Rio Pro

WSL divulga baterias

Confrontos iniciais do Rio Pro são divulgados. Brasil ganha reforço de Samuel Pupo e Silvana Lima.
Rio Pro 2022, Itaúna, Saquarema (RJ)

Na próxima sexta-feira (23) começa o prazo para a realização do Rio Pro, a etapa brasileira do circuito mundial. O palco das disputas é o Point de Itaúna, Saquarema (RJ). As baterias já foram divulgadas e o Brasil ganhou o reforço de dois surfistas.

Samuel Pupo e Silvana Lima foram convidados pela WSL. Samuel é o atual vice da etapa. Em 2022 ele perdeu a final para Filipe Toledo, que conquistou seu quarto título em etapas do CT no Rio. Samuel foi cortado da elite no meio da temporada, mas começou bem o circuito de acesso. O brasileiro venceu na Austrália e está em terceiro lugar no ranking. Ao final da temporada os dez melhores sobem para a primeira divisão.

Silvana Lima foi duas vezes vice-campeã mundial. Fora do CT, a brasileira compete no Challenger Series e ocupa a 33ª posição na lista que dará 5 vagas na elite de 2023.

Com a entrada dos dois, o Brasil contará com nove surfistas.

Rio Pro 2023
Round 1 feminino

1 Molly Picklum (AUS) x Stephanie Gilmore (AUS) x Gabriela Bryan (HAV)

2 Carissa Moore (HAV) x Lakey Peterson (EUA) x Silvana Lima (BRA)

3 Tyler Wright (AUS) x Caitlin Simmers (EUA) x Johanne Defay (FRA)

4 Caroline Marks (EUA) x Tatiana Weston-Webb (BRA) x Bettylou Sakura Johnson (HAV)

Round 1 masculino

1 Ethan Ewing (AUS) x Caio Ibelli (BRA) x Rio Waida (IND)

2 João Chianca (BRA) x Matthew McGillivray (AFR) x Seth Moniz (HAV)

3 Filipe Toledo (BRA) x Callum Robson (AUS) vs .Kelly Slater (EUA)

4 Griffin Colapinto (EUA) x Liam O’Brien (AUS) x Samuel Pupo (BRA)

5 Gabriel Medina (BRA) x Yago Dora (BRA) x Ian Gentil (HAV)

6 Jack Robinson (AUS) x Ryan Callinan (AUS) x Barron Mamiya (HAV)

7 John John Florence (HAV) x Connor O’Leary (AUS) x Jordy Smith (AFR)

8 Italo Ferreira (BRA) x Leonardo Fioravanti (ITA) x Kanoa Igarashi (JPN)

Campeões das 31 etapas do CT no Rio de Janeiro

2022: Filipe Toledo (BRA) e Carissa Moore (HAV) na Praia de Itaúna, Saquarema

2019: Filipe Toledo (BRA) e Sally Fitzgibbons (AUS) na Praia de Itaúna, Saquarema

2018: Filipe Toledo (BRA) e Stephanie Gilmore (AUS) na Praia de Itaúna, Saquarema

2017: Adriano de Souza (BRA) e Tyler Wright (AUS) na Praia de Itaúna, Saquarema

2016: John John Florence (HAV) e Tyler Wright (AUS) no Postinho da Barra, Rio de Janeiro

2015: Filipe Toledo (BRA) e Courtney Conlogue (EUA) no Postinho da Barra, Rio de Janeiro

2014: Michel Bourez (TAH) e Sally Fitzgibbons (AUS) no Postinho da Barra, Rio de Janeiro

2013: Jordy Smith (AFR) e Tyler Wright (AUS) no Postinho da Barra, Rio de Janeiro

2012: John John Florence (HAV) e Sally Fitzgibbons (AUS) no Postinho da Barra e Arpoador

2011: Adriano de Souza (BRA) e Carissa Moore (HAV) na Barra da Tijuca e Arpoador, Rio de Janeiro

2002: Taj Burrow (AUS) na Praia de Itaúna, em Saquarema

2001: Trent Munro (AUS) na Barra da Tijuca e Arpoador, Rio de Janeiro

2000: Kalani Robb (HAV) na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

1999: Taj Burrow (AUS) e Andréa Lopes (BRA) na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

1998: Peterson Rosa (BRA) e Pauline Menczer (AUS) na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

1997: Kelly Slater (EUA) e Pauline Menczer (AUS) na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

1996: Taylor Knox (EUA) na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

1995: Barton Lynch (AUS) na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

1994: Shane Powell (AUS) e Pauline Menczer (AUS) na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

1993: Dave Macaulay (AUS) e Neridah Falconer (AUS) na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

1992: Damien Hardman (AUS) e Wendy Botha (AFR) na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

1991: Flávio Teco Padaratz (BRA) na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

1990: Brad Gerlach (EUA) na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

1989: Dave Macaulay (AUS) na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

1988: Dave Macaulay (AUS) na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

1982: Terry Richardson (AUS) na Praia do Arpoador, Rio de Janeiro

1981: Cheyne Horan (AUS) na Prainha, Rio de Janeiro

1980: Joey Buran (EUA) na Praia do Arpoador, Rio de Janeiro

1978: Cheyne Horan (AUS) na Praia do Arpoador, Rio de Janeiro

1977: Daniel Friedman (BRA) e Margo Oberg (AUS) na Praia do Arpoador, Rio de Janeiro

1976: Pepê Lopes (BRA) na Praia do Arpoador, Rio de Janeiro

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

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