI) W.O.

Segunda fase

1 (01h40) John John Florence (EUA), Billy Stairmand (NZL), Rio Waida (IDN), Manuel Selman (CHI), Carlos Muñoz (CRC)
2 (02h20) Leonardo Fioravanti (ITA), Leon Glatzer (ALE), Jeremy Flores (FRA), Julian Wilson (AUS), Leandro Usuna (ARG)

Oitavas de final
Domingo (25) a partir das 23h48 (de Brasília)

1 (23h48) Kanoa Igarashi (JAP) x Rio Waida (IDN)
2 (00h24) Kolohe Andino (EUA) x John John Florence (EUA)
3 (1h) Michel Bourez (FRA) x Ramzi Boukhiam (MAR)
4 (1h36) Gabriel Medina (BRA) x Julian Wilson (AUS)
5 (2h12) Italo Ferreira (BRA) x Billy Stairmand (NZL)
6 (2h48) Hiroto Ohhara (JAP) x Miguel Tudela (PER)
7 (3h24) Lucca Mesinas (PER) x Leonardo Fioravanti (ITA)
8 (4h) Owen Wright (AUS) x Jeremy Flores (FRA)

Baterias Femininas da primeira fase

1 1 Carissa Moore (HAV) 11.74, Teresa Bonvalot (POR) 9.80, Dominic Barona (EQA) 7.66, Daniella Rosas (PER) 7.50
2 Sally Fitzgibbons (AUS) 12.50, Brisa Hennessy (CRC) 12.20, Bianca Buitendag (AFR) 11.44, Mahina Maeda (JAP) 9.20
3 Stephanie Gilmore (AUS) 14.50, Silvana Lima (BRA) 12.13, Pauline Ado (FRA) 9.17, Anat Lelior (ISR) 7.77
4 Tatiana Weston-Webb (BRA) 11.33, Johanne Defay (FRA) 10.60, Sofia Mulanovich (PER) 7.80, Amuro Tsuzuki (JAP) 6.99
5 Caroline Marks (EUA) 13.40, Ella Williams (NZL) 9.70, Leilani McGonagle (CRC) 9.64, Yolanda Hopkins (POR) 9.24

Segunda fase

1 Amuro Tsuzuki (JAP) 11.60, Bianca Buitendag (AFR) 10.40, Mahina Maeda (JAP) 9.63, Leilani McGonagle (CRC) 9.63, Dominic Barona (EQU) 8.87
2 Yolanda Hopkins (POR) 12.23, Paline Ado (FRA) 9.66, Sofia Mulanovich (PER) 9.36, Anat Lelior (ISR) 8.93, Daniella Rosas (PER) 8.14

Oitavas de final
Domingo (25) a partir das 19h (de Brasília)

1 (19h) Stephanie Gilmore (AUS) x Bianca Buitendag (AFR)
2 (19h36) Johanne Defay (FRA) x Yolanda Hopkins (POR)
3 (20h12) Brisa Hennessy (CRC) x Ella Williams (NZL)
4 Caroline Marks (EUA) x Mahina Maeda (JAP)
5 (20h48) Carissa Moore (HAV) x Sofia Mulanovich (PER)
6 (22h) Silvana Lima (BRA) x Teresa Bonvalot (POR)
7 (22h36) Tatiana Weston-Webb (BRA) x Amuro Tsuzuki (JAP)
8 (23h12) Sally Fitzgibbons (AUS) x Pauline Ado (FRA)

Cronograma do Festival Olímpico de Surfe
Sábado, 24 de julho (domingo no Japão)
19h às 4h20 (de Brasília)

19h – Round 1 da categoria Masculina
22h20 – Round 1 da categoria Feminina
01h40 – Round 2 da categoria Masculina
03h – Round 2 da categoria Feminina

Domingo, 25 de julho
19h (de Brasília)

19h – Round 3 da categoria Feminina
23h48 – Round 3 da categoria Masculina

Segunda-feira, 26 de julho
19h (de Brasília)

19h – Quartas de final da categoria Masculina
21h24 – Quartas de final da categoria Feminina
23h48 – Semifinal da categoria Masculina
01h – Semifinal da categoria Feminina

Terça-feira, 27 de julho
20h (de Brasília)

20h – Bateria da medalha de bronze Feminina
20h45 – Bateria da medalha de bronze Masculina
21h30 – Bateria da medalha de ouro Feminina
22h15 – Bateria da medalha de ouro Masculina
Cerimônia de entrega das medalhas da categoria Feminina
Cerimônia de entrega das medalhas da categoria Masculina

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

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